Ministério da Saúde discute em Beltrão avanços na odontologia
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| João Felipe Costa, chefe da assistência à saúde bucal municipal, Moacir Paludetto Júnior, do Ministério da Saúde, e a secretária Cíntia Ramos, na Redação do JdeB. |
O odontólogo Moacir Paludetto Júnior, da coordenação geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, foi recebido ontem em Francisco Beltrão pela secretária de Saúde Cíntia Ramos. Um dos motivos da visita é conferir os serviços de odontologia do município que recebeu o prêmio Paraná Sorridente, no mês passado.
Na programação da Semana da Saúde Bucal, a pasta municipal também debate sobre a implantação de um Centro de Especialidades Odontológica (CEO). O que permitirá o acesso da população ao tratamento de canal e de ortodontia, por exemplo, por meio do SUS.
Moacir parabenizou a estrutura física e de pessoal do município nas unidades de estratégia de saúde da família (ESF) onde, além do atendimento médico, também estão disponíveis os serviços básicos de odontologia — 60 profissionais, entre dentistas e auxiliares, compõem a rede.
Para Cíntia, a estruturação das oito unidades de saúde — até 2012 serão 10 — facilita a implantação de um centro de odontologia. “Hoje visualizamos que o Complexo de Saúde da Cango está estruturado e, por isso, não teríamos necessidade de investimento”, analisa.
Outro fator positivo é a amostragem epidemiológica de 2010 — com certificação do comitê de ética da Unipar – divulgada na abertura da Semana da Saúde Bucal. “Este levantamento nos ajudou a perceber que precisamos dar uma atenção especial para os casos de próteses e de tratamento de canal. Com a saúde bucal bem estruturada e as unidades edificadas, o próximo passo é a especialidade”, prevê.
No levantamento, divulgado na edição de ontem do JdeB, os dados mostram que a saúde bucal das crianças vai bem. Chama a atenção um leve aumento do índice de dentes cariados, perdidos ou obturados (CPO) entre os adolescentes. Na faixa-etária dos adultos de 35 a 44 anos o problema é maior. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza índice de 16,3 dentes CPO. A amostragem local foi de 22,5 dentes.
Na visita ao JdeB, Moacir falou sobre os desafios para se reduzir estes números e destacou a necessidade e apontou os caminhos para a criação do centro de ondontologia. Veja a seguir a entrevista.
JdeB – Como será possível a criação do centro de odontologia?
Moacir – Qualquer município pode estar implantando um Centro de Especialidade Odontológica (CEO) e um laboratório de prótese dentária. O Ministério da Saúde exige atenção básica em saúde bucal organizada.
No caso de Beltrão houve um avanço, há a equiparação entre a estratégia de saúde da família (ESF) e as equipes de saúde bucal na atenção básica. São oito equipes, além dos outros dentistas que fazem parte da rede de atenção básica possibilitando, uma vez que seria referenciada uma atenção de média complexidade necessária pro suporte à atenção em saúde bucal do município.
JdeB – O prêmio mostra que o município está no caminho?
Moacir – A premiação de Beltrão no Paraná Sorridente, neste ano, é a consagração de um trabalho que vem sendo realizado, já que a avaliação passa por alguns critérios e, dentro da faixa populacional, vem ao encontro do que já conhecíamos em Beltrão. Este é um dos motivos da minha vinda, além de conhecer e debater com os profissionais da área os futuros avanços pra saúde bucal do município.
JdeB – E sobre a amostragem municipal?
Moacir – O levantamento vai de encontro com a última pesquisa nacional de saúde bucal realizada pelo Ministério da Saúde em 2010. E o município, de acordo com as políticas públicas desenvolvidas pelo Governo Federal tem por iniciativa realizar o levantamento específico, fazendo referência à saúde bucal da população.
Isso ajuda a traçar quais serão os próximos passos para atender aqueles que ainda não tiveram acesso a saúde bucal.
JdeB – O índice entre os adolescentes chama a atenção.
Moacir – O índice de dentes cariados, perdidos ou obturados (CPO) acaba se elevando por alguns motivos. Alguns municípios focam a atenção em saúde bucal somente até a primeira idade. O segundo motivo e o principal é que a pré-adolescência e adolescência é a fase de maior rebeldia. O consumo de produtos industrializados também cresce nesta fase. Mas é um dado comum porque em Beltrão o acesso a atenção em saúde bucal tem uma cobertura alta.
JdeB – E o caso dos adultos e idosos?
Moacir – O adulto jovem e a população idosa é um reflexo da não atenção em saúde bucal ocorrida nas últimas décadas. Tanto é que nos últimos anos estamos conseguindo reverter esta situação vendo o índice epidemiológico das crianças e adolescentes, pessoas livres de cárie, que aumentaram numa proporção significativa.
Mas temos que ter atenção em saúde bucal em todas as idades. Não podemos trabalhar somente com prevenção e assistência e se esquecer daqueles que já perderam os seus dentes há décadas anteriores que são os adultos jovens e os idosos.
Um dos próximos passos que pretendemos é que Francisco Beltrão inicie o tratamento de especialidade pra implantação do CEO que possibilitará a reabilitação desta população que atualmente permanece desdentada.
JdeB – E quais são os passos pra criar o centro de odontologia?
Moacir – O passo básico é o município submeter o projeto ao Conselho Municipal de Saúde e à comissão Bipartite que é a esfera estadual. Com isso o Ministério da Saúde entende que o projeto já foi discutido no âmbito municipal e estadual, analisa o projeto e publica a portaria credenciando o CEO. Isso vai possibilitar o tratamento especializado na área de periodontia (gengiva), endodontia (canal), cirurgias menores e o diagnóstico precoce do câncer de boca.
A partir do momento que tiver o CEO será possível oferecer a ortodontia e o implante dentário pelo SUS recebendo um financiamento próprio e específico para estes procedimentos, além dos compulsórios que são especialidades mínimas a serem realizadas no CEO.





