Mas lideranças sudoestinas lembram que a carga tributária ainda é alta.
JdeB e AEN – O governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD) assinou o decreto que oficializa o reajuste do Salário-Mínimo Regional, garantindo que o Paraná seguirá com o maior do País. O Conselho Estadual do Trabalho, Emprego e Renda (Ceter) aprovou em janeiro a proposta e os valores finais. No Paraná, são quatro faixas e teve aumento real em todas elas.
Na primeira, que engloba trabalhadores agropecuários, florestais e da pesca, o salário salta para R$ 1.731, com ganho real de 1,06%. Os valores para os demais grupos são R$ 1.798 (setor de serviços administrativos, serviços gerais, reparação, manutenção, vendedores do comércio em lojas e mercados, e trabalhadores domésticos, um reajuste de 1,02%), R$ 1.859 (empregados na produção de bens e serviços industriais, com ganho de 0,98%) e R$ 1.999 (técnicos de nível médio, aumento de 0,92%).

Carga tributária
“O Governo do Estado pontua o salário regional como o maior do País, mas “esquece” que o Paraná tem uma das maiores cargas tributárias da federação. Isso incide diretamente nos preços ao consumidor final. Uma melhor análise seria comparar o que se compra com o salário mínimo do Paraná em relação aos demais estados”, comentou o empresário duovizinhense Edilbetto Minski, presidente da Cacispar (Coordenadoria das Associações Empresariais do Sudoeste).
E ele enumera: “Iniciamos 2023 com aumento de ICMS, de 18% para 19% em alguns produtos, o que significa 5,5% de aumento desse tributo, efetivamente. Hoje, o Paraná chega a ser 19% menos competitivo, comparado com estados vizinhos, com base na nossa carga tributária. Na região Sudoeste, ainda temos problemas na logística para o escoamento da produção, devido à precariedade das nossas rodovias, praticamente o único modal de transporte disponível”.

“Alguns cuidados”
O economista de Francisco Beltrão Robson Faria pontua: “Certamente o salário mínimo maior é algo benéfico ao trabalhador, e é muito apreciado quando em determinada região se detém o status do salário mínimo mais alto. Contudo, alguns cuidados devem ser tomados, pois as empresas que não conseguirem arcar com a monta estipulada podem dispensar trabalhadores e, pior que isso, aquelas que possuem um número mais elevado de funcionários podem mudar de estado ou até de país”.
Mais: “Lembremos que, no início, o objetivo era o de “garantir qualidade mínima de vida ao trabalhador”, mas vemos relações de trabalho cada vez mais evoluídas e empresas que pagam mais que o piso quando o trabalhador faz jus. Isso se nota quando os departamentos de recursos humanos disputam no mercado de trabalho profissionais competentes e que entregam bons resultados.
Porém, como nem todas as empresas pensam do mesmo jeito, a proteção do salário mínimo é bem-vinda, sendo a gestão pública responsável por essa balança, não onerando ou sacrificando qualquer parte”.

Onde o salário mínimo não se aplica
O mínimo regional não se aplica aos empregados que têm o piso salarial definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho, nem aos servidores públicos.
O cálculo levou em consideração a mesma estimativa de reajuste na parte correspondente ao comparativo com o Salário Mínimo Nacional (fixado em R$ 1.302,00), gerando equivalência de aumento, e na parte restante, referente à diferença entre os mínimos nacional e estadual (já que o estadual é sempre maior), o aumento foi feito com base na evolução do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, de 5,93%.
“O Paraná segue com o maior Salário Mínimo Regional do País, uma conquista que ajuda a manter a nossa economia em alta. Esse trabalho é fruto de amplas discussões envolvendo o Ceter, que é composto por integrantes do Governo, dos trabalhadores e dos sindicatos patronais”, disse o governador Ratinho Júnior. “Em consenso, o Paraná segue avançando com essa política que é referência nacional”.
Média salarial
Presidente da Agência de Desenvolvimento Regional, o empresário duovizinhense Rogério Sidral também apresenta a sua explanação: “O salário mínimo regional aponta o Paraná com o maior salário de referência, porém, na média salarial entre as cinco regiões do Brasil, fica em segundo lugar, e se considerarmos por estado, ocupa o terceiro lugar, com o Rio de Janeiro em primeiro e Distrito Federal em segundo”.
Sudoeste
Ainda Rogério: “Um fator que eleva o valor médio remunerado é a força do associativismo, cooperativismo e à pujança do agronegócio e da indústria, que atuam fortemente em todo o sul do Brasil, e o Sudoeste do Paraná é o berço de inúmeras indústrias que atuam em múltiplos segmentos. Trabalhamos para uma reformulação fiscal para que melhorem ainda mais estes indicadores”.






