A amamentação é a maior ligação que uma mãe pode ter com a sua filha. É dessa forma, direta e contundente, que Andréa Barbieri de Mello, 28 anos, mãe de primeira viagem, define sua ainda breve experiência com Sarah, de apenas 18 dias. Mesmo com todos os medos que tinha de não dar conta da tarefa, ela, desde a gestação, entendeu a importância do leite materno para o sistema imunológico do bebê, para a sua recuperação pós-parto e, sobretudo, para o fortalecimento dos laços afetivos com a primogênita.
O leite materno, por suas características imunológicas, contém componentes capazes de proteger a criança de várias doenças. “É como se a mãe fornecesse ao filho uma espécie de vacina através do seu leite, enquanto o sistema de defesa do bebê ainda está amadurecendo”, compara Aparecida Marchi, enfermeira do Instituto da Mulher de Beltrão.
Deste modo, as crianças amamentadas com leite materno têm menos probabilidade de desenvolver, entre outras patologias, infecções de ouvido, alergias, vômitos, diarreia, pneumonia, diabetes juvenil e meningite. “E já se sabe, atualmente, que o leite materno estimula o cérebro do bebê, o que resulta uma inteligência mais aguçada”, complementa a enfermeira.
Sabedora desses benefícios, Andréa teve medo de não poder amamentar ao menos pelo tempo mínimo recomendado – seis meses -, algo que já havia acontecido na família. “Minha mãe e minha irmã não amamentaram e sempre tive muito medo de também não conseguir. Eu mamei apenas até os três meses porque minha mãe não tinha leite suficiente, vinha pouquíssimo, então ela nos dava um complemento. Por isso eu tinha muito medo”, conta.
Relação entre mãe e filha
Não é só o bebê que fica mais “forte” ao sugar o peito da mãe. O aspecto afetivo é igualmente fortalecido com o aleitamento materno. “Certamente, a mãe sempre lembrará do rostinho do seu filho olhando para ela enquanto é amamentado. É uma imagem que o tempo não apaga”, diz Aparecida.
Andréa reitera e ainda vai além do que afirma a enfermeira. “Depois de escutar o choro do bebê no parto, o momento mais especial é quando o levam para o quarto e ele agarra o seio da mãe pra se alimentar. E é muito engraçado, porque eles já começam a sugar. É coisa de instinto, pois, depois de se alimentar por meses apenas pelo cordão umbilical, a primeira reação do bebê é procurar o peito. Acho que é a ligação mais linda que pode existir”, emociona-se a jovem mãe.
Há ainda, como vantagem da amamentação, a possibilidade de uma recuperação mais rápida da mãe no período pós-parto. O aleitamento acelera o retorno do útero ao tamanho original e a redução de peso da mulher. Desfavorável mesmo, só a passagem do tempo. “A coisa mais maravilhosa do mundo é quando você vê o bebê se alimentando, dependendo de ti. Hoje, eu queria parar o mundo pra ficar só com ela”, declara Andréa.
Amamentar é tudo de bom
Amamentar é tudo de bom. Sou super a favor da amamentação exclusiva ao bebê, pelo menos até os seis meses. Meu primeiro filho, o João Pedro, mamou no peito até completar um ano e dois meses. Maria Alice já superou: tem um ano e cinco meses e continua no peito. Lógico que ela já come papinhas doces e salgadas e agora, recentemente, está experimentando o leite integral na mamadeira (com Nescau). Mas ainda mama no peito e é uma bebê linda e saudável.
Lógico que não vou aqui dizer que amamentar é só flores, só coisas boas. Cansa, emagrece até demais, deixa as mães mais “presas” aos filhos, com muito pouco tempo pra outras coisas, mas é um laço único. Tem também o inconveniente na idade que minha filha se encontra, de ela exigir a hora da mamada. Se eu não dou, ela faz bico, carinha de choro e até puxa a blusa e tenta tirar o peito pra fora. Ela já entende e, sim, tem personalidade forte, sabe o que quer, sabe o que é bom.
Não sou do tipo de dar conselho, nem nada, até porque essa questão de amamentação é muito particular. Mas creio que as mamães que puderam (e quiserem) amamentar por mais tempo, devem fazê-lo. É besteira parar de dar o peito porque o leite vai ficando fraco depois que o filho completa um ano; é bobagem achar que os seios vão ficar horrendos, e mais idiota ainda é parar de amamentar porque os outros acham que já deu, que o bebê simplesmente não precisa mais ou porque é feio dar leite materno pra criança grande.
Quem deve decidir a hora de parar é a mãe, e se ela estiver se sentindo bem, que assim seja. Nada de ficar dando o peito se estiver doendo ou se a criança morder o bico. Amamentação precisa ser boa pros dois lados. Pra mim está sendo ótimo. Então, acredito que vou até o fim do ano com a minha “saga” de amamentar – pretendo tirar antes de a pequena completar dois anos. Mas, enfim, toda missão chega ao fim.
Por Cristiane Sabadin, jornalista do Jornal de Beltrão, mãe do João Pedro e da Maria Alice, que, sim, mamaram muito no peito.

“Amamentação, um ganho para a vida toda”
Entre 1º a 7 de agosto aconteceu a 22ª Semana Mundial de Aleitamento Materno. No Brasil, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, lançou, na quinta-feira, 7, a Campanha Nacional de Amamentação, que traz como tema “Amamentação. Um ganho para a vida toda”. Para ajudar as mamães, o JdeB preparou, com o auxílio da enfermeira Aparecida Marchi, do Instituto da Mulher de Francisco Beltrão, alguns tópicos que podem sanar dúvidas na hora de amamentar.
Por quanto tempo a mulher deve amamentar? A orientação do Ministério da Saúde é que haja o aleitamento exclusivo até os seis meses de idade, mas que a amamentação seja estendida até os dois anos ou mais. Amamentação exclusiva é quando o bebê mama apenas o leite da mãe, sem qualquer outro alimento, seja chá, água, outro leite, e nem mesmo o bico ou chupeta.
O uso da chupeta pode atrapalhar? Qualquer outro alimento ou mesmo a chupeta poderá interferir na quantia de leite mamado e até diminuir a quantia de leite que desce. Apesar de a chupeta ter o poder de acalmar o bebê, o seu uso poderá fazer com que ele mame menos do que o necessário, afetando a produção de leite, pois quanto mais o bebê suga, mais a mãe produz leite.
Como saber se o bebê está mamando o suficiente? Alguns sinais sugerem que o bebê está satisfeito com as mamadas: ele molha entre seis e oito fraldas por dia depois que começa a mamar regularmente; evacua de duas a cinco vezes com fezes soltas e amareladas nas seis primeiras semanas; alguns bebês processam tão bem o leite materno que evacuam pouco (se mamando exclusivamente no seio, pode ficar até uma semana sem evacuar desde que seu abdome esteja flácido quando palpado); a urina deve ser amarelo-claro, nem escura nem alaranjada; o peito da mãe deve ficar mole e “vazio” depois da mamada; geralmente dorme após as mamadas, pois sente-se relaxado; quando o bebê ainda está realmente com fome, ele suga os dedos mais avidamente e geralmente fica mais irritado com isso.
Como deve ser a alimentação das mães? De regra geral, não existe alimento proibido durante a amamentação. A alimentação da mãe que amamenta pode ser a mesma de toda a família. No entanto, caso a mãe identifique que algum alimento que comeu deixou o bebê mais agitado, é bom evitar este alimento. Por exemplo, se ingerir uma quantidade grande de cafeína e perceber alteração na criança, é bom reduzir o uso.
Lactantes podem tomar remédios ou anticoncepcional? Como em todas as situações, o correto é que, para qualquer uso de medicação, haja prescrição de um profissional de saúde habilitado. A maioria das medicações pode ser utilizada pela mãe que amamenta, desde que em doses usuais. Quanto ao anticoncepcional, o utilizado é à base de progestogênio, livre de estrogênio, para que não interfira na quantidade e qualidade do leite.

bem alimentados, os bebês geralmente dormem
após as mamadas, pois se sentem relaxados.







