É preciso dar voz aos bons motoristas


Francisco Beltrão quer reagir aos acidentes com mortes


Imagem ilustrativa

Francisco Beltrão não quer repetir o título de cidade campeã estadual em acidentes de trânsito com mortes, como ocorreu em 2025. Para isso, estão sendo anunciadas medidas de curto e médio prazo. Torço para que melhore, mas acho que é preciso agir com objetividade.

Sempre se fala em melhorar a sinalização e conscientizar os motoristas. Duas medidas importantes, mas não suficientes. Primeiro que a sinalização deve ser verdadeira, e não “faz de conta”. Se tem placa de 40 km/h, que todos andem a 40. Mas, se a maioria anda a 50, por que a placa não é de 50?

Parece advertência da mãe pro filho pequeno: “Se você não fizer isso, vai ver o que te acontece…” Trânsito é pra gente grande, que briga por centavos no troco e briga também por um km a mais, ou a menos, na velocidade dos veículos. E, se você sinaliza de um jeito e não faz nada se a sinalização não foi obedecida, se desmoraliza.

- Publicidade -

Reconhecimento aos bons motoristas

O que eu defendo é o reconhecimento que se deve à maioria dos motoristas. Quem ainda não observou, que observe. Não importa se a placa é de 40, 50 ou 60, na cidade a maioria anda, no máximo, a 50 ou 60.

E essa gente não é ouvida e nem tem voz. Ao contrário: se um desses bons motoristas adverte outro que abusa, aquele que abusou é que grita alto e diz ter razão.

Proposta: padronizar a velocidade em 50 km/h

Minha proposta, que já expus aqui outras vezes, é simples e objetiva: padronizar toda a cidade, toda, em 50 km/h. Se tem 10% de tolerância, teríamos o seguinte: 50 é a velocidade máxima indicada, 55 o máximo tolerável e, a partir de 56, multa.

Multa pra todos os veículos, inclusive as motos, e em todas as ruas. Se as placas forem verdadeiras, não tem desculpa pra não multar.

Ah, mas tem lugar que 50 é muito. Tudo bem, põe lombada. Não temos, Brasil afora, cidades cheias de lombadas?

Medidas objetivas para reduzir os acidentes

Sei que medidas diferentes, como estas, encontram resistência, mesmo numa cidade que precisa reduzir suas estatísticas sinistras, como é o caso de Francisco Beltrão. Se eu for uma voz solitária, fazer o quê? Mas acredito que tem mais gente pensando nesse sentido e concordando com isso, talvez com ajustes:

1 – Padrão de velocidade máxima 50 km/h em toda a cidade.
2 – Acima de 55, multa para todos os veículos.
3 – Onde há necessidade de velocidade menor, lombada (de asfalto, não eletrônica).

Já publiquei sobre isso e já conversei com outras pessoas, que me apoiaram em criar o grupo de WhatsApp “Amigos da Vida”: Edson Flessak, Ivo Pegoraro e Rogério Pitz. Aceitamos sugestões e inscrições para participar do grupo.

*Jornalista em Francisco Beltrão desde 1979

Proibir conversões à esquerda

Quando lhe apresentei o texto acima e propus a criação do Amigos da Vida, o empresário Edson Flessak me disse “tô dentro” e apresentou novas sugestões:

“Alguns cruzamentos de mão dupla ser proibida a conversão à esquerda. Isso desafoga e aumenta a segurança. Sem contar saída de colégio onde os pais param em faixa dupla aguardando os filhos”.

Todos que fazem parte do trânsito devem ser ouvidos

O coronel Rogério Pitz foi mais longe em seu comentário:

“Eu acho que é um excelente texto, provocativo, pra chamar a população pro debate. Afinal, aprendi, nesses mais de 30 anos fazendo segurança pública, que todos os personagens que fazem parte de uma ‘peça’ devem ser chamados pra opinar o que poderia ser feito pra melhorar determinada situação de segurança.

Nesse sentido, mais do que justo chamar também as pessoas que participam do trânsito na nossa cidade, que, infelizmente, amarga tristes estatísticas em acidentes e mortes no trânsito. E não somente as autoridades pra impor as regras.

Como você muito bem expôs, se for da vontade da maioria, que se viabilize a velocidade de 50 km/h, mas que seja respeitada por todos.

E aqueles que não respeitarem, multa. E é somente com multa que as pessoas diminuem a velocidade, basta você ver onde a Polícia Rodoviária está fazendo operação de radar: quando o motorista observa o policial com o ‘secador’, diminui a velocidade.

Precisamos pensar em melhorar a nossa infraestrutura viária. Beltrão já é uma cidade de mais de 100 mil habitantes, com uma frota com mais de 80 mil veículos. Precisamos pensar em vias rápidas, de um único sentido, largas, com 3 ou 4 pistas. Pra isso, precisamos mexer nos estacionamentos ao longo da via e deixar os estacionamentos nas vicinais. Vai ter chiadeira? Vai, como teve em Curitiba, Cascavel, Londrina e todas as grandes cidades que tiveram que fazer essa opção. Atualmente, estão acostumados com a ideia.

Uma das sugestões para fiscalizar os ‘apressadinhos’ é colocar fiscalização eletrônica ‘tipo radar’ a cada duas ou três quadras. Somente assim irão diminuir a velocidade. Não tem outra forma. Com um tipo de equipamento que consiga pegar a placa da moto, principalmente das motos, que burlam a fiscalização, passando bem pelo centro da pista divisória ou pelo estacionamento dos carros.”

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques