Merenda na escola com sabor de saúde

Merenda na escola com sabor de saúde

Foto de Thiago Chiapetti/JdeB
Ismael Savarro, 6, Isadora Werner, 7, e Maria Teordora Turozzi, 9, aprendem sobre os benefícios das frutas, legumes e vegetais ao brincar com a pirâmide dos alimentos na escola onde estudam, o Centro Educacional Beltronense.

Na gangorra com os apelos comerciais, as escolas adotam cada vez mais ações para incentivar a alimentação saudável. Por determinação do governo federal, há cinco anos não são vendidos guloseimas, frituras, doces e refrigerantes nas cantinas. Mas o risco de doenças sérias pode não ser suficiente para os pais que ainda conservam a mesa farta de gorduras, calorias e maus hábitos.

“As crianças estão comendo muita bolacha que não é rica em vitamina, embora as indústrias tenham procurando enriquecer alguns alimentos”, diz a nutricionista Priscila Zambonato, que ensina educação nutricional em três escolas particulares de Francisco Beltrão. “Para ter uma alimentação saudável é preciso ingerir frutas, verduras, cereais e carnes.”

Na rede pública, a merenda escolar é acompanhada pela nutricionista Lígia Fraga Giacobo. Ela prepara um cardápio de acordo com a necessidade da faixa-etária dos alunos. São 21 escolas e 15 creches que recebem orientações nutricionais e participam de palestras preparadas pela nutricionista.

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Entre as escolas particulares, também é feito um trabalho de conscientização semelhante. No Centro Educacional Beltronense (CEB), as crianças comem frutas e legumes diariamente. E, melhor, elas aprendem sobre as cores e os benefícios de cada alimento ao participar das atividades na horta ou na própria cozinha da escola. “Temos pais que nem acreditam que os filhos comem frutas aqui”, conta a coordenadora Fabíola Werner Megiolaro.

Foto de Thiago Chiapetti/JdeB
Bebês comem frutas todos os dias.

A pequena Isadora Werner, de 7 anos, responde rápido sobre quais os seus alimentos e frutos preferidos. “Eu gosto de comer laranja, maçã, banana; bergamota eu como todo dia. E gosto de arroz, feijão e bife, que é a minha comida preferida”, conta Isadora, que estuda no CEB desde bebê.

Maria Teodora Turozzi, 9, também mostra o que aprendeu direitinho nas aulas de nutrição. “Eu gosto de macarrão e carne. Doce não pode comer demais”, diz. “Maçã e chocolate só um pouco”, responde Ismael Savarro, de 6 anos, sobre sua fruta preferida e sobre a necessidade de evitar os doces.

Segundo Priscila, estudos científicos revelam que a variedade de alimentos logo após a fase da mamadeira pode ser decisiva para a formação dos hábitos alimentares. “Quanto maior o número de contatos que tem o paladar da criança após o desmame, maior é a gama de coisas que ela vai comer na idade adulta. Logo após o desmame é a fase de se apresentar o máximo de coisas possíveis. É uma fase que a criança não sabe dizer não”, ensina.

O papel da família

Mas a justificativa para a resistência das crianças em se alimentar direito pode estar na família. Excesso de zelo que pode colocar em risco a qualidade de vida dos pequenos. “Antigamente as mães colocavam a comida na mesa, quem estava com fome comia e quem não tinha fome não comia. Não tinha as bolachinhas, o dengo que é comum ver hoje”, lembra.

“Quando a criança não quer almoçar, as mães se preocupam e pensam que ela vai passar fome. Aí oferece um iogurte, um salgadinho, uma bolacha. Por que a criança vai querer almoçar se ganhar um monte de coisas boas?”

E a disciplina, neste caso, não deve ser negociada. “As crianças não morrem de fome. Se elas ficarem com fome e abrirem a geladeira e encontrarem pão, presunto e queijo, elas vão comer um sanduíche. Quem faz compra em casa são os pais, e não as crianças.”

Para Priscila, o principal culpado da alimentação errada são os pais. “É comum eles dizerem que não querem que a criança tome refrigerante, mas que compram para o consumo próprio. Na reeducação alimentar tem que ter um consenso da família. Não adianta o pai abrir um refrigerante e colocar um suco de laranja ao lado do filho e querer que ele beba”, analisa.

Na dúvida sobre qual atitude adotar, os pais podem driblar a atenção das crianças ao enriquecer os pratos que elas aceitam. “Por exemplo, macarrão com molho de tomate. Da pra bater brócolis, uma cenoura, uma beterraba e enriquecer esse molho. Criança que não come a fruta, mas aceita o suco. É uma forma de introduzir vitaminas. Sobremesas com frutas, uva com chocolate, morango com suspiro”, sugere.

Refrigerante

Talvez boa parte das crianças já tenha ouvido os pais contarem que na sua infância só tinham acesso aos refrigerantes apenas aos domingos. É a velha lembrança de almoços em família com os litros de vidro coroando a mesa. Mas quem se sentir culpado pela nostalgia pode acreditar que o ritmo à moda antiga também vale para o dia de hoje.

“Tem que trabalhar com o bom senso. Não pode pensar que nunca se deve oferecer refrigerante. No dia a dia da casa, estes alimentos calóricos não devem existir. No fim de semana ou em viagem, os pais podem relaxar e liberar o consumo. Mas na rotina da casa, devem voltar ao suco, à fruta, aos hábitos saudáveis”, indica Priscila.

Conforme a nutricionista, o refrigerante é riquíssimo em açúcar e, por isso, pode favorecer o ganho de peso e aparecimento de cárie. “Tem gás que causa dilatação do estômago e irritação da mucosa gástrica. Não é um alimento saudável”, conclui.

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