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ela e a Maria do ataque da onça parda.
Hoje vamos contar a história acontecida com a dona Alzira Ribeiro Chiapetti. Ela mora há 16 anos na comunidade do Menino Jesus, interior de Francisco Beltrão, com o esposo, Diocédio. Foi no fim de abril. Era uma quarta-feira e chovia forte. Por volta das 15h, Alzira foi até a casa da vizinha Nice, que tinha uma consulta médica e pediu pra Alzira cuidar de sua filha, a Maria, de 7 anos. Às 16h, Alzira retornava para a sua casa junto com a Maria. As duas vinham de mãos dadas embaixo do guarda-chuva pois, naquele momento, garoava. Junto, também estava um cachorro de médio porte, da Alzira, que atende pelo nome de Alegria. Faltava em torno de 100 metros para chegarem em casa.
Quando Alegria deu duas latidas, se arrepiou todo e saiu em disparada no rumo de casa. Foi muito rápido. Quando elas perceberam, se depararam com uma onça. O animal surgiu do mato e pulou na estrada para pegar o cachorro, que já estava longe. Daí a onça se virou e veio na direção de Alzira e Maria, caminhava baixinho como se estivesse caçando.
Alzira ficou apavorada, a primeira coisa que fez foi proteger Maria, se colocando na frente dela. Foram segundos de muita tensão. Faltava mais ou menos meio metro pra onça chegar nelas, Alzira não sabe como fez, mas gritou o mais alto que pôde: “Sai bicho!”, e partiu pra cima do felino com seu guarda-chuva aberto. A onça se assustou e pulou estrada abaixo. E ficou parada, olhando pras duas. Alzira percebeu que a intenção da onça era investir contra elas, num segundo ataque.
Então Alzira deu mais alguns gritos com a onça, que se afastou um pouco mais. E então elas saíram correndo pra casa. De longe, avistaram o cachorro Alegria escondido no porão da casa. Então, Diocédio pegou seu facão e saiu rapidamente procurando a onça. Chegando no local, ele não viu mais nada. Diocédio encontrou somente suas pegadas no barro da estrada. Alzira diz que pra onça agir dessa forma ela só poderia estar com muita fome ou tinha filhotes pra alimentar. Sua cor era bem avermelhada, um animal comprido e fino, que pesava em torno de uns 60 quilos e seu rabo era comprido.
Alzira diz que jamais vai esquecer aquela onça, daqueles olhos amarelados e as presas enormes vindo em sua direção. Até hoje, quando lembra, é de se arrepiar. Nesse dia, depois que o susto passou, ela só pensava em vender o sítio e ir morar na cidade. Faz um mês, mais ou menos, que Diocédio viu a onça novamente, quando o animal pegou uma de suas galinhas caipiras e fugiu pro mato.
Alzira diz que ela é rápida igual um foguetão, dificilmente os animais conseguem escapar dos seus ataques. Essa onça, que circula na comunidade do Menino Jesus, já comeu mais de 100 galinhas — deles e dos vizinhos.
Alzira agradece a Deus por nada ter acontecido pra ela e pra Maria e diz que tem muito medo e pretende nunca mais passar por uma situação dessa.
Há quatro anos um homem da comunidade vizinha, Volta Grande do Marrecas, foi atacado por uma onça. Naquele ataque o seu guarda-chuva ficou totalmente destruído.







