Do tiro à Internet: os meios de comunicação em Cruzeiro do Iguaçu

Geral

O município de Cruzeiro do Iguaçu já teve seus jornais impressos.

 

Por Marcos Witeck
Tudo teve início no fim da década de 1930, com a chegada do pioneiro Atanásio da Cruz Pires (1892 – 1975), descendo o Rio Chopim de canoa, vindo de Barro Preto, hoje Coronel Vivida. O acesso mais rápido e prático de comunicação e chegada ao local de mata cerrada, que futuramente passaria a se chamar Cruzeiro do Iguaçu. Logo em seguida, pelo mesmo caminho, chegava Felipe Gaudinski, conhecido por Filipão, foragido da justiça.

A região, coberta de mata, foi preciso rasgá-la para abrigar os primeiros moradores que vinham em busca de terras férteis e dum futuro promissor para a família. O acesso foi construído aos poucos. Abriram-se picadas, carreiros, tiraram-se sítios e demarcou-se o território. Se o acesso era difícil, a comunicação com os outros, além de demorada, era mínima, a ponto de se comunicarem com tiros, para sair na mesma direção e se encontrar… As picadas ou carreiros, abertos à base de facão, foice ou machado, proporcionaram o deslocamento por terra, a pé ou a cavalo. Conforme se iam alargando os carreiros, vieram as carroças… Foram as novas alternativas de acesso e deslocamentos que facilitaram a chegada de novos moradores e da comunicação, na expectativa de conseguir um futuro melhor para a família.

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Na década de 1950, sob o comando do encarregado da Viação e Obras, Roberto Grando, da Prefeitura de Francisco Beltrão, foi aberta a estrada de Dois Vizinhos, passando pela Toca da Onça, Alto Erveira, Divisor/Miserável, chegando até o Rio Iguaçu, no porto da Balsa do Nelson. Havia uma divergência quanto ao nome da comunidade, Divisor ou Miserável! Tinha aqueles que defendiam o nome de Miserável, devido ao fato ocorrido com seu Atanásio Pires e com seus filhos. E os que preferiam denominar o local de Divisor, devido à proximidade da divisa de Pato Branco e Francisco Beltrão.

Roberto Grando, em seu diário, registra esta divergência estranha, e decide por um novo nome a partir de dois fatos que observou no local. O episódio da cobra urutu cruzeiro que aconteceu no armazém do senhor Arzeno Azevedo e a bela visão, à noite, da constelação do Cruzeiro… e por estar muito próximo ao Rio Iguaçu. Surge então o nome de Cruzeiro do Iguaçu, que mais tarde se transforma em município.

Na década de 1970, um novo traçado de rodovia surge e, no governo de Jayme Canet Junior, é asfaltada, facilitando o acesso e deslocamentos por automotores e dando mais agilidade às comunicações. Em 1964, iniciava-se a construção da Usina Júlio Mesquita Filho, no Rio Chopim, a formação das vilas da Copel, dos funcionários e a da Foz do Chopim, o piolho, proporcionando a chegada dos modernos aparelhos de rádio, televisão e telefone, que vieram substituir os famosos telegramas! O progresso foi tanto que até aeroporto foi construído e, mais tarde, um heliporto. Na vila do Chopim havia um PS – Posto de Serviço – como no Cruzeiro do Iguaçu, que proporcionou o surgimento do mensageiro, que levava até a pessoa o recado, para aguardar a ligação. E junto aos PS, funcionava o posto dos Correios.

Em 1984, chegam os primeiros telefones fixos em Cruzeiro do Iguaçu, foram apenas dez linhas telefônicas. Os postos de serviços, com as cabines telefônicas e os postos dos Correios, continuaram a funcionar até a instalação do município de Cruzeiro do Iguaçu. Na primeira gestão administrativa, o Correio abre uma agência, numa sala alugada, na Av. 26 de Abril, por um curto espaço de tempo, e voltou a ser posto. Só em 13 de agosto de 2015, a agência de Correios volta a se instalar em Cruzeiro do Iguaçu, em prédio alugado, na Rua Rio Grande do Sul.

Ao mesmo tempo, muitas famílias adquirem as parabólicas para melhor sintonizar os canais de televisão. Devido o alto custo dos aparelhos da parabólica, eram feitos grupos de dez consorciados; ao final de cada mês, um era contemplado. Com a instalação do novo município e com a influência da política local, novas linhas telefônicas vieram para Cruzeiro do Iguaçu, como, também, os telefones públicos de rua, os famosos orelhões, instalados no perímetro urbano, e em certas comunidades do interior.

O sinal de internet, via telefone ou rádio, teve seu início em 1998, sendo necessário formar grupos de dez usuários. O provedor foi instalado numa das salas da Prefeitura e a antena, no alto do Monte Calvário, ao lado do Santuário de Nossa Senhora da Saúde. A internet banda larga entra em operação no fim do ano de 2007.

Cruzeiro do Iguaçu, por um curto espaço de tempo, teve seu jornal impresso. Em junho de 2000, surgia “O Cruzeirão”, que foram apenas três edições, em três meses. No ano seguinte, na mesma época, surgia a “Folha Cruzeirense”, que, em três meses, publicou oito edições. O sistema de telefonia celular foi instalado na própria torre da convencional, Brasil Telecom/Telepar. O sinal entrou em operação no dia 5 de setembro de 2008, no auge da campanha política para escolha do novo prefeito.

Em 1997, um grupo de cruzeirenses deu início ao processo de implantação da primeira rádio do município. Foram 14 longos anos para vencer a burocracia do Ministério das Comunicações até a concessão e autorização de funcionamento da rádio comunitária Iguaçu FM, que entrou em operação em caráter experimental, às 20h, do dia 25 de maio de 2011. A inauguração foi em 22 de junho de 2011, quando iniciou em definitivo suas operações radiofônicas. A modernidade, com o avanço das novas ferramentas tecnológias da comunicação, proporcionou, em 1º de outubro de 2020, o surgimento da primeira rádio Web Alegria dos Lagos, em caráter experimental.

Assim, podemos concluir que Cruzeiro do Iguaçu, concretiza as três fases do caminho da comunicação: por água, terra e ar!!!

*Marcos Geraldo Witeck é ex-vereador, ex-secretário de Educação, professor de História, ex-diretor do Colégio Estadual Dr. Arnaldo Busato, Ensino Fundamental e Médio, de Cruzeiro do Iguaçu, formado em Filosofia na UPF, pós-graduado em História do Brasil e Pedagogia Escolar. Prof. PDE 2012 – A Revolta dos Posseiros de 1957 no Sudoeste do Paraná. Membro fundador do Centro de Letras de Francisco Beltrão.

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