Lixo é o grande vilão da epidemia de dengue
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| Júnior Nesi, novo chefe da Vigilância em Saúde de Francisco Beltrão. |
A população de Francisco Beltrão precisa aprender a cuidar do próprio lixo. Pois ele é o grande responsável pela epidemia de dengue que resultou em 282 casos e 939 notificações neste ano. O município é o que mais registrou vítimas do mosquito transmissor Aedes aegypti e, segundo o Departamento de Vigilância em Saúde, a maior parte por causa do lixo.
A conclusão é de estudos realizados há meses, como o Levantamento Rápido de Amostragem (Lira) que verifica a população e o subtipo do mosquito. “Nós começamos segunda-feira e queremos terminar até amanhã (hoje) pra ter uma base de como está o índice do aedes e poder determinar as novas ações, ver como iremos proceder”, diz Jussir José Nesi Júnior, novo chefe da Vigilância.
Segundo Júnior, os agentes seguem encontrando focos de dengue em lixos. “O nosso trabalho está sendo feito, mas algumas pessoas continuam relapsas. Com todos os mutirões que fizemos, a grande maioria dos criadouros continua sendo encontrada em lixos e em matérias sólidas”, conta.
Júnior lembra também que a parceria com as secretarias de Meio Ambiente e de Urbanismo, as entidades e a própria população ajudaram a baixar o índice de infestação. “Os mutirões foram importantes porque as notificações diminuíram, já teve uma queda acentuada. Mas nem por isso vamos relaxar”, afirmou.
Com a chegada do inverno, a tendência é que a preocupação diminua. “Muitas pessoas pensam que o frio mata a dengue. Isso não é verdade. O inverno só encobre a dengue, camufla. Quando entram as altas temperaturas o problema aparece de novo”, alerta Júnior.
O secretário de Meio Ambiente Vilmar Rigo lembra as medidas que foram tomadas para evitar problemas com lixo. “O suporte está sendo feito. O que está acontecendo é que infelizmente as pessoas não colaboram. Nos mutirões que fizemos, tivemos que entrar nos terrenos das pessoas, mesmo com todo este problema”, diz.
A lei 3724/2010 prevê que é obrigação do cidadão separar os materiais recicláveis. Para junho, todos os bairros estarão dentro do programa de coleta seletiva. “Só falta um bairro, mas nós queremos estruturar pra pode fazer um trabalho de fiscalização”, adianta Rigo. Veja mais detalhes no quadro Ecopontos.
Fumacê: o ciclo de cinco semanas
A aplicação do fumacê (que mata o mosquito em circulação) está entre as medidas para conter a proliferação da dengue. Durante as últimas cinco semanas, todas as ruas da cidade viram passar o barulhento carro com a UBV pesada – o fumacê. O som do equipamento se repetiu durante todo este tempo e inclusive nos fins de semana, feriados e à noite. “Faltam algumas ruas apenas, mas já dá pra dizer que este trabalho está concluído”, informa.
O fumacê não é prejudicial à saúde humana. A única recomendação é que se cubram gaiolas e protejam os animais. Ao contrário do que se imagina, quando o carro estiver passando, moradores devem abrir portas e janelas para melhorar o efeito do veneno. “Agora vamos avaliar os números, ver quanto que tem de mosquito circulando pra poder atuar nos pontos estratégicos.”
Ecopontos
Além do lixo reciclável, a população deve lembrar-se que alguns materiais precisam de destinação específica. É o caso dos aparelhos eletrônicos. Na cidade, existem seis ecopontos: eletrônicas Scoti, Tabajara e Cambuí e Cia da Informática, Bacell Tech e IGS Informática.
As lâmpadas podem ser descartadas no supermercado Ítalo. Já os pneus podem ser entregues na antiga Recapadora Marrecas, na Cango, no sábado pela manhã. O isopor pode ser depositado no lixo reciclável, mas o recomendável é que se devolva pra loja onde o produto foi adquirido.







