Mulher acorrenta filho viciado em crack

Uma moradora do bairro Padre Ulrico, em Francisco Beltrão, tomou uma atitude radical que chamou a atenção da comunidade. Ela acorrentou o próprio filho, um menor, de 15 anos, viciado em crack, para contê-lo em casa. O problema é antigo e já está sendo acompanhado pelo Conselho Tutelar e pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).
Em entrevista ao programa Diário da Informação, da TV Beltrão, a mãe Ivânia Brasil disse que não aguenta mais a situação. “Não tem mais o que fazer, o meu desespero foi esse, colocar ele na corrente até conseguir internamento pra ver se ele se recupera. Complicado, cada vez pior, não adianta dar conselhos, ele não ouve o que a gente fala. A gente não dorme, não descansa, porque quando ele tá na rua, tá correndo risco”, contou.
Na terça-feira, 8, o menor foi novamente apreendido pela Polícia Militar, por furto. No início da noite, ele escondia em um matagal um aparelho de DVD e um frasco de perfume. Os produtos, que seriam vendidos pra compra da droga, e o menor foram levados pra delegacia.
O conselheiro tutelar Édio Vescovi confirmou que a situação é recorrente e que a família está sendo orientada há vários meses. “O menino é bem conhecido do pessoal. A mãe acorrentou pra proteger a integridade física, tomou uma atitude pra evitar algo mais grave com ele. Legalmente, claro, não podemos admitir isso”, comentou.
Segundo a assistente social Vanice Fedrigo, na visita de ontem o menor seguia resistente para conversas e para o uso de medicamentos para controlar a ansiedade. “Estamos tentando de novo fazer um trabalho com eles. E a solução agora será tentar outra vaga pra internar o menino”, disse.
Mãe retirou do internamento
A assistente social Vanice, que acompanha a família há bastante tempo, contou que o adolescente é usuário de crack há três anos. Depois de várias tentativas com trabalhos sociais, ele foi internado em um hospital psiquiátrico, em União da Vitória. “Ele ficou quatro meses lá, mas pelo mau comportamento e por não responder aos trabalhos ele teria que ficar mais tempo.”
Conforme informou Vanice, a orientação do hospital era para que o internamento fosse mantido. “Mas a mãe pediu pra tirar. Nós pedimos, mas ela, contra a nossa vontade, pagou um carro e foi até lá e tirou ele, porque ele pediu e disse que ia mudar”, esclareceu.
O Creas levava a mãe para visitar o filho uma vez por mês. “Ele veio de lá com a receita do medicamento. Só que ela não conseguiu dar a medicação aqui e também não procurou mais ajuda. Depois ela voltou e nós marcamos dias pra ele participar de atividades, mas ele não foi”, disse a assistente.
Até ontem à tarde, segundo o Conselho Tutelar e o Creas, o menor continuava acorrentado à cama do quarto pela mãe. Ele teria concordado em voltar a usar a medicação.
A alternativa agora é enviá-lo para Cascavel, onde deverá fazer um tratamento de 15 dias para desintoxicação. Depois disso, deve-se tentar um novo internamento em clínica para recuperação de dependentes químicos que oferecer vaga.





