É o fim do feriado de carnaval na região?

Empresários beltronenses acreditam que sim. Na primeira vez que abriram as lojas na terça de carnaval, aprovaram.

Mesmo com fraco movimento, empresários beltronenses avaliam ter sido positivo abrir as lojas ontem.

Muitos acontecimentos marcantes ocorreram no mês de janeiro e fevereiro, ao longo da história, mas o conceito de que, no Brasil, o ano (econômico) só começa depois do carnaval sempre foi repetido e ninguém costumava contestar. Neste ano, devido à pandemia do coronavírus, o carnaval não foi o mesmo – oficial e legalmente, nem teve – e tem quem aposta que 2021 pode ser um “divisor de águas”.

Para empresários beltronenses, esta foi a primeira terça-feira de carnaval que as lojas abriram, mas de agora em diante deverão abrir sempre.Confira o que dizem as pessoas entrevistadas pelo Jornal de Beltrão sobre o início do ano econômico e a abertura das lojas na terça-feira de carnaval.Para o presidente da Associação Empresarial de Francisco Beltrão (Acefb), Tarsízio Carlos Bonetti, “existe a fantasia de que o Brasil só começa depois do carnaval”.

Mesmo neste ano ainda instável devido à pandemia, ele vê fatos relevantes ocorridos antes da data do carnaval. Tarsízio cita a eleição na Câmara dos Deputados e no Senado, ocorridas antes do carnaval 2021. “Contribuíram para que nós tivéssemos uma esperança um pouco maior nas reformas fiscal e administrativas que o Brasil tanto precisa”.Tarsízio comenta que “o Brasil é grande, muito grande, muito amplo, tem uma economia bastante diversificada e o País não para”.

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Ele cita o agronegócio, “que move o País e é forte todos os meses do ano”, principalmente agora, com preços altos das comodities (com destaque para milho e soja). Neste setor, segundo Tarsízio, as notícias são sempre positivas. Ainda para este início de ano, ele destaca esforços dos governos federal e estadual na busca de alternativas para a área de infraestrutura, mesmo com restrições orçamentárias e a pandemia. “Acho que o Brasil não para e quem sabe a pandemia esteja trazendo uma mudança também, porque governos e empresas não mantiveram o feriado, talvez seja um divisor de águas.”

Maioria das lojas abertas
Syrlei Zepelini, secretária-executiva da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Francisco Beltrão, também acredita que este ano poderá mudar costumes do carnaval, pelo menos na cidade e região. “Eu ainda vi alguns meio arredios, porque já tinham programado folga no carnaval. Mas andei ontem pela cidade, a maioria das lojas estão abertas, acredito que a partir do ano que vem todos vão tocar direto, até porque aqui não tem tradição de carnaval.”

 Para muitos, o comércio nunca perde, porque se não dá pra comprar num dia de portas fechadas compra-se em outro dia. Mas, segundo Syrlei, o conceito dos comerciantes é o contrário, para eles, “dia fechado é dia perdido”. O que eles dizem é que quem escolheu essa profissão tem que encarar e abrir as portas sempre que for permitido.Quanto à expectativa para 2021, Sirley não vê otimismo exagerado nem pessimismo, mas espera.

Uma espera de quem acredita que vai melhorar. O ano passado – que também começou com crise, segundo lembra Syrlei, ainda antes do início da pandemia – foi de muitos desafios, “muito esforço para cada um manter suas equipes de colaboradores, agora observam que, se os outros continuam, porque eu vou parar, tem que acreditar, tudo vai passar”.

Douglas Benetti, Rose Arend e Fernando Frank, ontem à tarde na Avenida Júlio Assis, onde têm suas lojas: primeira vez que puderam atender numa terça-feira de carnaval.

Primeiro dia sem feriado, em 61 anos
Os empresários entrevistados afirmam que o movimento de ontem, que seria terça-feira de carnaval, foi “fraco”, principalmente à tarde. Mas que valeu ter aberto suas lojas e acreditam que de agora em diante não vai haver ponto facultativo na terça-feira de carnaval. Para Douglas Benetti, foi a primeira vez que abriu a loja, em 61 anos (desde que seu pai, Enestor Benetti, o Safira, atendia).

Na sua avaliação, o fato das demais cidades da região terem fechado suas lojas foi prejudicial. Se tivessem aberto também, para Beltrão teria sido um dia normal.Para Fernando Frank, a segunda-feira de carnaval sempre foi de muito boas vendas. É porque muita gente vinha de outras cidades passar aqui o feriadão e na segunda-feira fazia compras. Neste ano, teve bom movimento, mas não como em anos anteriores.

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Ele acredita que o fato de ter havido expediente também em outras regiões dificultou a vinda de pessoas que visitaram Beltrão neste antigo feriadão. Ontem o movimento foi fraco, mas ele aproveitou para fazer readequações na loja. E acredita que este dia será de trabalho nos próximos anos, mesmo que tenha passado a pandemia. “Pra mim este foi o melhor e o pior dia de terça-feira de carnaval, porque em 40 anos foi a primeira vez que abri a loja nesse dia”, conclui Fernando, bem-humorado.

Rose Arend, que tem 30 anos como lojista, concorda que o movimento foi fraco, mas valeu ter aberto a loja. Porque pôde atender aquelas pessoas que gostam de ambiente mais calmo, e também porque recebeu gente de fora. Rose observa que poderia ter tido mais movimento se fosse feito “um marketing violento, mas aí poderia aglomerar e a situação atual não permite”, devido à covid. Para ela, este primeiro dia de atendimento em terça-feira de carnaval foi, sim, um divisor de águas, “veio pra ficar”.

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