Por que um motorista experiente comete menos erros que o iniciante? Porque ele aprendeu com os erros? Sim. Ele evita muitos erros porque se tornou mais previdente, mas também porque automatizou os movimentos.

É inadmissível a quantidade de acidentes com feridos e mortos que temos em nosso trânsito. Aparentemente, são tomadas medidas para reduzir essas tragédias, mas está na hora de buscar medidas mais eficientes.
Pra mim, está faltando civilização no trânsito. Um exemplo: a rua tem placa de 40 por hora, o motociclista vai a 80, um carro entra em sua frente e quase acontece um acidente. E aí, em vez do motociclista se desculpar, porque estava desrespeitando a sinalização, ele buzina e xinga o motorista que não o viu porque a moto vinha em velocidade muito alta. Isso é razão ou falta de civilização?
Podemos falar em três culpados: a sinalização, porque permite que se transite acima da velocidade anunciada na placa; o motociclista que desrespeitou a sinalização; e o motorista porque errou ao não esperar o momento certo para entrar na pista.
Desses três tipos de erros, quais são evitáveis? A sinalização, sim. Porque devia ser compatível com a velocidade média viável, tendo moral para multar quem a desrespeita; o motociclista, porque pisou demais no acelerador.
Quanto ao motorista que errou: primeiro é bom ver que, se a velocidade da placa fosse respeitada, ele teria entrado na pista sem problemas. Segundo, mesmo que isso seja um erro, me digam: Quem nunca cometeu algum erro no trânsito levante o dedo.
Por que um motorista experiente comete menos erros que o iniciante? Porque ele aprendeu com os erros? Sim. Ele evita muitos erros porque se tornou mais previdente, mas também porque automatizou os movimentos.
Quando o motorista automatiza os movimentos para fazer o certo, evolui. Mas se ele automatiza os movimentos para justificar seus erros – como é o caso do motociclista que citei aqui –, aí caminha para o pior. E quando vai para as estradas repete os erros. E esses pequenos erros cometidos na cidade acarretam em acidentes nas estradas. O motorista automatizou pequenas transgressões.
Para o trânsito urbano há necessidade de padronizar a velocidade de todos os veículos, tenham duas, três, quatro, seis, doze ou não sei quantas rodas.
Do jeito que está nosso trânsito, o errado ainda acusa os outros. Se padronizar, quem errar irá ficar, no mínimo, sem razão para reclamar. Porque aí se pode apenas dizer “olhe a placa”. Uma placa verdadeira, não placa faz de conta, como temos hoje por esse Brasil afora.
Estou procurando mais gente que pense em formas mais eficientes de disciplinar o trânsito. Gostaria que um grupo de pessoas elaborasse uma proposta mais ousada para o trânsito. Começando por nossa cidade. Gente que não precisa ser autoridade em trânsito. E se for, melhor. Mas gente que defenda, acima de tudo, a vida. Procuro quem queira formar o grupo “Amigos da Vida”.
Amanhã apresento mais propostas.
*Jornalista em Francisco Beltrão desde 1979





