Num trecho de reta entre as curvas “do motel” e “das pedras” já aconteceram várias colisões.

Fotos: Flávio Pedron/JdeB
Dos 284 quilômetros de rodovias estaduais entre Realeza e Palmas, que formam o principal corredor rodoviário do Sudoeste do Paraná, é o trecho entre Francisco Beltrão e Marmeleiro (PR 180), de 4,34 quilômetros, que tem o maior tráfego. Circulam pelo local aproximadamente nove mil veículos/dia, conforme informação do Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Muito disso ocorre em função da densidade demográfica dos dois municípios que, juntos, têm 100.969 habitantes – 86.499 em Beltrão e 14.470 de Marmeleiro, conforme estimativa populacional para 2015 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O movimento é grande de caminhões, que seguem para a região Sul do País, de ônibus e vans que trazem estudantes para Beltrão e ainda de cidadãos que moram em uma cidade e trabalham em outra e se deslocam com carros ou motos. Em função do grande movimento é também um dos pontos onde mais ocorrem acidentes de trânsito. Em 2015, foram 34 acidentes com 29 pessoas feridas e quatro mortes. A Polícia Rodoviária Estadual iniciou uma operação na última semana com o radar fotográfico com o intuito de conter o número elevado de infrações de trânsito e acidentes.
O sargento Farias, comandante da Polícia Rodoviária Estadual em Francisco Beltrão, disse em entrevista à Rádio Onda Sul, que os policiais têm observado aumento no número de acidentes neste início de ano. Já são nove contra sete do ano passado. Entre as principais causas, o excesso de velocidade e as ultrapassagens perigosas. Não bastassem as falhas humanas, o trecho é bastante perigoso em função de sua geografia. São pelo menos quatro curvas perigosas. No trecho de Beltrão – agora Avenida Dom Agostinho Sartori – tem a “curva do Penso”, do antigo chiqueirão da família Penso, e no trecho de Marmeleiro a “curva da vaca”, na entrada para a capela da comunidade rural de Água Branca, a “curva das pedras”, onde existe um paredão e a “curva do motel” já quase chegando em Marmeleiro, se o sentido for de Beltrão pra lá. São pontos perigosos e que normalmente foram apelidados devido à quantidade elevada de acidentes.
Um dos locais em que ocorrem colisões é entre a “curva das pedras” e a “curva do motel”. Neste trecho há uma reta de aproximadamente 400 metros com pista dupla. “Temos observado que muito disso [acidentes] ocorre em razão da velocidade. É uma pista bastante sinuosa, tem uma terceira faixa, mas no final o motorista quer ser mais apressado que o outro pra adentrar na via única e é onde estão ocorrendo os acidentes e com vítimas inclusive”, disse o sargento Farias.
De acordo com ele, quando é aplicada a fiscalização com o radar fotográfico, o número de acidentes reduz. “Estamos alertando os condutores que trafegam neste sentido que observem a velocidade e respeitem a sinalização, porque serão notificados. O trecho tem velocidade máxima permitida de 80 km/h e os condutores trafegam muito acima da velocidade permitida.”
Farias observa que a PRE não tem como objetivo distribuir multas, mas evitar acidentes. “As pessoas não estão percebendo a quantidade de infrações que comentem, não só com excesso de velocidade, mas em ultrapassagens em faixa contínua, que além da pontuação na carteira de habilitação tem um valor de multa relativamente alto. A pessoa é pega de surpresa quando recebe a notificação em casa. Aí não adianta se revoltar contra a polícia que multou, ele tem que se conscientizar que tem que fazer a parte dele no trânsito. Se cada um fizer sua parte vão diminuir os acidentes.”
O engenheiro Roberto Machado dos Santos, gerente regional do DER de Francisco Beltrão, afirma que a rodovia é bem sinalizada. “Estão faltando apenas alguns tachões que serão colocados novamente em março, dentro da nossa programação.” Na opinião ele, os acidentes ocorrem mais em função do excesso de velocidade, pois a concepção do DER é de que a rodovia tem sinalização vertical (placas) e horizontal (faixas) bem visíveis e não há problemas de geometria.
Além disso, há o posto da Polícia Rodoviária no meio do caminho o que, por si só, já obriga os condutores a pisarem no freio. Conforme Roberto, em uma pista de terceira faixa normal é construída uma pista adicional à direita para o tráfego pesado, permitindo que os veículos leves ultrapassem com segurança. Neste caso, não é incomum ocorrerem acidentes quando os caminhões precisam voltar pra faixa simples, empurrando os veículos pequenos para a pista contrária. No trecho entre Beltrão e Marmeleiro, as faixas foram adicionadas à esquerda e uma constatação das autoridades é que os motoristas estão forçando ultrapassagens justamente no final da terceira faixa. Apesar de existir uma área de segurança, um “zebrado”, muitos acidentes ocorrem neste ponto.
“Este espaço deve ser usado para uma situação de emergência e não como extensão da terceira faixa. Por isso que existem os tachões, para evitar o tráfego”, ressalta Roberto. Na opinião dele, além de cometer um abuso, passível de multa, o motorista está arriscando a sua vida e a de terceiros. Conforme disse, o DER ainda pode otimizar a sinalização com o uso de setas na pista.







