Região terá seis leitos para transtornos mentais
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| Dr. Badwan Jaber, diretor do Hospital Regional: reformas e adequações para oferecer internamento à pacientes com problemas mentais ou com dependência química. |
O Hospital Regional do Sudoeste se credenciou no Ministério da Saúde conforme previsto na portaria 148/2012, sobre atenção a pessoas com transtorno mental ou com dependência devido ao uso de álcool, crack e outras drogas. Apesar das reformas e adequações estruturais, o serviço só deverá ser oferecido a partir do segundo semestre deste ano, pois a preocupação agora é com a contratação de psiquiatra e com a qualidade do atendimento.
Segundo o diretor do HR, o médico Badwan Jaber, a proposta é disponibilizar seis leitos, com possibilidade de ampliação para dez. “Nós já estamos atendendo alguns casos pontuais, até para ir treinando a equipe. Mas estamos esperando para abrir o serviço com a presença de um especialista”, adianta. A contratação de psiquiatra, no entanto, é uma das dificuldades. “Já foram feitos dois chamamentos e até agora não conseguimos.”
É importante frisar que o serviço será destinado ao atendimento de casos emergenciais. “Estes pacientes precisam passar pelo Caps e casas de apoio. O hospital é o último degrau e visa tirar o paciente do surto. O ideal é que ele seja acompanhado e isso é atribuição do Caps”, explica. “Mas a rede estadual está pensando em fazer com que um hospital seja referência no Estado, para os internamentos mais longos.”
Por enquanto, o HR passa por reformas, como a colocação de grades nas janelas. “O mobiliário precisa ser diferente. E nós precisamos isolar uma área do hospital, porque quando ele foi construído, não foi previsto o atendimento psiquiátrico. E este isolamento é feito para a segurança dos profissionais e dos próprios pacientes”, observa Badwan.
1 leito/23 mil habitantes
A portaria prevê um leito para cada 23 mil habitantes, desde que não se exceda 15% do número total de leitos do hospital credenciado. Num rápido raciocínio, a microrregião de Beltrão, com 300 mil pessoas, demandaria 13 leitos.
A solução, segundo Joceli Vagliatti, da 8ª Regional de Saúde e da Câmara Técnica em Saúde Mental, é descentralizar o serviço. “Podemos ter o Hospital Regional com seis leitos e mais dois ou três leitos em Dois Vizinhos ou Capanema”, exemplifica.
Dia de Luta Antimanicomial
Os leitos psiquiátricos do HR podem ser um motivo de comemoração para hoje, Dia de Luta Antimanicomial. Mas o progresso esbarra em dificuldades como o preconceito, a desinformação e os investimentos que ainda são baixos nesta área. No entanto, a reforma psiquiátrica, na década de 80, que acabou com os manicômios, já apontava para uma nova forma de tratar estes pacientes. O psiquiatra Ricardo Zimmer, de Pato Branco, não vê muito o que comemorar hoje. “Em termos públicos, não vejo nada. Pacientes desassistidos e baixa remuneração dos profissionais”, analisa. “Falta gente qualificada, o público acha que quem se trata com psiquiatra ou psicólogo é louco”, acrescenta.
E nem as políticas públicas anunciadas pelo Governo Federal para o combate de dependência química são suficientes, na opinião do dr. Ricardo. “Mesmo assim, é muito deficiente e atrasada. A epidemia de crack já havia sido prevista nos anos 90”, lembra. “O que vai mudar radicalmente isso é só a educação.”
Comissão de Saúde Mental
Em Francisco Beltrão, no ano passado surgiu a Comissão Municipal de Saúde Mental, que reúne profissionais da educação, assistência social, justiça e gestão. A iniciativa também oportuniza a troca de informações entre entidades e secretarias municipais.
“Estamos nos reunindo mensalmente no auditório do posto da Cango, estudando novas portarias e as primeiras ações são planejamentos de capacitação para as unidades básicas de saúde. E capacitação para comunidade escolar, no sentido de prevenção e promoção”, conta a psicóloga Cláudia Antonielli, que integra a comissão.
Projeto incentiva combate ao crack
A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) criou um projeto que incentiva o combate da dependência química. “Craque que é craque, não usa crack” nasceu em 2011 depois que um levantamento do IBGE revelou que o país tem nada menos que 1,2 milhão de usuários de crack. Entre as razões para que adolescentes iniciem no mundo das drogas estão emoções e sentimentos associados a problemas como depressão, culpa, ansiedade excessiva, necessidade de emoções fortes e baixa auto-estima. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também apresentou dados alarmantes. Nos primeiros cinco anos de uso da droga, pelo menos um terço dos usuários de crack morre. E mais: 90% dos meninos de rua são dependentes químicos.





