Irmãos Pedro e Armindo Francio permanecem cultivando uva e tomate, mas encontram dificuldades para contratar trabalhadores.

A produção de uvas, sucos e vinhos foi excelente na safra deste ano. Para os tomates, a expectativa é que a colheita também seja boa. O que está difícil de conseguir em quantidade e qualidade são trabalhadores para enfrentar a lida na propriedade dos irmãos Armindo e Pedro Francio, em Vista Alegre, Eneas Marques.
A seca no segundo semestre de 2020 foi propícia para que as uvas atingissem de 16 a 18 graus glucométricos (teor de açúcar), o que é considerado muito bom para produzir vinhos e sucos. “Foi um ano bom, teve um ano seco, enxuto e nós tivemos a produção de uva de uma qualidade boa, a demanda no mercado aí foi boa, apesar dessa pandemia. Esse ano foi um dos melhores dos últimos 20 anos”, diz Pedro Francio.
Armindo está aguardando o desenvolvimento de sua plantação de tomate, mas, depois de quase 40 anos trabalhando com essa cultura, está prestes a encerrar a plantação devido à falta de mão de obra. “Ou você acompanha passo a passo o funcionário todo dia, toda hora, ou não planta. É uma lavoura cara, desde a muda. Eu estou com 12 funcionários no tomate, é bastante gente que tem que manter e é direto, não pode faltar, daqui 50 dias estou colhendo, o forte da colheita vai ser na Páscoa”, projeta Armindo.
Ele conta que, na propriedade, a área embaixo dos parreirais é aproveitada para a plantação dos tomates nesta época. No entanto, o manejo exige serviço profissional. “Nós não temos mão de obra especializada em nada de hortifrúti, nem na uva, nem no tomate, em nada, se a gente quiser, a gente precisa ir ensinando tudo como tem que fazer, a gente reaproveita alguns funcionários que vêm um ano com a gente, mas a maioria vem e não volta mais. Nós temos essa dificuldade e corremos o risco de ter que ensinar todos os anos e acompanhar, desde a poda verde, desde a poda normal, limpeza no pomar, adubar, tudo, não temos mão de obra especializada que venha aqui e conheça essa área”, lamenta Armindo.
Aprenderam fazendo
Os irmãos comentam que muito do que aprenderam, e hoje repassam aos trabalhadores, veio das assistências da Secretaria de Agricultura e da Emater e, claro, do pai, Vitale Francio (em memória). “O nosso pai, na primeira exposição de feijão que teve em Beltrão, plantou um pé de uva dentro de uma caixa grande e mostrou como se produzia uva, levou com os cachos, o pé carregado, então foi nosso pai que incentivou e por isso hoje estamos na uva.”
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A diversificação da propriedade vem do tempo de seu Vitale. Laranja, melão, melancia, tudo passou a ser produzido pela família, que hoje faz negócios em toda a região e em outros estados. “Como a gente já tem uma certa idade, está num ponto que, assim, eu vou cuidar da uva só, já estão contados os dias do tomate, porque é uma imensidão de gente, um trabalho ferrado, não tem folga, não tem férias, é caro e é desgastante. Um ano tu sai bem e no outro tu come tudo que fez, isso quando não tira do bolso. Os filhos já estão colocados praticamente e a gente está segurando as pontas, nenhum quer seguir a carreira, então vamos dar uma controlada, ficar só na uva e vinho”, planeja Armindo.
Suco fortaleceu a propriedade
Sempre com a intenção de diversificar a produção e a renda, os Francio passaram a fazer suco de uva. Numa parceria com cooperativas, o suco é vendido ao Estado, que destina para a merenda escolar. “Antes era só vinho, mas, na nossa região, o pessoal tem costume de tomar no inverno, então, quando vieram as fábricas de suco foi um alívio muito grande, mesmo que nós não venda as uvas no mercado, temos como vender para fazer suco e vinho, a Niágara rosa, branca e bordô e outras uvas faz aproveitamento 100%. Hoje nós temos registro e nota eletrônica, hoje está bom de trabalhar com uva, tem mercado”, compara Armindo.

Venda de maravalha não parou na pandemia
Outro ramo da propriedade dos Francio é a produção e comércio de maravalha. E, ao contrário de muitas atividades, essa não sentiu os impactos da pandemia. “A gente gosta de diversificar na propriedade e, graças a Deus, estamos com uma empresa de maravalha. Entregamos para BRF, Coasul, região toda, fizemos parceria com as empresas e peguei um sócio também. É uma das coisas que alavancou, a quantidade é grande e é mais um meio que achamos para lucrar. Com a maravalha não tivemos problemas na pandemia e temos parcerias bem legais com grandes empresas”, conta Armindo.
Mas nesta atividade também já teve mudança e modernização: “Embalamos e entregamos. Antigamente, a gente vendia tudo a granel, hoje vendemos embalada, ficou melhor para o produtor, para o motorista. E agora estamos investindo em piso móvel, o motorista vem aqui, bate o botão, descarrega o caminhão sozinho, então ficou bom para o motorista”.






