Emergência voltará a ser prioridade do 24 Horas
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| Vermelho indica emergência; amarelo, urgência; e verde, pouca urgência. Classificação é uma tendência mundial que vem sendo adotada no Brasil. |
O Centro de Atendimento 24 Horas de Francisco Beltrão se prepara para voltar a ser uma referência em urgência e emergência. O local é destinado apenas para situações em que há risco de complicações graves à vida ou de morte do paciente. Um vídeo explicativo já está sendo exibido aos usuários enquanto aguardam para consultar. A proposta é classificar os casos por cor, o que definirá o tempo de espera para o atendimento.
Segundo a diretora técnica, médica Josiane da Silva Nunes, a classificação de risco é uma tendência mundial e vem sendo implantada em todo o Brasil. “Paciente com dor no peito, por exemplo, será atendido primeiro. Um paciente com dor muscular pode sentar e esperar de três a quatro horas”, exemplifica.
Os enfermeiros e técnicos em enfermagem vão passar por um treinamento para fazer a triagem. “Estamos exibindo o vídeo para que não seja uma mudança tão drástica. Assim, será mais fácil ao usuário buscar o posto de saúde onde pode demorar um pouco mais, mas haverá uma maior atenção do médico que vai poder investigar a causa do problema”, prevê a diretora.
A transição, segundo Josiane, é gradativa e vem sendo planejada há quase um ano. A justificativa é a distorção que vem ocorrendo dos serviços oferecidos no Centro de Atendimento 24 Horas. “Nos últimos cinco anos, o propósito se perdeu, pois foi quando tivemos um estouro no número de atendimentos. Atendemos uma população e meia de Beltrão em um ano”, revela.
A explicação para esta demanda no pronto-atendimento era a ausência das equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) que surgiram, aos poucos, só nos últimos anos. “Hoje temos 24 postos de saúde com atendimento primário. Mas pela facilidade de funcionar durante 24 horas, a população acaba procurando mais aqui”, diz dra. Josiane.
“Não estamos mais tendo condições de fazer um atendimento correto com tantos pacientes. Por turno estamos atendendo 150 pacientes em apenas 6 horas. A gente não está dando conta de atender com a qualidade ideal”, argumenta. Só em 2011 foram 86 mil atendimentos — o município possui quase 80 mil habitantes, segundo o IBGE.
Principais queixas
As queixas dos pacientes que procuram o Centro de Atendimento 24 Horas são sazonais. “No verão, atendemos muita intoxicação alimentar; tem também infecções via aérea, por exemplo, amigdalite por causa da diferença de temperatura em alguns ambientes com ar condicionado. Mas no ano inteiro a maior procura é por dor muscular”, conta a médica.
Semelhante ao que ocorre nas estações mais quentes, os casos de bronquite e rinite são recorrentes em dias frios. Enquanto que o propósito é outro: “Casos de urgência e emergência: dor no peito que o paciente não sabe o que é e pode ser um infarto; uma crise hipertensiva que pode ocasionar um derrame; ou uma febre alta que o paciente pode convulsionar”, exemplifica dra. Josiane.
Proposta inicial
Quando foi criado, em 12 de junho de 2000, o Centro de Atendimento 24 Horas se propunha a receber os casos graves que estavam sobrecarregando os hospitais. “Nos primeiros anos atendíamos em torno de duas mil pessoas. Hoje recebemos 7.600 pacientes por mês. Em outros anos, tivemos 8 mil num mês. Isso é mais que 10% da população beltronense”, pontua Josiane.
Segundo a médica, a proposta acabou se desvirtuando. “Hoje o paciente que está com uma dor há um ano vem e quer que a gente resolva aqui. Com isto, nós deixamos de atender quem realmente precisa para receber uma pessoa que vai entrar, sentar e eu vou ter que explicar que este problema deve ser resolvido no posto de saúde.”
Outra questão muito discutida logo que surgiu o Centro de Atendimento 24 Horas é o local. “As pessoas se perguntavam, mas porque na Cidade Norte? Naquela época aqui havia uma população mais carente. E quem morava em outros bairros teria mais condições de vir aqui do que os daqui ir para o centro, por exemplo.”
“O que precisa agora é fazer uma classificação dos atendimentos, pois apenas um pronto-atendimento é suficiente pra população de Beltrão”, declara a diretora.








