Política
“Se nesses seis meses, o governo não tratar de mudar a política de preços de petróleo no País, nós teremos um caos completamente instalado em nossa pátria”. A afirmação é do deputado federal Assis do Couto (PDT), durante a Comissão Geral criada para enfrentar a crise dos combustíveis e a greve dos caminhoneiros. O parlamentar, que tem participando das reuniões de negociação entre o governo e os representantes dos caminhoneiros, avalia que só mesmo a mudança de governo, através de um processo democrático, pode trazer novas perspectivas para o setor. “Nós estamos aqui a contar os dias para as eleições para a posse do novo governo que apresente ao País um novo caminho porque este governo não tem mais sustentabilidade”, frisou Assis. Ele lembrou que desde a criação da Petrobrás, em 1953 pelo então presidente Getúlio Vargas, o debate gira em torno da privatização ou da estatização da companhia.
Lula e Dilma, “nacionalistas”
“Os governos Lula e Dilma garantiram, sim, o aspecto nacionalista da Petrobrás, mas pecaram na forma de gestão, no loteamento político da companhia. E isso gerou um crescimento da ideia de privatização. O governo pós impeachment, do golpe, adotou a política de direita, do liberalismo, já defendida na época da criação da Petrobrás. Erra na escolha, na estratégia, no ritmo que está fazendo as coisas acontecerem. Mudou o estatuto da companhia e agora qualquer suposto prejuízo é o orçamento da União que vai ter que pagar. É dinheiro do PIS/Cofins que vai ter que tapar o buraco. O Brasil exporta petróleo cru e importa petróleo refinado, diminui a produção nas suas refinarias, tudo errado. E foi essa política que parou o País. Não foram os caminhoneiros, foi essa política do [Pedro] Parente e do [presidente Michel] Temer”.
Nota em favor dos caminhoneiros
O parlamentar divulgou nota pública e reiterou o apoio à luta dos caminhoneiros autônomos e ressaltou que já houve avanços importantes nas negociações, apesar de o governo não mudar a política de preços da Petrobrás. “São medidas estruturantes que estão sendo reivindicadas desde 1999, como a questão de garantia de percentual de mercado, a Política do Preço Mínimo do Frete [que teve como base o PLC 121/17, de sua autoria] e a questão da isenção do pedágio sobre o eixo erguido”.
Assis condena “intervenção militar”
No entanto, o deputado afirmou que não pode apoiar um movimento que pede uma intervenção militar. “Isso é uma contradição. Todas as manifestações populares, durante os 20 anos de regime militar, foram violentamente reprimidas, pessoas foram mortas, centenas de desaparecidos que até hoje não encontramos os cadáveres. Muitas pessoas inocentes quase apodreceram nas cadeias quando lutavam por direitos para os mais pobres”, ressaltou.








