Professora de ginástica cria academia só para mulheres
| Foto de Thiago Chiapetti/JdeB |
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| Sediana Maffisoni, educadora física, garante total privacidade às alunas. |
Faz tempo que as mulheres buscam igualdade no mercado de trabalho, nos afazeres de casa, no cuidado com os filhos. Na corrida pelos direitos iguais entre eles e elas, já está difícil dizer qual espaço é de quem. O salão de beleza deixou de ser um lugar só delas; as mãos delicadas deixaram de se importar com o peso da bomba de combustível; e eles também não se preocupam quando o assunto é, por exemplo, depilação.
Mesmo com as diferenças, homens e mulheres avançam cada vez mais na conquista por seus espaços. Mas entrar no banheiro feminino de barba, não dá. Sem barba, também não. É que, apesar das conquistas da revolução feminista, é de se esperar que as mulheres carreguem o desejo de compartilhar as dicas que amenizam a TPM (tensão pré-menstrual) ou os desafios de voltar ao peso ideal depois da gravidez. Coisas de mulher. Sensibilidade que não é da natureza masculina. E que fica direcionada ao momento em que se encontram só elas.
A maquiadora Vânia Ristoff, de Francisco Beltrão, não esconde que fazer ginástica junto com homens é constrangedor. Por isso, ela faz parte de um grupo de mulheres atendidas pela professora Sediana Maffisoni, na academia Hiperativa. “Me sinto mais à vontade quando só tem mulheres, a gente fica mais tranquila”, conta Vânia, que faz ginástica há quase quatro anos.
No início, a maquiadora procurou um programa de exercícios físicos com o propósito de emagrecer e condicionar a musculatura. Com o tempo, descobriu que conquistou mais que a satisfação com o seu próprio corpo. “Tem o grupo de amigas que se forma que é ótimo.”
A auxiliar administrativo Daiana Chiapetti também reforça a segmentação das aulas. “Um dos pontos positivos da academia é o fato de ter só mulher. Diferente de outros locais onde, muitas vezes, nos sentiríamos constrangidas durante os exercícios”, analisa. Outro ponto defendido é o dinamismo das aulas de ginástica. “O que eu mais gosto é que não é repetitivo. Diferente de musculação, por exemplo, onde em dois ou três meses a gente perde a vontade.”
Mas os elogios não se limitam aos benefícios adquiridos pelo corpo. “A professora é muito atenciosa, está sempre atenta aos nossos movimentos, se estamos fazendo errado. E as aulas ficam divertidas porque a Sediana é uma figura. E onde só tem mulher, já imagina, né”, brinca a estudante.
Iniciativa
A proposta de oferecer um ambiente só para mulheres é de Sediana, graduada em Educação Física. A primeira experiência surgiu em 2007, em Dois Vizinhos, e foi trazida para Beltrão pela própria autora da proposta. “Eu viajava todos os dias, mas meu marido pediu para que eu também trabalhasse aqui. Algumas mulheres começaram a pedir dizendo que queriam que eu abrisse uma sala e que elas fariam aula comigo. Outras têm parentes em Dois Vizinhos e souberam desse meu trabalho”, conta.
O motivo para um espaço reservado só a elas é justamente a privacidade. Sem a circulação de homens, as mulheres compartilham que sentem mais tranquilidade durante a aula. Somado à naturalidade para desenvolver o programa de exercícios físicos, amplia-se também a liberdade para um bate-papo descontraído — o que talvez seja um dos maiores atrativos do sexo feminino.
“Elas queriam um lugar diferente, que não tivesse circulação de homens. Pra se sentirem tranquilas durante a aula. Como é uma aula de ginástica, a gente faz movimentos e posturas que ficam desagradáveis se tiver homens por perto. Todas as mulheres do grupo que eu atendo gostam e se sentem reservadas por serem só elas.”
Resultados
E a professora Sediana diz que os resultados surgem já nas primeiras aulas. “Elas ficam mais descontraídas. Têm as mais tímidas, as mais extrovertidas. Tudo isso faz a diferença quando é só mulher. Elas têm mais liberdade para brincadeiras, não têm maldade. Tem uma descontração maior do que se fosse num ambiente com homens.”
A iniciativa de desenvolver um trabalho diferenciado não foi suficiente. Sediana conta que a segunda maior preocupação é satisfazer as expectativas das alunas. “Eu criei este estilo de trabalho diferente de outros que eu já vi. É um estilo que dá um resultado melhor para o grupo feminino, para quem já é mãe, para aquela que pretende ser mãe, pra quem fez uma cirurgia plástica. Por isso, planejo todos os dias as aulas.”
E a liberdade para faltar e repor aulas é outro fator de sucesso da academia de Sediana. “Elas vêm conforme os seus horários. Prefiro que elas façam uma aula a mais do que a menos. O resultado pra elas é resultado pra mim”, lembra. “Tenho alunas de 13 a 75 anos que fazem aula comigo.”
Dois Vizinhos e Verê
Mas para quem não mora em Beltrão, a dica da professora Sediana é para as moradoras de mais duas cidades. A primeira é Dois Vizinhos, onde existe uma segunda iniciativa semelhante. “Tive colegas que vieram conhecer, foram minhas alunas e que hoje têm academia em Dois Vizinhos e em Verê neste mesmo estilo.”








