Depressão afeta mais de 21% dos beltronenses
| Foto de Thiago Chiapetti/JdeB |
|---|
![]() |
| Psicóloga Cláudia Antonelli ao apresentar a pesquisa no 1º Encontro Municipal de Saúde Mental |
A depressão faz parte da vida de, no mínimo, 21% da população de Francisco Beltrão, segundo pesquisa inédita divulgada ontem no 1º Encontro Municipal de Saúde Mental, realizado na Casa de Formação Divino Mestre. A informação assusta, mas ainda não inclui, por exemplo, o número de pacientes atendidos nas farmácias particulares.
A pesquisa foi realizada entre os meses de agosto e outubro de 2011 e visitou 9.955 famílias. O trabalho teve a coordenação dos enfermeiros Fernando Pauli e Cristina da Caz e a psicóloga Cláudia Antonelli.
Um fato interessante é que os pacientes que usam remédio para depressão saltaram de quase 14.600, em 2007, para 17.371, em 2010. Ou seja, são 2.776 novos pacientes em quatro anos. A Farmácia Municipal estima que dos mil atendimentos diários nas duas unidades, cerca de 70% dos pacientes retiram medicamentos para doenças mentais.
A demanda por remédios controlados é tão grande que a Vigilância em Saúde informou que não contabiliza as receitas médicas retidas e que são repassadas por quase 60 farmácias espalhadas pela cidade.
Preocupação
A secretária (saúde) Cíntia Ramos disse ontem que o poder público está preocupado com os números apresentados pela pesquisa. “Este é um tema de nossa preocupação. Por isso estamos aqui não apenas para discutir assistência. Mas para que cada área dê sua contribuição”, sugeriu Cíntia ao abrir o encontro.
Para o prefeito Wilmar Reichembach, o momento é de estruturação e integração do município na saúde mental. “Temos visto debates federais e políticas públicas que vão se fortalecer. E se nós estivemos preparados teremos mais condições de acessar estes recursos”, visualiza.
“A saúde mental é um problema mais presente do que nunca. Mas o assunto ainda está muito escondido e o poder público ainda não conseguiu dar resposta a altura que o problema merece”, reconhece Reichembach.
O promotor público Eduardo Monteiro diz que as atuais políticas públicas de saúde mental estão verticalizadas. As propostas surgem da União, são repassadas para o Estado e depois aos municípios. “O nosso papel é fomentar esta discussão e fazer com que as ideias que já existem sejam efetivadas. Para que as pessoas tenham um serviço eficaz.”
A enfermeira Greicy do Amaral lembrou que o assunto começou a ser discutido pelos municípios da microrregião há dois anos. A partir deste momento é que as secretarias de saúde passaram a se mobilizar. “É de suma importância que todas as esferas busquem alternativas porque este é um problema que tem um impacto grande na saúde pública.”
Para a psicóloga Cláudia Antonelli, todos os segmentos da sociedade precisam estar preparados para atender indivíduos com problemas de saúde mental. “A doença se transforma em crônica porque não existe um trabalho de prevenção. Não há um grupo de apoio ou educativo.”
O maior desafio, segundo Cláudia, é constituir um trabalho de amparo a esta parcela da população que está mentalmente doente. “A depressão aumentou mundialmente, seja por causa do estresse ou do momento em que as pessoas estão vivendo. Mas hoje, para nós, o nosso problema é não ter uma política pública.”
Estiveram reunidos no 1º Encontro Municipal de Saúde Mental os profissionais das secretarias de Saúde, de Assistência Social, de Educação e da Família e Desenvolvimento Social. As quatro pastas compõem a comissão de saúde mental de Beltrão que conta também com o apoio de diversas entidades.
Cronologia da Saúde mental
Idade Média – confinamento, teoria demonista
1968 – Itália faz reforma psiquiátrica
1970 – Reforma Sanitária no Brasil.
1989 – Criação da lei Paulo Delgado, sancionada após 12 anos.
Remédios mais consumidos
Fluoxetina
Clomipramina
Imipramina
Amitriptilina
Carbonato de lítio
Classificação Internacional das Doenças (CID)
1. Transtornos de Humor (afetivos)
2.Transtornos Neuróticos
3. Transtornos Somatoformes
4. Relacionados ao Estresse e Ajustamento
5. Distorções da Personalidade e Comportamento
6. Esquizofrenia
7. Transtornos Alimentares
8. Transtornos Invasivo do Desenvolvimento
9. Origem orgânica – Demências, drogas.
10. Retardo Mental.
11. Dependência Química





