Um encontro para compartilhar histórias vividas na UTI neonatal

A 3ª edição do Encontro das Famílias da UTI Neonatal do HRS foi sábado, 1° de abril, e celebrou os seis anos da implantação da unidade.

 

Magnum e Jéssica, de Capanema, com o filho Oliver, de 2 anos. Ele nasceu na 
29ª semana de gestação e encarou 60 dias de UTI neonatal.

 

Enquanto corria com as outras crianças para um lado e outro, na tarde de sábado, 1° de abril, o pequeno Oliver, de apenas 2 anos, só tinha uma preocupação: divertir-se ao máximo. Diversão merecida, afinal, ele e os pais, Jéssica de Moura e Magnum dos Santos, vieram do município de Capanema especialmente para participar do 3° Encontro das Famílias da UTI Neonatal do Hospital Regional do Sudoeste, realizado no restaurante do Parque de Exposições Jayme Canet Júnior, em Francisco Beltrão.
O sorriso no rosto de Oliver encanta os pais e emociona a equipe do hospital que acompanhou o início da vida do menino. Mas o nascimento deste pequenino não foi nada fácil. Ainda no final de 2014, a mãe vivia uma gravidez normal até o 6° mês de gestação. Foi quando as complicações começaram a surgir. “Foi bem na época em que o único ginecologista do município estava de férias. Fui atendida três vezes por um clínico geral. Na primeira vez, minha pressão estava um pouco elevada, mas fui medicada e disseram que não era nada sério. Uma semana depois, no domingo, novamente tive dores no estômago e disseram que não era nada. Dois dias depois, novamente passei mal”, recorda-se Jéssica.
Ela foi levada ao hospital e medicada, já que apresentava novamente dores no estômago e pressão arterial elevada. Voltou para casa e, na mesma noite, sofreu uma convulsão. O marido a socorreu e levou novamente ao hospital, onde Jéssica sofreu outra convulsão. “Eles queriam fazer cesárea de emergência. Eu estava com 29 semanas apenas. Meu marido e a família não deixaram e então fui encaminhada para o Hospital Regional. Fui internada de madrugada na UTI e me deixaram em observação para ver se conseguia segurar a gravidez. Foi quando eu tive a terceira convulsão, a pressão foi a 26 e fizeram cesárea de emergência”, conta a mãe. 
Jéssica teve síndrome de Hellp, uma complicação obstétrica rara. Na manhã da quarta-feira, 11 de janeiro de 2015, Oliver nasceu com apenas 1,130 quilo e medindo 34 centímetros. O pai conheceu o filho no mesmo dia, mas Jéssica permaneceu na UTI e só foi ver o pequeno na manhã de sexta-feira. “Ele ficou 60 dias na UTI, depois foram mais seis dias no quarto comigo, até que obteve alta. Teve outras complicações, tratadas em Curitiba. Mas o atendimento e tudo o que aconteceu no Hospital Regional foi excelente. O acompanhamento de toda a equipe foi inexplicável”, afirma Jéssica.
Para o pai, foram dois meses de muita angústia e preocupação com a esposa e o filho recém-nascido. O trabalho forçava Magnum a passar a semana em Capanema, assim ia ao hospital apenas nos finais de semana. O contato era por mensagens de celular e ligações constantes para saber notícias. “Foi um momento complicado, a gente esperava uma gravidez diferente, estava pintando o quarto dele, comprando os móveis, o berço, ele ia nascer em abril. Foram muitos dias sem dormir direito, a gente planejou muito e não esperava que tudo isso acontecesse. Agora ele está aí, correndo, fazendo a maior bagunça”, comemora Magnum. 

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Encontro para relembrar e se emocionar
Neste ano, Jéssica e Magnum decidiram participar do encontro e não deu para conter a emoção quando reencontraram a equipe e, principalmente, a psicóloga Ângela Morais. “É um momento para reencontrar quem nos ajudou e agradecer por tudo o que fizeram pela gente. Todos que nos atenderam foram maravilhosos, a gente via que realmente se importavam com a gente e com o que estava acontecendo”, afirma a mãe.
A emoção também é forte para os profissionais, que precisam lidar com seus sentimentos para motivar e dar força às famílias. A psicóloga Ângela trabalha na UTI neonatal há seis anos, desde o início das atividades do setor. Ela revela que a rotina não é fácil e exige muito de toda a equipe: “São múltiplos sentimentos, o hospital é uma área muita cara ao psicólogo, o sofrimento psíquico é muito intenso, e numa UTI neonatal é mais ainda. Porque aí estamos falando de bebê, e isso deve ser uma coisa boa, de alegria, um momento de festa, e não de angústia, dor, medo, desespero”.
Segundo Ângela, o desafio do psicólogo neste momento é não apenas consolar ou confortar as famílias, mas trabalhar os vínculos familiares, visto que os pais ficam muito fragilizados quando veem seu bebê indo para uma UTI. “Ninguém está preparado para ter um bebê na UTI, isso gera um impacto muito grande. As pessoas estão preparadas para ter um filho e no outro dia já irem para casa. Reconstruir estes nuances da maternidade e paternidade e fortalecer estes vínculos é um dos principais objetivos do psicólogo dentro da UTI neonatal”, reforça. 
Para a profissional, este contato proporcionado pelos encontros anuais é excelente e possibilita um maior acompanhamento das famílias após a saída do hospital. “Felizmente, na nossa realidade conseguimos alimentar o vínculo. Aqui a gente consegue ver as mães, as famílias, e eles olham para a gente e lembram do que aconteceu, de tudo o que passou, do que ajudou, e não tem presente maior do que este. Momentos como este fazem tudo valer a pena”, completa Ângela. 
A festa está cada ano maior e, desta vez, reuniu mais de 200 pessoas, informa Nádia Vissoto Zanella, diretora geral do Hospital Regional do Sudoeste. “Isso é fruto de todo um trabalho em conjunto. Nossa equipe mesmo que preparou as guloseimas e as atividades para as crianças e famílias. E é muito bom ver todos juntos aqui, passando uma tarde juntos e se divertindo”, destaca.

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