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Um túnel de 1,2 quilômetro de extensão e 8 metros de altura dentro de Francisco Beltrão. Ele ficará 62 metros abaixo do nível da vida urbana, na cota máxima, e será responsável por auxiliar o escoamento das águas do Córrego Urutago em direção ao Rio Marrecas.
O túnel vai evitar, de uma vez por todas, as enchentes que são parte da história da cidade e que já geraram perdas sociais e financeiras incalculáveis para os moradores.
As obras começaram em dezembro de 2019. No Parque de Exposições Jayme Canet Júnior está localizado o emboque. O investimento do Governo do Estado é de R$ 29 milhões nesse projeto, inédito em uma cidade do interior do País.
“Essa é uma obra debatida há muitos anos dentro do município e que resolverá os problemas com as cheias dos rios que passam no perímetro urbano. Francisco Beltrão conseguiu encontrar uma solução ousada, dentro do escopo ambiental necessário, e conta com apoio do Estado”, afirma o governador Carlos Massa Ratinho Júnior. “É uma obra marcante e que conseguimos priorizar dentro das necessidades do Sudoeste.”
Segundo o prefeito Cleber Fontana, Francisco Beltrão perdeu muitos investimentos ao longo da história com problemas das enchentes. “Esse projeto é um marco na história do Paraná. Estamos construindo um túnel, escavado em rocha dentro da cidade para acabar com as cheias. Geralmente os túneis são rodoviários e ou para geração de energia”, afirma.
Ele explica que nos dias de chuva o Rio Marrecas enche e faz pressão negativa nos outros rios. “Já perdemos muito com isso, é uma ferida aberta. Essa questão será definitivamente resolvida”, destaca o prefeito.
O túnel é a primeira fase da estratégia de contenção, que engloba investimento total de R$ 50 milhões. Há, ainda, outras duas etapas. Uma delas é o aprofundamento e alargamento do Rio Marrecas no perímetro urbano, o que o deixará retilíneo e estável, somado a um projeto de um parque linear com ciclovias, calçada, iluminação pública e academias ao ar livre.
“É uma das maiores obras para contenção de cheias no País e avança em bom ritmo. Não há uma obra desse porte fora das capitais. Vai ser um marco na história de Francisco Beltrão”, resume o engenheiro de minas Lucas Partelli, responsável pela obra e que tem mais de dez túneis no currículo.
Encontro de bacias
“O túnel é um projeto pioneiro no Paraná. É a alternativa mais viável porque ele faz um corte no meio do município. Criamos um canal novo e ao mesmo tempo uma solução duradoura”, complementa José Luiz Scroccaro, diretor de Saneamento e Recursos Hídrico do Instituto Água e Terra. “O Paraná é extremamente rico em questão de rios e bacias hidrográficas. Essa é uma forma de aproveitar essa estrutura e ao mesmo tempo cuidar dos impactos urbanos.”
Francisco Beltrão está localizado em um encontro de bacias, o que pressupõe como condição natural que as chuvas nos municípios vizinhos impactam diretamente o fluxo das águas em sua direção. A maior é a do Rio Marrecas, que corta a cidade ao meio e deságua no Rio Chopim, em direção ao Rio Iguaçu. Já na parte Oeste, a bacia hidrográfica é a do Rio Jaracatiá, que deságua diretamente no Rio Iguaçu, próximo ao município de Nova Prata do Iguaçu.
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