Aumento deve tornar o botijão de gás R$10 mais caro, chegando a cerca de R$60 por unidade.

No fim da tarde de segunda-feira, 31, as empresas distribuidoras de gás de cozinha receberam um aviso inesperado. A Petrobrás anunciou um aumento de 15% no preço do gás. Um aumento relâmpago, que já começou a valer ontem, dia 1º, e veio somar com o acréscimo de quase 10% apresentado pelas companhias de gás.
Com esses dois aumentos quase simultâneos, o valor do botijão de gás subiu cerca de R$10 no dia de ontem, atingindo diretamente o bolso do consumidor, que já sofre com aumentos nos juros, no combustível, nos impostos, na energia elétrica – em suma, em praticamente todas as áreas financeiras possíveis.
“Tenho dó do consumidor final, que é quem vai ser prejudicado”, comenta Ivone Stella, da distribuidora Stella Gás, de Francisco Beltrão. Segundo ela, esse aumento é só mais um dos golpes que o consumidor tem sofrido nos últimos meses. “Parece que o governo não faz ideia do que está fazendo. Olha como subiu tudo! Já está uma inflação danada, mas agora exagerou. É um baque muito grande.”
E um baque que se fez ainda maior porque o aumento foi repentino. Fernando Alberton, da Comércio de Gás Alberton, de Dois Vizinhos, disse que já via algo assim se aproximando. “A gente até avisou que algum aumento chegaria logo, mas ninguém esperava que aumentasse tanto e tão de repente!”. Ele acrescenta ainda que a empresa só ficou sabendo do aumento às 17 horas da segunda-feira, e ontem já teve que repassar o aumento.
“Estamos todos meio perdidos”
Para piorar a situação, as distribuidoras não receberam informações diretas do porque desse aumento. Fernando conta que as companhias até se explicaram, dizendo que o acréscimo foi causado por causa dos custos para manutenção das refinarias e da distribuição, que também subiram. Mas fora isso, no que diz respeito ao aumento da Petrobrás, Claudimar Damiani, da Damiani Comércio de Bebidas e Gás, de Francisco Beltrão, afirma: “Estamos todos meio perdidos, ninguém passa nenhuma informação direito pra gente”.
Segundo ele, o mercado não vai sofrer muito, já que “o gás é algo que as pessoas precisam”, mas que o aumento vai ser uma “pancada” para os consumidores.
Em nota, a Associação Brasileira dos Revendedores de Gás Liquefeito de Petróleo (ASMIRG-BR) destacou: “Essa triste realidade retrata um Brasil onde nossos consumidores, em especial de baixa renda, são tratados com a indiferença do Estado Brasileiro”. A associação ainda acrescenta que não aceitará empresas que tenham o propósito de agir de forma criminosa, formando um cartel no setor.






