A reunião com a diretoria do banco aconteceu na sede do BNDES; avicultores expuseram preocupação com financiamentos subsidiados para empresários e os agricultores familiares estariam excluídos.

O deputado federal Assis do Couto (PT), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, o presidente da Frente, deputado Heitor Schuch (PSB-RS), e representantes da Associação dos Avicultores Integrados do Sudoeste do Paraná (Avisud) estiveram no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no Rio de Janeiro.
Na pauta da reunião, a preocupação com os impactos do financiamento de modais da BRF, investimentos e reformas dos integrados e propostas para aquecer o mercado local. Assis do Couto, Claudiney Colognese e Adimir Pastri, representando associações regionais de produtores integrados, e o deputado federal Heitor Schuch foram recebidos pelo diretor do BNDES, Henrique Paim.
“Levamos ao BNDES as preocupações sobre os impactos dos financiamentos subsidiados de modais que excluem os agricultores familiares tradicionais”, comentou o deputado. A instituição de crédito teria disponibilizado R$ 4 bilhões, via Banco do Brasil, para a construção de grandes aviários. Claudiney disse que a linha de crédito para construir grandes aviários será de R$ 3,8 milhões. Há pouco mais de um mês, a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou um requerimento do deputado Assis para realizar uma audiência pública e debater os programas de incentivo na área de agropecuária mantidos pelo BNDES e os reflexos dessas medidas no setor da agricultura familiar, em especial aos produtores integrados de aves.
A preocupação do deputado é que os financiamentos dos grandes aviários, os modais, todos mantidos por produtores não vinculados à agricultura familiar, pode gerar uma concorrência direta com aqueles que atuam no regime de agricultura familiar, praticando as atividades em pequenas estruturas. “Muitas famílias da região Sudoeste dependem, hoje, da produção de aves para seu sustento. E essa cadeia econômica também faz parte do desenvolvimento da região como um todo”, acrescentou o deputado.
A reunião no Rio de Janeiro veio substituir a audiência pública, levando em consideração que na oportunidade os próprios representantes dos integrados puderam debater o assunto com a diretoria do banco.
“Nós também apresentamos ao banco uma demanda por reformas e ampliações de estruturas dos integrados. Aproveitamos a oportunidade para expor um plano, uma proposta, para pequenas plantas industriais que possam atender o mercado local e institucional, como o Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa Nacional de Alimentação Escolar. No caso das escolas, através do fundo social não retornável de conveniados com a Unicafes e a Cresol”, discorreu o deputado.
Os diretores da Avisud informaram ao diretor do BNDES que o limite de R$ 300 mil para construir um aviário não é suficiente para as obras e equipamentos. “Hoje precisa de R$ 500 mil pra fazer um aviário no padrão da Agrogen”, ressalta Claudinei Colognese.
Para o deputado, a reunião foi extremamente positiva. “Todas as propostas foram bem acolhidas pelo diretor e sua equipe.” Assis destacou também a importante abertura de um canal com o BNDES para garantir que a missão de desenvolvimento social do banco seja, cada vez mais, aplicada na prática.





