Carioca reclama da falta de cadeira de rodas em mercados

Carioca reclama da falta de cadeira de rodas em mercados

 
O cadeirante Jorge Alves dos Santos Filho com a esposa
Susana Carneiro Pessoa Vidor ao visitar sua enteada, a
psicóloga Michele Vidor, que trabalha em Francisco Beltrão
há um ano e meio.

Acostumado a ir ao supermercado e ter à disposição uma cadeira de rodas, o carioca Jorge Alves dos Santos Filho se surpreendeu com as dificuldades para se locomover ao visitar Francisco Beltrão. A lei federal 11.666 de 9 de dezembro de 1994 prevê que estabelecimentos comerciais ofereçam cadeira de rodas para uso gratuito de deficientes físicos.

Jorge é cadeirante por causa de um acidente vascular encefálico (AVE) e mora em João Pessoa (PA) com a esposa Susana Carneiro Pessoa Vidor. Há algumas semanas, eles visitaram a filha de Susana, a psicóloga Michele Vidor, que trabalha em Beltrão há um ano e meio. “A gente teve dificuldade de locomoção para entrar em restaurantes, lojas e supermercados com o Jorge por conta da deficiência física. A gente vê que muitos locais não têm rampa e nem corrimão”, comenta a psicóloga.

Mas a ausência da cadeira de rodas no supermercado foi o que mais chamou a atenção. “E o interessante é que seja a cadeira elétrica que tem uma cestinha na frente. Assim a pessoa não precisa fazer força para se locomover e pode segurar alguma coisa e colocar no carrinho”, cobra Michele.

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Segundo Jorge, no Estado da Paraíba os grandes centros comerciais já dispõem deste recurso aos cadeirantes. “Nós moramos em João Pessoa. Os supermercados e shoppings têm a cadeira elétrica. Toda vez que minha esposa vai lá, ela deixa a identidade e pega a chave do carrinho (cadeira de rodas elétrica) pra que ela não esqueça e leve a chave pra casa”, conta.

Jorge faz um comparativo principalmente por estar animado com a receptividade da população beltronense. “Aqui é uma cidade que está crescendo. Eu até já pensei em vir morar aqui. Mas acho que vocês não querem que eu mude pra cá”, brinca. “Eu fui a um supermercado e subi pelo corrimão que, aliás, estava todo sujo. Quando cheguei lá, o pessoal foi muito desatencioso.”

Para Susana, falta informação nos estabelecimentos comerciais. “Teve uma senhora que disse que tinha uma cadeira de rodas no supermercado. Eu pensei que ela iria trazer uma cadeira de rodas. Ela trouxe uma cadeira de escritório que tem as rodinhas em baixo, pensando que aquilo ia atender o que eu queria. Como é que os cadeirantes circulam aqui?”, questiona.

Jorge sofreu um derrame em que teve comprometidos apenas os membros de parte do seu corpo. “Eu não perdi o raciocínio. Mas perdi a locomoção tanto do braço como da perna esquerda. Não posso locomover a cadeira de rodas”, conta.

O casal especifica também que, além da presença da cadeira de rodas, é preciso que ela seja elétrica. Com uma cadeira mecânica, o portador precisaria empurrar-se e, ao mesmo tempo, tomar os produtos que deseja comprar. Já a cadeira motorizada possui um cesto dianteiro que carrega as compras. “No caso do supermercado, eu vou com minha esposa e ela precisa do carrinho pra pôr as coisas, como é que ela pode, com duas mãos, empurrar a cadeira de rodas e segurar a cesta ou empurrar um carrinho? É impossível.”

 

Associação

O presidente da associação dos deficientes de Beltrão, Nelson Zuanazzi, disse que não conhecia esta lei. Mas se prontificou a pesquisar e informar o comércio local sobre o assunto. “Os supermercados não possuem nem acessibilidade para que a gente possa entrar”, comentou.

Nelson está empenhado, no momento, em lutar contra a liberação de alvarás que não preveem acessibilidade. Uma audiência com a Promotoria Pública está agendada para 18 de novembro. A associação dos deficientes possui quase 200 membros e reivindica direitos ao portador de deficiência há 24 anos no município.

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