Fundador e ex-presidente da equipe anilada, seu Osmar torce pela volta do time beltronense à primeira divisão do futebol profissional, como aconteceu em 1980.

Emérito de Francisco Beltrão, em novembro de 2014.
Falar de seu Osmar Brito nunca é demais. Por tudo o que ele fez, não somente pelo futebol beltronense, mas também por várias entidades que participou, sua vida ativa na sociedade. Ele já foi vice-presidente da Acefb, presidente de Rotary, vereador, entre outras atividades. Nascido em 26 de dezembro de 1930, Osmar Brito tem, portanto, 85 anos. Natural de Joaçaba (SC), veio morar em Francisco Beltrão em 20 de janeiro de 1950. Na verdade, naquela época se chamava Vila Marrecas, pois o distrito ainda pertencia a Clevelândia.
“Eu tinha um caminhão Dodge 1946 e trazia mudanças para cá. Gostei daqui e vim morar. Mas mesmo instalado em Francisco Beltrão, continuei trazendo mudança por um bom tempo”, lembra-se Osmar Brito, que é um dos pioneiros do município.
Depois de um tempo, ele criou sua primeira “firma”, a Osmar Brito e Cia. Ltda. Teve empresas de vários setores, como secos e molhados, cerealista, atacado e varejo, armazém, posto de combustível, entre outras atividades bastante lucrativas. “Na época, eu tinha muito dinheiro. Poderia construir um prédio sozinho. Mas coloquei muito do meu bolso nas contas do União. Era uma paixão muito grande. Não sabia, na época, que hoje poderia me fazer falta. Mas não me arrependo de nada que fiz. Talvez o futebol não tivesse essa força que temos hoje”, comenta Osmar, que em 2 de maio de 1990 ganhou o título de Benemérito do Futebol Paranaense, a mais alta honraria da federação. “Aqui do Sudoeste, acho que ninguém tem isso. No Oeste, quem sabe. Senão é só gente de Curitiba ou Norte do Paraná. Com esse título, eu posso entrar de graça em qualquer jogo do futebol paranaense. Só dei um carteiraço uma vez, em Pato Branco.” Em novembro de 2014, Osmar Brito recebeu na Câmara de Vereadores o título de Vulto Emérito de Francisco Beltrão, nada mais justo.
Osmar Brito foi fundador do Clube Esportivo União (CEU) e presidente por cerca de 30 anos. Nesta semana, ele foi entrevistado pelo JdeB para contar um pouco de sua história de ligação com o clube.
JdeB – Como foi o começo do União?
Osmar Brito – Não tinha nada de futebol aqui, não tinha Vazeano e nem Liga. Simplesmente uns cidadãos que vieram do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e resolveram fundar um time de futebol, porque já jogavam de onde vieram, como o Safira de Caçador, eu e o Guiomar Lopes de Joaçaba, Trentim de Erechim, os Fuga de Santa Helena, que criamos o União.
E vocês jogavam alguma competição?
No começo, a gente jogava com o quartel do Exército, com o Inter e o Palmeiras de Pato Branco, em Clevelândia, era só amistoso. Aí Pato Branco criou a Lesp e nos convidaram. Era tudo legalizado e teve competição por muitos anos. Depois nós achamos que Francisco Beltrão tinha potencial para criar uma liga, então fundamos a Lerb. Aí o União venceu a liga e foi muito bem na Taça Paraná, ficando em segundo lugar no Estado. Então nos empolgamos e entramos na segunda divisão e chegamos até a primeira divisão. Aí chegou um certo ano em que eu cansei. Naquele tempo, a torcida era muito pequena, se comparada a hoje. Tinha poucas empresas também, e as despesas eram grandes. Entreguei o cargo ainda na segunda divisão e, depois de algumas diretorias, acabaram com o futebol do União.
E o que você achou dessa parada do União no futebol?
Eu não gostei quando parou. Quando a nova diretoria assumiu, disse que ia tocar muito melhor do que eu. Mas o que aconteceu não foi positivo. Fiquei mais de 30 anos como presidente do União. Quando eu assumi, não era nem varzeano o time. Depois passamos para amador e profissional. Nesses 30 anos, teve um intervalo em que o doutor Deni Schwartz assumiu também. Eu entreguei pro Getúlio Dall Castel.
E quando faltava dinheiro para a folha de pagamento, como vocês faziam?
Dinheiro na folha de pagamento nunca faltou, porque eu colocava dinheiro do meu. De vez em quando eu fazia uma promoção grande pra tirar as despesas. Fizemos sorteio de cinco ou seis carros de uma vez só. Naquele tempo não era tão proibido fazer isso. Trouxemos grandes times, Grêmio e Inter vieram duas vezes. Chegamos a colocar dez mil pessoas no Estádio Anilado. Quando veio o Grêmio, o técnico era Telê Santana.
Como foi o contato com esses times do Porto Alegre?
Eu tinha um parente que trabalhava em Porto Alegre. Naquele tempo não tinha transporte fácil. Mas nós fretamos dois aviões para o Grêmio vir até aqui.
E quando o time vinha de ônibus, não tinha problemas com a estrada?
A estrada era uma dificuldade muito séria. No tempo de amador, tinha um jogo da liga em Clevelândia. Nós saímos daqui às 9 horas da manhã pra chegar às 15 horas. Fomos com um ônibus da Cattani, com os pneus acorrentados, e os jogadores tinham que descer pra ajudar a empurrar o ônibus. Chegamos em Pato Branco à uma hora da tarde, fizemos um lanche e nos limpamos do barro. Saímos com pressa pra chegar em Clevelândia. Chegamos lá e já estava todo mundo preparado pro jogo. Utilizamos os 15 minutos do regulamento e não levamos WxO, conseguimos jogar. Eu só não me lembro o resultado.
Qual foi a maior conqusita do União, em sua opinião?
Foi quando nós ganhamos do Cascavel, aqui, o título da segunda divisão, em 1979. Depois tivemos muitas partidas importantes, como ganhar do Atlético em Curitiba. Do Coritiba nós nunca ganhamos, mas também nunca perdemos.
Vocês compravam os passes dos jogadores?
Bem no fim é que a gente andou comprando passes de jogadores, mas não deu resultado para nenhum dos lados. Quando o time caiu, o atleta se desvalorizou.
E que jogador você gostava de ver em campo?
Tinha Lalo, goleiro Paulinho, zagueiro Lauro, Chico Pneus, o Jovino, Sérgio Ronaldo, Juquinha, além dos que vieram de fora, que eu já não lembro o nome.
Como vocês obtinham informações para buscar os jogadores de fora?
Informação a gente conseguia com jornalistas de outras cidades. A gente entrava em contato por telefone. Fizemos até muitas amizades por aí. Falávamos com diretores até no interior de São Paulo. Aí já ia certo nos jogadores.
E o que o senhor achou da volta do União?
Se tem algo que vai dar errado agora, eu também tenho culpa. Participei da decisão de entregar essa nova diretoria. Eu queria que entrassem na segunda divisão, mas me disseram que era melhor começar com a base. Hoje estou convicto de que eles estavam certos, pois a base dá sustentação para o profissional. Acredito que, dentro de pouco tempo, o União vai estar na primeira divisão. Se nós chegamos sem estradas, sem empresas, pouca renda, agora tem muito mais condições. O futebol de salão está aí para dizer que isso é possível.

Fotos: Arquivo JdeB






