Projeto teve a participação de duovizinhenses.

Em Pato Branco, foi lançado recentemente o livro “Dos Filmes que Ainda não Fizemos”, coletânea que reúne os trabalhos produzidos pelos participantes de um curso literário que abordou as técnicas e fundamentos de um roteiro para cinema. A obra conta com nove roteiros escritos ao longo do curso, realizado entre os meses de março e dezembro de 2020. A obra pode ser acessada gratuitamente através do link: https://bit.ly/livrodosfilmesqueaindanaofizemos.
A princípio, as aulas seriam ministradas entre março e abril, presencialmente, na unidade do Sesi em Pato Branco. Porém, por conta das medidas de prevenção à Covid-19, o curso foi realizado de forma remota. O projeto é uma realização de Tamara Alff Produções, por meio do Prêmio Funarte Descentrarte, concedido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), Ministério da Cidadania e Governo Federal. A iniciativa também contou com apoio do Sesi Paraná.
A primeira etapa do projeto foi dedicada ao ensino de técnicas, ao desenvolvimento de ideias e à escrita dos roteiros. As aulas foram ministradas pelo cineasta Rober Corrêa, graduado em cinema – crítica e roteiro, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo ele, a realização do projeto é um modo de estimular a produção local de obras ligadas ao formato audiovisual.
“Quando pensamos na história da cinematografia local percebemos que a produção é bastante escassa, praticamente nula. Isso ocorre, principalmente, pelo fato de que as produções ficam concentradas nos grandes centros, onde geralmente estão os meios de produção e a mão de obra técnica”, afirma o cineasta.
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“Para além de um inventário de autores e um importante registro da cena literária local, ‘Dos filmes que ainda não fizemos’ é principalmente uma boa leitura oferecida ao público”, complementa.
Já os dois últimos módulos do projeto foram conduzidos pela editora e diagramadora Carolina Secco. Além da escrita, a intenção do projeto foi permitir a confecção de um livro de forma artesanal, com o objetivo de envolver os alunos em todos os processos de produção, desde a concepção intelectual até a publicação.
A obra conta com ilustrações da artista Camila do Rosário. Ao longo do curso, os participantes contaram ainda com a consultoria dos profissionais: Flávio Voight, psicólogo que foi colaborador de Saúde Mental do portal UOL Estilo e é colunista no jornal Gazeta do Paraná; Denise Ponzoni, mestra em Educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e que foi professora titular da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) de Pato Branco; e Sharon Caleffi, mediadora de leitura voluntária no Projeto Eu Livro, voltado para crianças de bairros da periferia de Pato Branco.
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Para a produtora Tamara Alff, o projeto possibilitou que várias pessoas de diferentes perfis pudessem ter contato com as técnicas de produção de um texto para cinema, o que pode contribuir para mais produções locais. Ela avalia que a publicação dos roteiros também serviu como estímulo aos participantes, que poderão seguir produzindo novos trabalhos.
Autores
O projeto contou ainda com a participação de autores de diferentes perfis e idades, e de várias cidades do Sudoeste. Angelo Brocco da Silva é professor, natural de Pato Branco e autor do texto “A Víbora da Cantareira”, que narra a história de um policial que busca confiança em um novo relacionamento após ter sido traído. “O que mais chamou a atenção foi a descoberta de como escrever o roteiro. Não é como escrever contos, crônicas, etc. Nós tivemos que aprender a descrever cenas, a narrá-las. Com toda certeza, o processo de criação foi a melhor parte”, conta Brocco.
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A estudante Vanessa Bertoncello é natural de Dois Vizinhos, e coautora do roteiro “Na ponta dos dedos”, que aborda a relação entre duas personagens com vidas e planos diferentes, que se encontram por conta da música. O texto foi escrito em conjunto com a estudante Fabiana dos Santos Beltrame. Segundo ela, as aulas foram fundamentais para o aprender dos fundamentos de construção de um roteiro para o formato audiovisual.
“A partir delas, foi possível colocar na ponta do lápis as ideias que iam surgindo, e com o auxílio dos mentores, ir moldando essas ideias até que se tornassem um roteiro com potência literária para ser lido pelos leitores que se interessam ou não pelo gênero”, disse.






