Setor imobiliário acredita que reajuste dará novo impulso ao programa, mas mesmo com o aumento haverá dificuldade de enquadrar valor dos imóveis à venda na cidade.

A partir do mês que vem passam a valer novas regras para financiamento habitacional dentro do Programa Casa Verde e Amarela, antigo Minha Casa Minha Vida. Uma das novidades mais aguardadas é o novo teto para financiamento que, para Francisco Beltrão, passa a ser de R$ 161 mil, valor 15% maior que o limite atualmente em vigência.
Hoje, para se enquadrar no programa, o valor máximo do imóvel deve ser de R$ 140 mil, mas não há casas ou sobrados neste patamar de preço para venda na cidade. Por isso, a expectativa é de que o reajuste ajude a retomar as contratações via Casa Verde e Amarela. “Há alguns anos, uma grande fatia das nossas negociações era de imóveis do Minha Casa Minha Vida, mas o valor que se enquadrava no financiamento foi ficando defasado, principalmente neste último ano. Agora, com o aumento do teto em R$ 21 mil, acreditamos que as vendas que se enquadram no programa possam ganhar um novo impulso”, analisa o corretor imobiliário Luiz Alberto Thomazoni Filho, coordenador do Núcleo de Imobiliárias de Beltrão. Atualmente, imóveis com valor entre R$ 200 e R$ 350 mil são os mais procurados na cidade.
Mesmo com o reajuste, são poucos os imóveis com valor abaixo dos R$ 161 mil na cidade. Casas construídas em meio terreno, em loteamentos mais afastados do Centro e com acabamento mais simples podem ser encontradas entre R$ 170 mil e R$ 190 mil. Uma prática comum, no entanto, é fazer o financiamento pelo Casa Verde e Amarela e pagar a diferença diretamente ao vendedor para tentar manter a compra dentro do limite do programa.
O financiamento pelo novo Minha Casa Minha Vida é um pouco mais burocrático e enquadra somente quem tem renda familiar menor, mas se torna vantajoso em comparação à outras modalidades devido à taxa de juros. A arquiteta e correspondente Caixa Aqui, Franciele Leonardo, é especializada no encaminhamento e execução de projetos habitacionais e explica que na chamada faixa 2, para quem ganha até R$ 3 mil por mês, será possível financiar com taxa de 5% ao ano mais a taxa referencial.
“Esta faixa intermediária é a mais vantajosa, porque quem é de baixa renda só consegue se enquadrar no Casa Verde e Amarela via projetos públicos, como os conjuntos habitacionais, e quem tem renda maior que isso vai pagar praticamente a mesma taxa de juros que no SBPE, uma modalidade que permite adquirir imóveis com valor maior e com menos burocracia.” Mas ela faz uma ressalva: “Quem tem renda até R$ 3 mil vai conseguir acessar o financiamento com uma boa taxa, mas devido ao comprometimento da renda, o valor financiável será menor e precisará dar uma entrada acima de R$ 40 mil”.
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Construção
Outra possibilidade é a construção. Se, quem for tomar o financiamento tiver o terreno já quitado, o enquadramento nas regras do programa se torna mais viável, dentro do teto de valor do imóvel, mas se for adquirir o lote e financiar junto com a construção pode exceder o limite de R$ 161 mil. Isso porque há poucos terrenos abaixo de R$ 80 mil e aí sobra menos dinheiro para a edificação do imóvel. Segundo Franciele, o custo médio de uma casa pronta – com acabamento simples – é de R$ 1.700 por metro quadrado.





