Política
A resistência ao governador João Doria (PSDB-SP), já detectada entre parte dos tucanos, extrapolou a esfera partidária e chegou a dirigentes de partidos da chamada terceira via que dizem preferir a vitória do governador Eduardo Leite (PSDB-RS) nas prévias presidenciais do PSDB. Na opinião desses políticos, Leite é mais afeito ao diálogo e menos comprometido com um projeto pessoal de poder — características necessárias à união dos partidos em torno de um só nome. A convergência é estratégia da centro-direita para se viabilizar em meio à polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido), que lideram as pesquisas sobre 2022. O prestígio a Leite, no entanto, não deve ter influência significativa na votação interna do PSDB de acordo com tucanos e entusiastas da terceira via ouvidos pela reportagem.
Disputa acirrada dentro do PSDB
Atualmente, segundo membros do partido, a disputa está acirrada e tem um desfecho imprevisível — tanto Doria quanto Leite projetam sua vitória no primeiro turno, em 21 de novembro. Na tentativa de ganhar apoios dentro e fora do PSDB, os governadores vêm reafirmando seu compromisso com a unidade da terceira via, acima de vaidades. Ao mesmo tempo, ambos negaram recentemente a possibilidade de abrir mão da candidatura para compor uma chapa como candidatos a vice-presidente. Entre líderes e presidenciáveis dos partidos União Brasil (fusão de DEM e PSL), PSD, MDB e também do PSDB, a leitura é a de que a mesa de negociação exige desprendimento — apoiar para ser apoiado, o que passaria por renunciar à cabeça de chapa.
Francisco Beltrão: PSDB do Paraná com Leite
Dia 18 de setembro, em Francisco Beltrão, a cúpula do PSDB do Paraná anunciou apoio à pré-candidatura de Eduardo Leite. O evento lotou a Amsop e estavam presentes, além de Leite, o prefeito anfitrião, Cleber Fontana, ex-governador Beto Richa, presidente da Assembleia, Ademar Traiano, deputado federal Valdir Rossoni e o presidente estadual do partido, deputado Paulo Litro. Nos pronunciamentos dos sudoestinos, basicamente, a boa gestão do gaúcho no Estado, o fato de ser novidade e apresentar propostas de forma clara.
Abril, um mês importante
Abril de 2022 é um mês mencionado entre eles como um prazo para tal entendimento. Até lá, diversos nomes são testados além de Doria e Leite, como Rodrigo Pacheco (União Brasil), Luiz Henrique Mandetta (União Brasil), José Luiz Datena (União Brasil), Simone Tebet (MDB), Alessandro Vieira (Cidadania) e Sergio Moro (sem partido). Na prática, porém, caciques tucanos minimizam a polêmica a respeito de elaborar prévias e, ao final, ceder a candidatura. Isso porque, se Leite for vencedor, acreditam que ele pode ter melhores condições de liderar e representar a terceira via, uma vez legitimado pela votação interna. Se Doria for o vencedor, a candidatura do PSDB também estaria garantida, dada a crença entre políticos de que ele levaria seu nome até o fim, mesmo sem concentrar apoios de aliados. Além disso, os dois tucanos já aparecem numericamente à frente de outros nomes da terceira via em pesquisas.
Leite-Pacheco pode ser uma chapa?
Gilberto Kassab, presidente do PSD, defende a candidatura do senador Rodrigo Pacheco, mas já mencionou uma possível costura com Eduardo Leite em entrevista a José Luiz Datena. “Se o Eduardo ganhar eu defendo uma composição dele com Rodrigo Pacheco. Os dois partidos têm todas as condições de se entenderem para ver se, quem sabe, um pode ser presidente, o outro pode ser vice, ou encontrar um caminho comum”, disse Kassab.





