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As fotos de uma mulher projetada para fora da janela em um edifício de Pato Branco viralizaram nas redes sociais da cidade e região. As fotos chamam atenção pelo risco de morte em que a mulher está exposta. Trabalhar em altura exige maiores cuidados e os equipamentos de proteção individuais adequados à segurança dos trabalhadores. É possível que a mulher da foto seja a proprietária do imóvel, e não uma empregada doméstica ou diarista, mas de qualquer forma o exemplo serve como alerta e reflexão.
Caso seja uma trabalhadora, o caso exposto pela internet é um exemplo flagrante de desrespeito à lei e imprudência das partes envolvidas, trabalhador e empregador. Caso seja a proprietária do imóvel fazendo a limpeza, a imprudência é também latente. A reportagem ouviu especialistas no assunto.
João Carneiro, presidente do Sindicato dos Comerciários de Pato Branco, é membro do Comitê de Investigação de Óbitos e Amputações do Ministério Público do Trabalho e destacou que as imagens preocupam. “Caso seja efetivamente uma trabalhadora e, independente disso, é uma exposição desnecessária da integridade física e da vida”, afirmou o líder sindical. O problema é sério e será inclusive tema de debate no dia 24, no Ministério Público do Trabalho em Pato Branco. O Comitê de Óbitos e Amputações relacionados ao trabalho vai debater justamente a segurança do trabalhador nas atividades diárias.
O técnico em Segurança do Trabalho e integrante do Comitê de Investigação de Óbitos e Amputações do Ministério Público do Trabalho, Alan Vinicius Andreguetti, também comentou as imagens da cena que expos em risco a vida da trabalhadora. O técnico lembra que os equipamentos de proteção individual e coletivos são importantes, mas é a conduta humana que faz a diferença, destacando ainda o poder de recusa do trabalhador.
Acidentes custaram R$ 80 bilhões e mataram 17 mil trabalhadores no Brasil
Alan Vinicius Andreguetti disse que, segundo pesquisa do Observatório Digital do Ministério Público do Trabalho, entre 2012 e 2018 foram registrados 4,5 milhões de acidentes e doenças que vitimaram trabalhadores no Brasil. O custo previdenciário foi R$ 80 bilhões somente com despesas acidentárias e cerca de 350 milhões de dias de trabalho perdidos. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que acidentes e doenças de trabalho produzem perda de 4% do Produto Interno Bruto a cada ano. A cifra representou perdas de R$ 264 bilhões em 2017.




