As instituições se espalharam por 12 municípios do Sudoeste com 138 cursos, 20.803 alunos e 1.761 professores.
O Sudoeste do Paraná mudou totalmente seu perfil educacional nas duas últimas décadas. De região essencialmente agrícola, passou a centro universitário, atraindo estudantes, principalmente jovens, de muitas localidades do país. Esse segmento atualmente é um dos principais motores da economia gerando emprego, renda e melhorando o nível cultural da população. Um estudo recente divulgado pela Amsop mostra que a região tem 21 instituições de ensino superior (13 particulares, três estaduais e cinco federais). Elas se espalharam por 12 municípios da região com 138 cursos, 20.803 alunos e 1.761 professores.
Há 25 anos, quando o Jornal de Beltrão imprimia suas primeiras páginas, a situação era oposta, muitos jovens tinham que sair de perto de suas famílias para estudar em grandes centros. Muitos deles jamais voltavam, ou seja, a região perdia suas melhores cabeças. Não que aqui não existissem oportunidades para se formar, mas eram limitadas.
A equipe de jornalismo do JdeB acompanhou todo o movimento que aconteceu nos anos 1990 para instalação de uma universidade pública – a Universidade Estadual do Vale do Iguaçu (Univale) – que integraria as instituições Fafi e Facepal, de Palmas; Fafi e Face, de União da Vitória; Funesp de Pato Branco e Facibel de Francisco Beltrão. Infelizmente, o processo não teve apoio do Governo do Estado na época. As primeiras instituições de ensino superior foram instaladas nos maiores municípios, posicionados de forma estratégica e considerados polos.
O registro mais antigo no Sudoeste é da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (Fafi), fundada em 1969, mantida e administrada na época pelo Centro Pastoral, Educacional e Assistencial Dom Carlos (CPEA), que funcionava em Palmas e era uma iniciativa da Diocese de Palmas. Oferecia os cursos de Filosofia, Pedagogia, História e Letras Francês. Depois, aos poucos, foram surgindo mais opções para quem queria se graduar sem precisar sair do Sudoeste.
Em 1975 foi feito o primeiro vestibular da Fundação Faculdade de Ciências Humanas de Francisco Beltrão (Facibel), que oferecia vagas para os cursos de Estudos Sociais (licenciatura curta) e Economia Doméstica (licenciatura e bacharelado). No mesmo ano, iniciou suas atividades a Faculdade de Ciências Contábeis e Administração de Pato Branco (Facicon), com os cursos de Administração e Ciências Contábeis. Em 1979, iniciaram suas atividades as Faculdades Reunidas de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas de Palmas (Facepa).
Francisco Beltrão
Novos cursos surgiram em 1985 com a graduação em Ciências Econômicas (bacharelado) e, em 1985, o curso de Geografia (licenciatura plena e bacharelado). Em 1996, aconteceu o vestibular para Pedagogia (magistério das matérias pedagógicas do ensino de 2º grau e magistério para a pré-escola). Em 24 de junho de 1999 ocorre a incorporação do patrimônio e de todos os cursos de graduação da Facibel pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), que implantou novos cursos como Direito, Administração e Medicina.
Pato Branco
Em 1981, houve uma alteração na denominação da Facicon, passando a Fundação de Ensino Superior de Pato Branco (Funesp). Em 1985 a Funesp implantou os cursos de Letras e Matemática, em 1987 o curso de Processamento de Dados e em 1992 o curso de Agronomia. Em 1993 foi incorporada pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-PR). Mais tarde as unidades do Cefet em Dois Vizinhos e Pato Branco foram transformadas em UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), a qual incorporou também o Texcel de Francisco Beltrão.
Palmas
Em 2001, Fafi e Facepal foram transformadas em uma só instituição (Facipal). Palmas sempre lutou muito pelo ensino superior na região, especialmente na figura do bispo Dom Agostinho José Sartori (em memória). A Facipal mais tarde mudou para Unics (Centro Universitário Diocesano do Sudoeste do Paraná) e há cerca de cinco anos foi transformada em campus do IFPR (Instituto Federal do Paraná).
Só havia ensino pago
O corretor de imóveis Sérgio Galvão se formou em contabilidade em 1985, na Funesp. “Quando comecei a estudar ainda era a Facicon, depois que ocorreu a mudança. Na época, para fazer Ciências Contábeis, só existia opção em Pato Branco e Palmas.” Ele recorda que só existia ensino de terceiro grau particular. “Tínhamos que pagar a mensalidade que hoje equivaleria de R$ 700 a R$ 1.000 e ainda o transporte.” Mesmo assim a demanda ainda era muito grande, pois tinha uma média de três ônibus que saíam lotados de Francisco Beltrão, Marmeleiro e Renascença para estudar em Pato Branco. José Kresteniuk, secretário executivo da Amsop, também se formou em Ciências Contábeis em Pato Branco e logo em seguida foi formando da primeira turma de Matemática da Funesp. “Não tinha muitas opções de cursos e nós não tínhamos condições econômicas para sair e estudar em outras localidades.” Kresteniuk começou sua carreira como professor de Matemática no Colégio Estadual de Renascença. Mais tarde passou em concurso público e entrou para o cargo efetivo do Estado. “Mesmo com todas as dificuldades, aquele ensino privado inicial foi muito importante porque serviu de base para nossas vidas”, comenta.
Para ele, cada curso tem sua importância, mas o Brasil enfrenta uma carência muito grande de profissionais técnicos. “Hoje nós vemos que o Sudoeste está formando mão de obra para atender a grande demanda de profissionais da região e também do país, que são os cursos de engenharia.” O Sudoeste tem atualmente 3.342 estudantes frequentando os cursos de engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia ambiental, engenharia mecânica, engenharia florestal, engenharia de produção, engenharia da computação e engenharia química.




