SUDOESTE DO PARANÁ

Debate sobre o fim da escala 6×1 divide opiniões

O tema requer um diálogo direto sobre a valorização do ser humano.
Inteligência Artificial

Neste 1º de maio, o tradicional feriado que celebra as conquistas trabalhistas ganha um contorno de intensa disputa política e econômica em Pato Branco. O centro do debate é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada 6×1, substituindo-a pelo modelo 5×2 ou 4×3.

Em Brasília, a proposta avança sob olhares atentos. Após superar o número necessário de assinaturas, o texto agora enfrenta o crivo das comissões temáticas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, onde se discute o equilíbrio entre o bem-estar social e a viabilidade financeira das empresas.

João Carneiro, presidente do Sindicato de Pato Branco e região, destaca que a extinção da escala 6×1 é a prioridade absoluta da classe. “A luta vai além do salário; é pelo direito fundamental ao descanso e pela saúde física e mental da categoria. Um trabalhador com condições dignas e descanso adequado desempenha melhor sua função”, enfatizou Carneiro.

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Daniel Ivan Rosaneli, presidente do Sindicato de Francisco Beltrão, reforça a necessidade de união entre as cidades vizinhas para defender a mudança na jornada.

Segundo ele, o tema requer um diálogo direto sobre a valorização do ser humano acima da mera jornada de trabalho.

O contraponto: setor produtivo e os riscos econômicos

Apesar do entusiasmo sindical, a proposta encontra forte resistência nas federações estaduais e lideranças empresariais locais. Tanto a Faciap quanto a Fecomércio-PR já se posicionaram de forma contrária, argumentando que a medida pode gerar um aumento súbito nos custos operacionais, pressionando a inflação e prejudicando a competitividade do Estado.

Em Pato Branco, o setor varejista expressa preocupação. Ulisses Piva, presidente do Sindicomércio de Pato Branco, alerta para os impactos locais. “Entendemos a relevância social da discussão, mas o comércio de Pato Branco possui especificidades que não podem ser ignoradas. Uma mudança abrupta na jornada de trabalho pode comprometer a sustentabilidade de pequenos negócios que são o coração da nossa economia. É preciso equilíbrio para que o ganho de um lado não resulte em desemprego ou fechamento de empresas do outro.”

A preocupação com a celeridade da tramitação legislativa também é compartilhada pela Associação Empresarial de Pato Branco. A entidade defende que o momento exige uma análise técnica profunda, em vez de decisões movidas apenas pelo calor do debate político.

O presidente da Acepb, Ivan Orlandini, recomendou cautela. “Nossa recomendação é de extrema prudência e maior estudo. Um tema com impacto tão profundo na produtividade e na estrutura de custos das empresas exige relatórios de impacto econômico detalhados. Não podemos decidir uma reforma desta magnitude sem ouvir todos os setores produtivos e avaliar as consequências a longo prazo para o desenvolvimento regional.”

Enquanto o projeto segue seu curso — atualmente, será analisado por uma comissão especial da Câmara dos Deputados —, o Dia do Trabalhador em Pato Branco consolida-se como o palco principal para este debate, que promete definir o futuro das relações de trabalho no Brasil.

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