Lideranças destacam legado do pontífice

A preocupação com a família, com o jovem, deficientes e migrantes.


Argentino Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco (17-12-1936 a 21-4-2025), estava com 88 anos e quatro meses.
Foto: Divulgação/CNBB.

Na região de Francisco Beltrão, a morte do papa Francisco também foi sentida. Em vários depoimentos, lideranças da Igreja Católica destacaram as preocupações e propostas do pontífice nestes 12 anos à frente do Vaticano.

Sidney Oliveira, o Cidinho, que foi coordenador da Pastoral da Juventude na Diocese, participou de duas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) em que o papa Francisco esteve presente: no Rio de Janeiro e em Lisboa. 

“O Papa Francisco, com sua leveza no olhar, sorriso fácil e suas atitudes fizeram com que os jovens se aproximassem muito da igreja e de Jesus. Conheci o papa Francisco em 2013 na JMJ no Rio de Janeiro, revendo ele em 2023 na JMJ em Lisboa, Portugal. Em todas as suas falas tinha sempre um ensinamento, regado com uma forma carinhosa de ensinar. Na nossa diocese certamente muitos reflexos com a juventude se instalaram, muitos jovens retornaram à igreja sentindo-se acolhidos novamente, outros lançaram-se em missão, como sempre quis o santo padre de uma igreja além. O caminho pra Jesus é o que me faz pensar, que mesmo com todos os desafios que a sociedade encontra hoje, existe um meio de ser feliz, ter alegria e buscar sempre a salvação em Jesus Cristo”, diz Sidinho.

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Para ele, sob o pontificado de Francisco, houve grandes mudanças “para nossa igreja, com simplicidade, mas com firmeza nas suas atitudes, mostrando a todos do clero e da política que, sim, é capaz de olhar aos pobres, dedicar cuidados aos que precisam e buscar a paz entre as nações. Vai deixar, além de saudades, seus grandes ensinamentos”.

Deficientes físicos e visuais

Arilson Gambin, presidente da Associação das Pessoas Portadoras de Deficiência Física e Visual de Beltrão, destaca o legado do pontífice da Igreja Católica. “Ele teve um papel muito importante, porque ele dizia o seguinte: que as pessoas com deficiência deveriam ser acolhidas dentro dos seus respectivos contextos sociais, ou seja, no seu bairro, na família, no trabalho, no contexto social como um todo. O papel dele foi fundamental neste sentido, de incluir a pessoa com deficiência no todo. É um legado!”

Família e acolhimento

Claudio Bonetti, um dos coordenadores da Pastoral Familiar na Concatedral Nossa Senhora da Glória, disse que Francisco foi uma pessoa abençoada. “Ele teve a preocupação com os migrantes, com as pessoas mais necessitadas, foi o papa da transição do mundo analógico pro digital, teve muita preocupação com o povo, com os pobres, com a família e com o acolhimento a todos.”

Família e idosos

Sabino Oltramari, da coordenação do Movimento de Cursilho, destacou também a preocupação do papa com a família, os relacionamentos entre os familiares e a construção de bons relacionamentos na família para a sociedade. “O papa Francisco sempre teve uma visão muito clara sobre a importância da família e neste quesito família um outro ponto que ele muito deixou evidente foi a sua preocupação, os cuidados que os filhos devem ter com os pais, principalmente quando ficarem mais velhos. Daí a importância da família para o papa Francisco, a compreensão de que a família é a base que dá sustentação para a sociedade. A sociedade está fundamentada na família. Mas essa família pra ser esse sustento da sociedade precisa de dois itens, que são o amor dentro dela e  o acolhimento, e que haja esse acolhimento de pais pra filhos e filhos pra pais, irmão pra irmão. Esse acolhimento na família somado ao amor vai dar essa base de sustentação da família. E isso calcado em alguns valores que o papa Francisco deixava muito evidente: a gratidão, a compaixão dentro da família, que vai levar ao amor, à solidariedade, à cooperação são valores que o papa Francisco sempre deixava muito evidente essa necessidade.

Deficientes auditivos

A Pastoral dos Surdos na Diocese de Palmas-Francisco Beltrão emitiu nota agradecendo ao pontífice pelo seu trabalho. “Gostaríamos de expressar nossa sincera gratidão ao papa Francisco pelo apoio, atenção e carinho dedicados à comunidade surda e às pessoas que, de alguma forma, encontram-se excluídas da sociedade. Sua sensibilidade e compromisso com a inclusão social têm sido uma fonte de inspiração e esperança para muitos, reafirmando o compromisso da Igreja com os mais vulneráveis e marginalizados. O papa Francisco fez história ao ser o primeiro pontífice a se aproximar de maneira tão significativa da comunidade surda, demonstrando seu empenho ao aprender alguns sinais básicos e utilizando, inclusive, o sinal internacional de ´I love you´ como gesto de afeto e acolhimento.”

Imigrantes

Outra preocupação do pontífice da Igreja Católica foi com os imigrantes. Uma de suas primeiras viagens ao tomar posse como papa, em 2013, foi à região Sul da Itália, no Mar Mediterrâneo, para acompanhar o resgate de imigrantes vindos de países do continente Africano em busca de melhores opções de vida nos países da Europa.

‘Espírito Santo vai conduzir decisão’, diz dom Sergio cotado para ser papa

Estadão Conteúdo – Dom Sergio da Rocha, arcebispo da Arquidiocese de São Salvador (BA) e primaz do Brasil, é um dos cardeais brasileiros que podem votar na escolha do novo papa e também concorrer ao cargo. Entretanto, em entrevista coletiva na segunda-feira, 21, ele se esquivou de comentar sobre o assunto e focou em destacar o legado de Francisco.

“Nesse momento, não temos muito a dizer sobre o conclave, temos o que falar sobre o papa Francisco. O conclave está nas mãos de Deus. Certamente, o Espírito Santo irá conduzir os cardeais eleitores e nos ajudará a tomar a decisão que for a que Deus quer para a igreja”, disse ele.

Com a morte do Santo Padre, um novo papa será escolhido a partir de um conclave, o processo de eleição do próximo pontífice, que ainda será definido. “Há sempre especulações sobre quem será o futuro papa. Mas, primeiramente, é preciso respeitar esse momento em que nós vamos estar ainda em oração pelo papa Francisco que acaba de falecer.”

Dom Sérgio estará em Roma para acompanhar o funeral e o sepultamento do papa Francisco, que será no sábado, 26, conforme divulgou o Vaticano nesta terça-feira, 22.

“Além disso, devemos aguardar a respeito do conclave. Naturalmente, um período em que os cardeais de todo o mundo vão se dirigir a Roma. Espero estar o quanto antes lá para participar dos rituais do papa Francisco e permanecer em Roma para o conclave, uma vez que também há reuniões que antecedem o próprio conclave”, afirmou o cardeal da Bahia.

O cardeal e arcebispo da Arquidiocese de São Salvador da Bahia destacou a simplicidade do papa Francisco. “Sempre interpelando a igreja, a humanidade, comovendo. Lembre-se que a própria escolha do nome Francisco já expressava essa simplicidade”, disse.

Cardeais que elegerão o papa

Tradicionalmente, a Itália é o País com mais eleitores no conclave – são 17 nesta edição. É seguida dos Estados Unidos (10) e o Brasil vem em terceiro, com 7.

O cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito da Arquidiocese de Aparecida (SP), não pode votar por ter 88 anos – só cardeais com até 80 anos têm esse direito, embora qualquer cardeal, de qualquer idade, possa ser votado.

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