Ministério Público pede apoio da população beltronense no combate à dengue
O Ministério Público de Francisco Beltrão que firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura reforça seu pedido de apoio a população na prevenção e combate à dengue. Apesar de todas as ações, a maior preocupação agora é em conscientizar cada morador para que as notificações e o vetor, o mosquito aedes aegypti, desapareçam definitivamente.
Em 2012, já são 1.144 casos notificados, com 509 confirmados e 440 descartados, segundo informações da secretaria. O promotor de Justiça Eduardo Monteiro, em entrevista à rádio Onda Sul, citou a redução de 60% do percentual de notificações no Paraná. E reconheceu que em Beltrão a “situação é desafiadora”.
“Quando se fala em dengue não é um episódio novo no Brasil. Tem campanhas de dengue há mais de dez anos no país. Independentemente da grande informação propagada nos meios de comunicação, mesmo assim a situação não melhora, piora. Ao invés da informação nos servir para a diminuição dos casos e evitar a sua propagação, isso não acontece”, comentou na entrevista à emissora.
De acordo com o promotor, o TAC serve para fortalecer os trabalhos. “Os problemas de Beltrão vão surgindo e vão sendo corrigidos. Neste momento temos que esclarecer que um termo de ajustamento com o município é um compromisso pactuado revendo toda a forma de funcionamento de política pública de combate e prevenção à dengue.”
Monteiro também comentou sobre a revisão das ações de combate. “O poder público com bastante humildade compreendeu a importância do tema e anuiu em corrigir as falhas existentes no setor público. A partir deste documento temos um compromisso de fazer com que esta política pública seja aplicada de forma eficiente.” E enfatizou sobre a notificação de casos: “as informações sempre estiveram à disposição. No ano passado nós não tivemos 50 casos e este ano temos mais de 400. De um ano pra outro houve um pulo extremo de notificação. Se Beltrão hoje infelizmente está liderando o número de casos absolutos é porque tem sido muito claro em notificar os casos existentes.”
Número de agentes e imóveis
Entre as falhas apontadas pelo promotor está “a falta de agentes de combate à dengue”. “E isso prejudicou o trabalho que tem que ser feito. Nós já conversamos com o poder público, agora queremos fazer este intercâmbio com a comunidade”, acrescentou.
Mas a secretária de Saúde Cíntia Ramos discorda. O município tinha 25 agentes até o início do ano, quando foi feito um novo levantamento geográfico, passou para 33 e hoje anuncia em edital que ampliou o seu quadro. “Agora tem que ser um agente para cada 800 imóveis. Então contratamos mais nove agentes (totalizando 42)”, diz.
Outra questão apresentada pela promotoria é que as visitas dos agentes de endemias ainda não atingiram os 30.320 imóveis do município. A pendência é de 43%. “Isso quer dizer que temos o índice de 43% de imóveis que não conseguiram ser vistoriados”, observa Monteiro.
Cíntia também faz observações para responsabilizar os moradores. “O ano tem 365 dias. O agente da dengue faz uma visita a cada 60 dias, são seis visitas no ano. Sobram 359 dias para a população fazer a sua parte, cuidar do quintal, ver se não tem água parada. E é importante lembrar que no inverno os cuidados precisam ser mantidos”, frisou. O promotor também chamou a responsabilidade para cada um. “De quem vai ser a responsabilidade quando morrer uma pessoa? Será que é do município? Será que é da falta de leito porque não vai ter leito pra todos se todos pegarem dengue? Ou será que também não é da população que insiste em não colaborar com o programa?”





