A declaração é de Alessandra Ochoa, mãe de Aleandro Jr, 5 anos, autista moderado.

Uma batalha diária. “Desafios a gente enfrenta todos os dias, desde que acorda, até a hora de dormir”, diz Alessandra Ochoa, mãe de Aleandro Jr, 5 anos, autista moderado não verbal.
O diagnóstico ficou definido quando ele tinha 3 anos, com a constatação de ausência total da fala, movimentos repetitivos e fixação por alguns objetos. Alessandra parou de trabalhar fora de casa e passou a se dedicar à rotina do filho, que inclui levar na escola e em profissionais como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos.
“Sofremos muito, no começo. É difícil aceitar que seu filho não vai ser aquilo que você planejou, e sim vai ser o que Deus planejou pra você. Aqui em casa fomos do luto (assim chamamos quando algo que tínhamos planejado de certa forma morre, e temos que começar a aceitar e lidar com uma realidade nova) à luta, para dar o nosso melhor pra ele.”
Enfrentar os olhares das pessoas e o preconceito são alguns desafios. Além de problemas na aceitação, desde a escola até o convívio de amigos e familiares.
“Nosso filho é uma criança calma, não fala, mas nos leva pela mão para mostrar o que quer, ele não consegue falar, por mais que tente. Ele não é surdo e nem mudo, é uma condição do espectro autista. Não tem nada de errado com ele, ele apenas não consegue. Ele também não tem nenhum outro tipo de problema de saúde, embora sua condição seja diferente de uma criança de desenvolvimento normal, ele é uma criança completamente saudável e feliz.”
Alessandra integra uma micro rede de apoio, formada por seis mães de crianças atípicas, cada uma com sua “especialidade”, em geral adquirida a partir da realidade enfrentada com seus filhos. É uma forma de elas se ajudarem e também de se distraírem. A intenção é, após a pandemia, ampliar este grupo.
Profissionais qualificados
Alessandra e o marido Aleandro Murer destacam a carência de profissionais da saúde com métodos específicos de tratamento para autistas, o que dificulta o desenvolvimento. “Mas não é por isso que a gente deixa de lutar, já sofremos demais aqui em casa trabalhando a aceitação, lidamos com a minha depressão, entre outros problemas de saúde na família. Eu não tive saída a não ser lutar, pois desistir não estava no script, e nem tinha como”, afirma Alessandra, que diz estar orgulhosa da família que formou.
“Hoje somos pessoas melhores, pensamos diferente, e damos valor a cada segundo ao lado de nosso filho, pois em meio todo esse caminho, passamos por alguns maus momentos, aonde talvez ele não estivesse mais aqui. Mas Deus quis que ele ficasse, e tudo aquilo que estiver ao nosso alcance, tudo aquilo que for preciso pra melhorar a condição dele, nós vamos fazer, juntamente de todos os profissionais que estão presentes no nosso dia a dia em suas terapias.”
Sua família está vivendo o hoje, ou seja, procurando fazer o melhor possível para Aleandro Jr no momento presente. “Brincamos muito com ele, aproveitamos cada minuto, ele é muito amado por todos que estão a sua volta, ele tem poucos amigos, algumas crianças não entendem a sua condição, outras não vêem problema nenhum, e colocam ele em todas brincadeiras; mesmo que ele não brinque, procuram ver o que ele gosta e começam a brincar em cima daquilo.”




