Dificuldade pra segurar o xixi pode ser um problema sério

Dificuldade pra segurar o xixi pode ser um problema sério

Foto de Thiago Chiapetti/JdeB
Fisioterapeuta Cibelle Zanini que atende
pacientes com incontinência urinária.

Fazer xixi a todo o momento ou sentir que não deu pra segurar ao espirrar ou dar muita risada, por exemplo, pode ser o sinal de um problema sério. É a incontinência urinária, quando a mulher não consegue segurar o xixi involuntariamente ou sente vontade de ir ao banheiro toda hora.

Para algumas, isso é só coisa de mulher. Para outras, o absorvente se torna o companheiro além do ciclo menstrual. Mas o que boa parte das mulheres com este tipo de queixa não sabem é que o incômodo do xixi que escapa sem querer tem solução.

<notícias relacionadas />

- Publicidade -

Segundo a fisioterapeuta Cibelle Zanini, da Clínica Zanatta, em Francisco Beltrão, uma das principais causas da incontinência urinária é a gravidez. Após o parto, a musculatura do períneo (região entre o ânus e a vagina) perde força. E isso não ocorre apenas em partos normais, mas também pode acontecer em casos após a cesárea.

Cibelle explica, no entanto, que é possível tratar a incontinência urinária. “São exercícios associados à respiração, também utilizamos bola, tudo pra fazer a contração de períneo”, diz a fisioterapeuta que também usa aparelhos no tratamento.

Apesar da vergonha da maioria das mulheres que sofre com este problema, o assunto é sério e precisa ser esclarecido. Incontinência urinária tem tratamento. E quem explica mais sobre este assunto é a Cibelle, na entrevista exclusiva ao JdeB.

JdeB – Quais os tipos de incontinência urinária?

Cibelle – Existem dois tipos que são os mais comuns: o de esforço e o de urgência. O de esforço é quando perde xixi ao tossir, espirrar ou erguer peso. A de urgência é quando a pessoa sente vontade de ir ao banheiro o tempo todo. Faz xixi e já sente vontade de fazer de novo. Este tipo é associado com doenças neurológicas em alguns casos.

JdeB – Que sintomas que as mulheres mais relatam?

Cibelle – Como eu trato mais pacientes com incontinência urinária por esforço, a principal reclamação é a perda de xixi ao espirrar ou erguer peso, por exemplo.

JdeB – E o que causa a incontinência?

Cibelle – Geralmente são mulheres que tiveram parto normal, isso causa o enfraquecimento do músculo. Mas também atendo pacientes que fizeram cesárea. Estas mulheres tratam porque a cirurgia mexe com a estrutura do corpo. A idade também é outra causa bem frequente.

JdeB – E em que momento elas buscam o tratamento?

Cibelle – Elas só procuram ajuda quando estão no pior estágio, normalmente encaminhadas pelo médico. Em alguns casos a gente consegue conversar e descobrir o problema e indicar o tratamento sem que elas tenham que ir ao médico. Mas a maioria vem com encaminhamento.

JdeB – Muitas se sentem envergonhadas?

Cibelle – Elas têm bastante vergonha na hora da avaliação. Muitas pensam que isso é normal da mulher. Têm pacientes que vivem com absorvente e há outros casos que são apenas gotinhas de xixi que caem. Mas eu atendo mais as mulheres que sentem vontade de ir ao banheiro e antes de chegar ao banheiro já apresentam escapes de urina.

JdeB – A maioria são mulheres mais velhas?

Cibelle – Normalmente com mais de 40 anos. Mas também atendo crianças.

JdeB – E como é o tratamento com criança?

Cibelle – Com criança usamos exercícios e técnica diferente, sem que seja necessário introduzir aparelhos na vagina. E também se usa um eletrodo que estimula a região do períneo.

JdeB – E quanto tempo dura?

Cibelle – Pra pacientes com idade mais avançada, em dez sessões elas já apresentam um resultado significativo. Em criança é mais demorado o tratamento, até porque ela tem que entender o exercício, a contração de períneo, por isso é complicado.

JdeB – E como é com as mulheres?

Cibelle – São exercícios associados à respiração, também utilizamos bola, tudo pra fazer a contração de períneo. Tem os cones vaginais que é só pra equilibrar o tratamento. E tem ainda os aparelhos, o de eletroestimulação (sonda com corrente elétrica) e o biofeedback que é um sensor eletrônico que insufla. Ele forma um pequeno balão dentro da vagina. Assim consegue-se ver o nível de força da paciente. Sempre associo o exercício com um dos aparelhos. Passo exercícios pra fazer em casa também.

JdeB – E quanto tempo leva?

Cibelle – Em dez sessões já é possível ter um bom resultado. Geralmente a paciente melhora e só retorna em três meses para fazer a mesma quantidade de sessões como manutenção.

JdeB – O que pode ocorrer se não tratar?

Cibelle – Pode dar infecção urinária. Tem o caso de uma senhora que começou com queixas de escape do xixi. Quando eu estava fazendo a avaliação ela contou que descia uma bolinha ao fazer xixi. A bolinha, neste caso, é o prolapso uterino. Aí eu não pude fazer nada. Este já é um caso para cirurgia.

JdeB – E isso melhora a vida da mulher de um modo geral?

Cibelle – Sim, o tratamento também é indicado para pacientes com diminuição da libido, dificuldade de orgasmo e de lubrificação. Pacientes que não tem incontinência urinária também estão fazendo o tratamento só pra fortalecer períneo e melhorar a relação sexual.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques