Estado ainda não confirmou a retomada do Voe Paraná, que atendia pequenas cidades em troca de isenção no ICMS do combustível.

O recuo da pandemia está permitindo a retomada de uma série de atividades afetadas pelas práticas de isolamento e distanciamento social. A aviação civil é um dos setores mais otimistas e que está buscando recompor a malha e conquistar o fluxo de dois anos atrás em todo o Brasil, inclusive na região Sudoeste.
Quando os voos foram suspensos, em março de 2020, Francisco Beltrão possuía uma linha aérea com três voos semanais, operada pela Two Flex/Gol com um Grand Caravan para nove passageiros. A ocupação variava entre 40% e 70%, dependendo do mês. Em Pato Branco, a Azul chegava e partia diariamente com um ATR para 72 passageiros, com ocupação média acima de 80% no primeiro ano.
Só que o cenário atual é diferente de antes da pandemia. Pouco antes da chegada do coronavírus, a Azul iniciou a compra da Two Flex, principal parceira da Gol para operar as linhas do Programa Voe Paraná. A companhia aérea havia aberto novas rotas de olho na redução do valor do combustível usado nas aeronaves. No Estado, a alíquota do ICMS do querosene de aviação é de 18%, mas a cada nova rota aberta o percentual cai até o mínimo de 7%. Sem a Two Flex, a operação em boa parte das cidades em que a Gol operava anteriormente fica inviabilziada – seja pela infraestrutura dos aeroportos ou pela baixa demanda – inclusive em Francisco Beltrão. Há 60 dias, a Azul anunciou a intenção de retomar voos em cidades menores onde vinha operando, como em Pato Branco.
Desde o início do ano a Aerosul, uma companhia regional paranaense, trabalha para também operar voos regulares entre Pato Branco e o Afonso Pena, com aviões iguais aos que voavam a rota de Beltrão. Com as aeronaves da Two Flex, foi criada a Azul Conecta, com foco em pequenas e médias cidades e transporte de carga. Só que a Azul ainda não manifestou oficialmente interesse em operar em Beltrão com o Grand Caravan tendo voos partindo de Pato Branco com o ATR. A companhia não teria necessidade de ampliar destinos para ter mais isenção de ICMS e as aeronaves menores já estão todas em operação.
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Expectativa
O chefe da Casa Civil, Guto Silva, indicou ontem que os voos nas duas cidades devem retornar no mês que vem, mas ressaltou que a manutenção das linhas vai depender da viabilidade. “Nossa expectativa é de que no mês de setembro os voos de Franisco Beltrão e de Pato Branco possam retornar. Com esse regresso de voos se concretizando, vamos sentar para discutir o futuro, avaliar a demanda e ver de fato como vai se comportar a aviação regional no Brasil”, comentou Guto em entrevista à Rádio Onda Sul. O gabinete da Casa Civil confirmou que a retomada do Voe Paraná está sendo planejada, mas sem datas para acontecer. Para o empresário Tarsizio Carlos Bonetti, presidente da Acefb, é importante que a cidade tenha uma “linha aérea perene”. “A cultura da população daqui está mudando, com mais pessoas dando ênfase à segurança, agilidade e conforto dos deslocamento aéreos. Precisamos que esse uso seja massivo e que viabilize a operação.”
Reformas e melhorias
O aeroporto de Beltrão deve receber melhorias ainda neste ano, como o recape da pista, mas sem previsão de ampliação da capacidade. É que o município é um dos que apoiam o projeto do aeroporto regional, defendido pela Amsop. Já Pato Branco está equipando melhor o Juvenal Cardoso e pretende investir R$ 27 milhões em novo pátio de estacionamento de aeronaves, nova taxiway e novo terminal de passageiros.





