Mutirão estadual liberou 299 cirurgias eletivas
A 8ª Regional de Saúde autorizou, no último trimestre do ano passado, 299 cirurgias eletivas — procedimentos que aguardam na fila do SUS por não serem urgentes. Mesmo assim, ainda tem gente que espera na fila. Em Francisco Beltrão, por exemplo, faltam médicos para atender os casos de ortopedia.
Segundo Oriana Soransso, da 8ª Regional, foram realizadas 299 cirurgias eletivas entre outubro e dezembro do ano passado — 37 de cataratas, 33 de otorrino, vascular, urologia, ortopedia e oftalmologia — e outras 229 gerais.
As cirurgias de média complexidade foram feitas no Hospital Nossa Senhora do Rocio, de Campo Largo. São os procedimentos de ortopedia, ginecologia, vascular e vasectomia. “O encaminhamento ao hospital é feito pelas secretarias municipais”, informa Oriana.
“A campanha de cirurgias eletivas é só para média complexidade. O hospital de Campo Largo oferta algumas especialidades não contempladas na abrangência da 8ª Regional de Saúde”, justifica Oriana sobre o motivo pelo qual os pacientes são encaminhados para outra região.
Dos R$ 4,8 milhões investidos no mutirão de cirurgias eletivas no Paraná, quase R$ 79 mil foram destinados para Francisco Beltrão. Até o final do ano passado, foram 77 cirurgias de vesícula e de hérnia. Uma verba de R$ 22 mil está disponível para procedimentos de ortopedia, mas não há médicos suficientes na rede.
A secretária de Saúde Cíntia Ramos lembra que o município é “o único a fazer cirurgias de cataratas com recursos próprios” — já são 144 pacientes atendidos. Ela reconhece também as parcerias com os hospitais Regional e São Francisco, que têm atendido à demanda na medida do possível.
A Secretaria de Saúde de Dois Vizinhos não soube informar quantas cirurgias eletivas foram realizadas nos últimos três meses. O secretário Carlinhos Turatto disse apenas que não há fila de espera e que eram feitos de “três a quatro procedimentos por semana”.
Na fila durante oito meses
O jovem J.L.S. precisa de uma cirurgia de alta complexidade para retirar os pinos do fêmur. Ele entrou na fila de espera do Hospital Regional há oito meses, no entanto, ainda não existe perspectiva para fazer o procedimento. “Agora conversei com a Secretaria de Saúde para tentar a cirurgia em Campo Largo”, afirma.
Ele comenta que a dor causada pelos pinos está ficando insuportável. “Diariamente, tenho que tomar relaxantes musculares para conseguir suportar. Eu precisava ficar quatro anos com os pinos, quando deu o prazo já fui procurar o regional, mas até agora nada”, lamenta. Ele espera fazer a cirurgia ainda em 2012.
Fila de espera já reúne 1.400 pacientes
Por Luana Borba
Realizado em outubro de 2011, um levantamento feito pela 7ª Regional de Saúde mostrou que mais de 1.400 pacientes pertencentes aos 15 municípios atendidos pela regional de Pato Branco aguardavam por cirurgias eletivas das mais diversas especialidades.
Com base na Portaria 2.318 de 30 de setembro de 2011, da Secretaria de Estado da Saúde, que pretende reduzir a demanda reprimida por cirurgias no Estado, os mutirões de cirurgias tiveram início na microrregião em novembro e, segundo a coordenadora da sessão de regulação, controle, avaliação e auditoria da regional, Suzana De Ross, até o final de dezembro foram realizadas 281 cirurgias. O mutirão contempla 88 procedimentos cirúrgicos de média complexidade, como cirurgias de varizes, hérnia, adenoide, catarata e cirurgias ortopédicas de joelho e quadril, entre outros procedimentos previstos na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
Suzana relata que grande parte dos procedimentos realizados até o momento ocorre no Hospital APSaúde, de Chopinzinho, que tem atendido às demandas das cidades de São João, Saudade do Iguaçu, Sulina, Mariópolis, Itapejara D’Oeste e Honório Serpa. Os procedimentos também estão ocorrendo em hospitais de Mangueirinha, Coronel Vivida, Pato Branco e Clevelândia. “O Hospital São Sebastião, de Clevelândia, tem sido referência para todas as cirurgias de varizes da região”, ressalta a coordenadora.
Com o fim do período de férias dos profissionais de saúde, a expectativa da 7ª RS é que a partir de fevereiro o número de procedimentos aumente consideravelmente. “O agendamento já começou e as cirurgias de catarata, por exemplo, ocorrerão em um mutirão no qual cerca de 40 pacientes serão atendidos em um único dia”, pontua Suzana.






