Mutirão contra dengue vai usar carro para aplicar fumacê na Cidade Norte
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| Médicos, farmacêuticos e enfermeiros, reunidos ontem no auditório da Cango. À direita, o infectologista Valdir Spada Júnior: “óbitos (por dengue no Brasil) podem ser evitados com medidas simples”. |
O mutirão contra a dengue na Cidade Norte, em Francisco Beltrão, vai usar carro para aplicar o fumacê a partir de hoje, é a chamada (ultrabaixo-volume) UBV pesada. A luta contra o mosquito transmissor Aedes aegypti mobilizou, ontem à tarde, profissionais da rede pública e autoridades municipais e estaduais. Eles discutiram o protocolo de atendimento a pacientes com suspeita e melhorias nas ações de combate e prevenção.
Em seu gabinete, o prefeito Wilmar Reichembach (PSDB) recebeu a 8ª Regional e as secretarias municipal e estadual (Sesa). Entre as medidas apresentadas para o combate à dengue está a contratação de oito novos agentes de endemias. Reichembach disse que vai enviar ao Legislativo, em caráter de urgência, requerimento para ampliar o número de 25 para 33 agentes.
Segundo a secretária Cíntia Ramos (Saúde), o município está empenhado para conter a epidemia que se instalou na Cidade Norte. Outra ação é a compra de dez dias das férias dos agentes da dengue. “Nós estamos trabalhando todos os dias, sábado e domingo também. Esta é uma forma de recompensá-los, já que não poderemos dar férias agora”, comenta Cíntia.
Segundo boletim divulgado às 15 horas de ontem pela Vigilância em Saúde, Beltrão possui 30 casos confirmados – 28 autóctones e dois importados. Dos 184 notificados até agora, 106 ainda aguardam resultado laboratorial.
Para o enfermeiro Fernando Pauli, da Secretaria de Saúde, este número vai aumentar nos próximos dias. “Os exames feitos pelo Lacen (Laboratório Central do Estado) demoram, mas já esperamos que, quando retornarem, teremos mais casos de dengue, principalmente na Cidade Norte”, prevê.
A prefeitura mantém o convênio com laboratório local para a realização de exames que norteiam o tratamento dos pacientes com sintomas. No entanto, valem como oficiais os resultados emitidos pelo Lacen.
Protocolo médico
Os infectologistas Valdir Spada Júnior, de Beltrão, e Enéas de Souza Filho, de Curitiba, falaram ontem aos médicos, enfermeiros e farmacêuticos da rede pública, no auditório da unidade de saúde da Cango. A ideia é padronizar as condutas de atendimento, acompanhamento e tratamento de todos os casos de dengue.
Conforme comentou o infectologista Spada Júnior, o número de mortes por dengue vem aumentando e isso naturalmente causa preocupação. “Estes óbitos podem ser evitados com medidas simples. Se estão ocorrendo é porque está havendo falha da nossa parte”, reconheceu.
Segundo o enfermeiro Fernando, a partir de agora os profissionais deverão classificar os pacientes com suspeita de dengue. “Há casos que poderão ser acompanhados com analgésico e hidratação, outros vão precisar de observação de 12 horas no pronto atendimento 24 Horas e há os que vão precisar de internamento hospitalar”, explica Fernando.
Outra novidade é que agora todas as pessoas com sintomas de dengue receberão uma carteirinha de identificação. Nela constarão informações como exames realizados, medicações ministradas e sobre sinais vitais, por exemplo. “Assim o profissional que for atender poderá priorizar o atendimento. Será a maneira do paciente se identificar num serviço de saúde.”
Beltrão tem DEN 1
O médico Spada Jr. falou ainda sobre as diferenças entre os sorotipos de dengue. “Até metade do ano passado o Brasil tinha apenas DEN 1, 2 e 3. Foi quando entrou, em Roraima, o DEN 4. O que se sabe é que o DEN 2 tem uma maior chance de evoluir para dengue hemorrágica. Mas não é regra, pois em 2008 a prevalência dos casos foi de DEN 2 e nem todos evoluíram mal.”
Conforme Spada Jr., a teoria mais aceita é que os pacientes que são vítimas de um sorotipo ganham imunidade. No entanto, se o contágio se repetir com outro tipo, a tendência é que o quadro evolua para dengue hemorrágica. “Mas são estudos, ainda não se sabe ao certo”, disse o médico.
Pneus no estádio Anilado
Ontem alguns usuários de redes sociais publicavam fotos de pneus no estádio Anilado e questionavam os riscos de proliferação do mosquito Aedes aegypti. Os pneus são do kartódromo do parque de exposições e foram retirados pela Secretaria de Urbanismo por causa da Expobel. Mesmo sendo furados, eles podem acumular água e servir de criadouro.
A Secretaria de Meio Ambiente informou que cobriu os pneus com uma lona como medida de curto prazo. Mesmo assim, nos próximos dias o Urbanismo deverá remover o material do local.





