PEC autorizou novo modal de transporte no Estado do Paraná.

O Oeste do Paraná e o Oeste de Santa Catarina poderão ser conectados por uma estrada de ferro nos próximos anos. O Ministério da Infraestrutura confirmou que a Ferroeste solicitou autorização federal para construir uma nova linha férrea de 286 quilômetros, que ligaria Cascavel a Chapecó (SC). Existe também a possibilidade da construção de um trecho da ferrovia, de Cascavel a Foz do Iguaçu. O atual traçado da Ferroeste inicia em Guarapuava e se estende até Cascavel. Atualmente, ao longo de seu trajeto, a estrada de ferro contempla os municípios de Candói, Goioxim, Cantagalo, Marquinho, Laranjeiras do Sul, Nova Laranjeiras, Guaraniaçu, Ibema e Campo Bonito, ao todo 11 municípios paranaenses.
Investimento é alto
O investimento previsto para a construção dos 286 quilômetros é de R$ 6 bilhões, totalmente da iniciativa privada para a construção do novo braço da estrada de ferro, que atende a uma reivindicação antiga de suinocultores e avicultores do Oeste catarinense, já que dependem do transporte do milho do Mato Grosso do Sul para compor a ração animal. Esse transporte hoje é feito por rodovia que tem um custo cerca de 30% superior em comparação com o transporte ferroviário. Os suinocultores e avicultores do Sudoeste também seriam beneficiados pelo novo trecho da ferrovia.
Sudoeste do Paraná
A ferrovia deve cortar a região Sudoeste do Paraná, o que também, automaticamente, traria benefícios para a economia, sobretudo para o agronegócio regional. De acordo com o presidente da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop), Nilson Feversani (PSDB), prefeito de Bom Sucesso do Sul, nos próximos dias deve acontecer uma reunião de empresários e lideranças políticas com a Invest Paraná, autarquia do governo do Estado, que atua como ponte entre projetos que envolvem a iniciativa pública e a iniciativa privada. “É de suma importância, porque vem agregar muito para o Sudoeste, porém o valor é muito alto. Todo mundo tem essa vontade, de fazer a parceria e trazer um braço da Ferroeste. Vamos conversar muito sobre esse assunto porque é muito importante para o Sudoeste.”
Mais competitividade
Para Davi Nesi, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Francisco Beltrão, é muito importante que a região conte com as ferrovias, porque esse tipo de modal de transporte sempre traz investimentos. “Um exemplo é a Alemanha, que tem aproximadamente o tamanho do território do Estado do Paraná e tem cinco vezes mais ferrovias que o Brasil.”
A inclusão do trajeto no Sudoeste, segundo Feversani, seria importante para que a região não perdesse em competitividade. “Sempre que o mercado exterior for mais atraente, os produtores devem enviar diretamente ao porto de Paranaguá.”
Incremento na economia
O deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), avalia que esse braço da rodovia, que deve cruzar o Sudoeste, é um incremento a mais na economia regional e vai propiciar o encurtamento não só das distâncias, mas também dos custos. “É com certeza um marco para o nosso Sudoeste, para a sua infraestrutura, uma região essencialmente agrícola. Uma ferrovia dá a possibilidade da consolidação da nossa economia regional.”
Processo licitatório
Porém, para que a construção desse ramal seja possível, Ademar Traiano diz que primeiro há que se ter um projeto econômico–financeiro, além do traçado dessa ferrovia. Segundo ele, o Estado não deve fazer aporte para esse investimento, porque atualmente não há recursos disponíveis. “Acredito, eu, que o Estado poderá, sim, abrir um processo licitatório para a iniciativa privada fazer os investimentos e aí, a partir deste ramal, toda e qualquer empresa que esteja estabelecida em municípios por onde a ferrovia passar poderá também puxar o ramal para a sua empresa.” Traino fala também que a legislação já prevê isso na aprovação da lei. (Box ao final da matéria).
Marco para o Sudoeste
Edgar Behne é empresário em Francisco Beltrão e também é um dos diretores da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Segundo ele, a possibilidade de um braço da ferrovia passar pelo Sudoeste vai fazer com que a região possa se conectar ainda mais com o mundo, já que a ferrovia, na sua avaliação é um modal de transporte muito importante. “É importantíssimo para qualquer região e não tenho dúvidas de que será um marco para o Sudoeste. Vamos correr atrás do que tiver ao nosso alcance. Vamos torcer e trabalhar para isso se torne realidade para nós.” Edgar afirma ainda que vai levar o assunto para debate na Fiep e que deve conversar com os representantes da região Oeste do Estado sobre o assunto.
Sem depender das rodovias
A possibilidade de um trecho da Ferroste passar pela região agrada muito a Ari Resdoerfer, de Clevelândia e presidente da Associação dos Sindicatos Rurais do Sudoeste do Paraná (Assinepar).
Para ele, é muito importante que a produção local não dependa apenas das rodovias para que possa ter escoamento.
“Temos produção bastante alta de milho e soja e dependemos das nossas rodovias, que não são lá muito boas e têm trânsito muito pesado. Se tivermos uma rodovia, isso vai baratear os custos para todos nós. Ficamos na torcida para que realmente aconteça.”
Reivindicação antiga
O presidente da Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Sudoeste do Paraná (Cacispar), Paulo Sérgio Bueno, afirma que a extensão da Ferroeste é uma reivindicação antiga da comunidade regional e que agora toma forma e elevado grau de concretização, com as demandas produtivas locais somadas às demandas do Oeste Catarinense, levando em conta o novo momento político econômico do País e o avanço do marco legal das ferrovias. “A ferrovia trará vantagens competitivas para diversos setores do Sudoeste, principalmente para o agronegócio e para a indústria de proteína animal, sendo que o benefício se dará tanto para o escoamento da produção quanto para o abastecimento de insumos para produção, como grãos para a nutrição animal por exemplo.”
A expectativa, de acordo com Bueno, é de que a competitividade logística gere redução no custo de produção, o que traz melhorias na rentabilidade para quem produz assim como a redução de preços para o consumidor.

Redução no impacto ambiental
Há ainda outros fatores a se considerar, segundo Paulo Sérgio Bueno, como menor impacto ambiental, onde o transporte ferroviário consome quatro vezes menos combustível que o rodoviário e também o menor risco de perda ou danos de cargas.
“O transporte ferroviário irá contribuir na redução de um gargalo logístico e não irá interferir significativamente nas demandas do transporte rodoviário que têm sua importância e continuarão ajudando a mover o Brasil.”
Produção de grãos é insuficiente
De acordo com Antoninho Fontanella, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), regional de Francisco Beltrão, atualmente a produção de milho nos núcleos regionais de Beltrão e Dois Vizinhos é de 850 mil toneladas/ano. Porém, o consumo com avicultura, bovinos e suínos chega a 1,7 milhão de toneladas. “Em torno de 1,7 a 2 milhões de toneladas são ‘importados’ de outras regiões ou países, como Argentina e Paraguai. Na soja, acredito que somos autossuficientes porque produzimos 1,1 milhão de toneladas. Mesmo assim, ‘exportamos’ muita soja e talvez tenha que vir mais de fora em função disso”, revela Antoninho Fontanella, do Deral/Seab.
PEC autorizou novo modal de transporte no estado
O governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD) e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Ademar Traiano (PSDB), oficializaram segunda-feira, 2 de agosto, em cerimônia no Palácio Iguaçu, a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui a modalidade de autorização na infraestrutura para o modal de transporte ferroviário no Estado do Paraná.
É uma pequena mudança na Constituição do Paraná que deve desencadear uma grande transformação econômica no Estado. A partir dela, uma empresa interessada em construir uma linha férrea vai percorrer um caminho mais rápido e menos burocrático no relacionamento com a administração pública, podendo receber do governo um parecer positivo para um projeto próprio, desde que em conformidade com a legislação ambiental. (*Com informações da Gazeta do Povo).





