Filho e neto de políticos, ele diz que gosta de fazer política.

Ao acompanhar o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, ao Sudoeste, na semana passada, o deputado Anibelli Neto concedeu entrevista ao Jornal de Beltrão no estúdio da Ação TV. Ele falou de sua origem na região. Seu pai e seu avô foram deputados eleitos por Clevelândia (Antônio Anibelli: deputado estadual de 1950 a 1962 e federal de 1963 a 1970; Antônio Martins Anibelli, deputado federal de 1975 a 1982).
Nesta entrevista, ele fala do Sudoeste, do pré-candidato Alexandre Curi, de sua vida política e inclusive deixa uma mensagem para quem quer fazer carreira na política, mesmo sendo jovem e pertencendo a uma família que não é de políticos.
– O que representa para o senhor cada vez que o senhor vem para o Sudoeste?
Anibeli: Veja, na vida, eu tenho 51 anos, você procura ser feliz, e, para buscar a felicidade, você tem que ter a sorte de fazer o que gosta, e com muita humildade, mas eu gosto muito de fazer política. O grande prazer dentro da política é fazer partido, agregar grupo, poder efetivamente representar as pessoas com dignidade, com honradez, tendo opiniões muitas vezes contrárias dentro do diálogo, dentro da democracia, mas efetivamente tentando deixar uma história. Porque quando eu venho aqui, eu estou falando em nome da história da minha família. O meu avô, o meu pai, e a gente tem uma responsabilidade maior. É um sentimento que nos deixa muito orgulhoso quando alguém faz um elogio. “Você está muito parecido com o teu pai, você faz um discurso que me lembra o seu avô, você vem aqui demonstrando que a tua família tem na palavra, no respeito, o companheirismo efetivamente é sua marca.” Cada político tem a sua história, a sua biografia, os seus desafios, e nós também não somos diferentes.
– Sua família era do Sudoeste, mas sua formação foi em Curitiba, conhece bem o Paraná todo. Como o senhor vê o nosso Estado, na comparação, por exemplo, com o Rio Grande do Sul, de onde veio muita gente aqui do Sudoeste?
Anibeli: Sim, veja, o Paraná é um estado diferente geograficamente do Rio Grande do Sul, nós somos brindados com o Trópico de Capricórnio. A realidade da agricultura, da pecuária na região Norte é completamente diferente da região Sul, talvez, acredito, seja a União, o Estado da Federação Brasileira que tem mais diferenças. As culturas, as raças de boi, o tipo de agricultura é diferente, nós aqui, eu tenho orgulho de dizer, das brigas que tivemos do soja-safrinha. Era uma situação que começou em Mariópolis, Clevelândia, onde nós tínhamos a possibilidade de fazer aquele outro plantio que daria mais renda. Me lembro, como se fosse hoje, num estudo que fiz, que a soja-safrinha representaria, na época, uma injeção de mais de R$ 250 milhões na economia do Sudoeste. Portanto, você estar hoje acompanhando alguém que escuta, que respeita, que vai unir uma série de biografias, de conhecimentos de causa em prol de um crescimento do Estado, é um momento fantástico. E o Alexandre está com essa disposição, está com essa garra, está com essa vontade.
– O senhor diz que o atual modelo de desenvolvimento do Paraná é bom e deve continuar?
Anibelli: Isso tem que continuar, e quem nós achamos que é a pessoa que pode efetivamente representar essa continuidade, com o seu estilo próprio, com o seu conhecimento das cidades, das pequenas cidades, é o Alexandre. Portanto, é assim que nós entendemos. O jogo limpo abriu, e política, agora nós começamos uma caminhada tentando crescer o nosso grupo, trazendo outras lideranças, pessoas que efetivamente amem o Paraná, que estão satisfeitos com esse modelo e que querem que isso continue. Portanto, é um dia fantástico, e eu tenho certeza que essa caminhada, Ivo, ela vai chegar lá na frente com resultados muito importantes.
– Como está o MDB do Paraná hoje?
Anibeli: O MDB hoje, que eu tenho orgulho desde a juventude de fazer parte desse partido, que eu tenho orgulho de dizer que lá, no dia 24 de março de 1966, 120 congressistas assinaram a criação do Movimento Democrático Brasileiro. E o meu avô foi um dos 120 congressistas, eu soube isso há dois anos, quando eu estava em Brasília, na sede do MDB nacional. O MDB é como uma raiz profunda, pode existir a seca, a enchente, o temporal, mas ele continua firme e voltará a dar frutos. O MDB tem história, tem serviço prestado. Dia 24 de março desse ano, toda a executiva resolveu fazer uma homenagem ao MDB. Reservamos um local em Curitiba, nossa perspectiva era ter 500, 600 pessoas, apareceram mais de 1.800 pessoas, porque fomos brindados pela Fundação Ulysses Guimarães, naquele momento, começar uma discussão do Brasil que queremos. E fomos brindados pela presença do presidente Baleia Rossi, pela presença do presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Alceu Moreira, deputado federal do Rio Grande do Sul, e foi algo fantástico. E o Alexandre Curi foi lá prestigiar, ele já foi do MDB. E isso tudo é uma energia positiva, e hoje, aqui em Beltrão, às quatro horas, na churrascaria Pampeana, nós vamos tentar passar essa energia positiva para as lideranças. Para que eles vejam que efetivamente é o melhor, que ele tem condições de liderar esse processo, para que o Paraná continue avançando. E esse é o desafio, esse é o objetivo e esse é o nosso sonho. Portanto, hoje a gente faz o início de uma caminhada, que, se Deus nos abençoar e der tudo certo, vai culminar numa candidatura, discutindo, argumentando, indo para o enfrentamento, mostrando efetivamente que é o melhor quadro, para que nós possamos continuar fazendo o Paraná avançar.
– O deputado Anibeli Neto vem de uma família tradicional política. Mas nem todos os políticos conseguem fazer seus filhos políticos. Quer dizer que a origem do político pode ser tanto de uma família tradicional como não.
Anibeli: Um médico, filho médico. Um advogado, filho advogado. Um pintor, filho pintor. Um cantor, filho cantor. Veja, eu entrei em 1991 em Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná, naquela época eu tinha 17 anos. Poucas vezes entrei no centro acadêmico, mas a vida nos traz situações e eu acabei, lá na frente, resolvendo fazer direito. Tive um acidente de carro e naquele momento eu acabei falando: “Não, eu quero fazer direito”. E dentro do direito da Universidade do Paraná, no primeiro ano eu acabei já disputando como vice-presidente do centro acadêmico e acabamos ganhando por 23 votos. No ano seguinte eu acabei sendo candidato a presidente e acabei ganhando a eleição. Na sequência, fui reeleito, na sequência fizemos um grupo político para disputar o Diretório Central dos Estudantes. E eu já na juventude do MDB, ganhamos o Diretório Central dos Estudantes, fomos para um congresso da União Paranaense dos Estudantes. Nós acabamos criando os delegados que fomos lá e tínhamos condições de até disputar o congresso, mas acabamos nos unindo na época à JS, e eu fui indicado como vice. Logo depois, uma outra força veio nos procurar e disse: “Você pode ser o nosso candidato a presidente”. Eu disse: “Não, nós já demos a palavra”. E fui vice, e aí acabou que o presidente acabou renunciando, foi candidato a vereador em Cascavel e eu assumi a União Paranaense dos Estudantes, como também a juventude do PMDB. Isso fez com que a gente efetivamente fosse tomado do espírito público. Dentro do estatuto do meu partido, diz que deve-se tratar desigual os desiguais, fazer efetivamente as políticas para ajudar aqueles que mais precisam, dentro do sentimento que eu falei no início da nossa entrevista, ser feliz. Portanto, confesso, eu tenho muito prazer em estar com as pessoas, tenho muito prazer em estar com os emedebistas, tenho muito prazer de ver que a chama deste partido continua acesa. Ninguém é maior que o MDB. Tantos governadores que já saíram do partido e o partido continua firme, e hoje tem tudo para crescer.
– E o que o senhor diz para um jovem que não é de família tradicional política, não tem ninguém na família política, mas ele sonha com política, pretende tornar-se político?
Anibeli: Veja, o nosso partido tem, através da Fundação Ulysses Guimarães, cursos de formação política, que são gratuitos, eu tenho percorrido o estado. Semana passada eu estava na região Oeste, quantas pessoas vieram me falar: “Eu fiz o curso da FUG, fui candidato, não me elegi, mas estou me preparando para a próxima”. Porque quando você vai colocar seu nome à disposição, você pode ganhar ou pode perder, mas mesmo na derrota você ganha, porque você conhece mais a realidade do seu município, você é mais conhecido, você torna-se uma figura pública. E efetivamente, indo atrás, eu vou lhe dizer uma coisa, a eleição que eu tinha mais certeza que eu ia ganhar, eu perdi. Sabe qual foi? De orador da turma. Existiam duas turmas, a turma A e a turma B, a turma B era minha. Tinha sete candidatos, cada um fez e eu, digamos, ganhei a prévia. E aí lá na outra, ninguém queria, mas de repente, aí escalaram uma menina para fazer, e ela foi a indicada. E aí quando nós dois fomos disputar, aqueles que perderam de mim votaram nela, e eu perdi a eleição. Veja como é a vida. É uma coisa que eu falo com muita alegria, porque a política é também isso, tudo que nós fazemos tem a política.
– É o caso do Adolfo aqui, que se candidatou a primeira vez no ano passado e não se elegeu; quase se elegeu, mas não se elegeu.
Anibeli: E eu vou dizer para o Adolfo, vou dizer para o senhor, o que a minha mãe um dia me disse. O avô do Alexandre Curi, o Aníbal Khury, foi candidato a vereador de União da Vitória. E ele perdeu a eleição. E o pai do Aníbal chegou para ele e disse assim: “Meu filho, agora você já sabe o que é perder uma eleição. E você vai aprender o que é ganhar uma eleição”. Veja bem, eu digo pra você: “Você não perdeu, você avançou”. E Deus lá em cima sabe o que é melhor para nós. Naqueles momentos mais difíceis que todos nós temos na vida, e eu também tive, tive um câncer há 16 anos, um ano antes de eu ser candidato. Chegou um momento que eu disse para o meu pai: “Pai, eu não tenho condições”. E ele disse: “Nós vamos enfrentar. Porque se você não for, eu caio fora também”. E isso, às vezes, quando a gente está mais cansado, chateado, toca no coração da gente e fala: “Não, nós temos que continuar”. Nós estamos aqui para honrar de onde nós viemos e para que a gente possa continuar avançando.








