Modelo de avião será a “aeronave crítica” do aeroporto após a ampliação.
O projeto de ampliação do Aeroporto Juvenal Cardoso, apresentado pela Prefeitura de Pato Branco, prevê diversas melhorias na estrutura do local para elevar sua categoria e receber aeronaves maiores. Hoje o aeroporto comporta a operação do ATR-72, mas com algumas restrições: a intenção é adequar a operação irrestrita do ATR e poder também receber aviões como os Embraer 195 e Boeing 737-700 (aeronave crítica pelo projeto).
Para isso, o aeroporto precisa ser remodelado. Um novo terminal com cinco mil metros quadrados, novo pátio de aeronaves e nova cerca estão previstas no projeto. O impacto maior, porém, é em relação à área livre nas laterais da pista, que obrigará a retirada do atual terminal e pátio de manobras. A pista passará a ter 45 metros de largura (hoje são 30) e mais 150 metros de área de segurança em cada cabeceira, ampliação que demandará pelo menos R$ 10 milhões em aterros, segundo o prefeito Augustinho Zucchi (Podemos) – a estimativa é investir R$ 50 milhões em toda a obra.
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Um dos desafios para executar a ampliação é a desapropriação de áreas do entorno do aeroporto, incluindo lavouras e terrenos residenciais. O comprimento da pavimentação da pista – chamado de distância declarada – não deve ter significativas alterações (hoje são 1.400m entre cabeceiras e 1.620 no total), mas o nivelamento após as cabeceiras dará mais 300 metros de área de segurança. Esse espaço só é utilizado caso o avião toque antes da cabeceira no pouso ou ultrapasse o fim da pista na corrida de decolagem.

A pedido do JdeB, o engenheiro mecânico Marcelo Dacorregio calculou a extensão necessária para operação de um Boeing 737-700 em Pato Branco. As estimativas foram feitas considerando peso total de 58,9 toneladas na decolagem e 54,4 toneladas no pouso, em condições de pista seca e temperatura de 15 graus, a 825 metros do nível do mar. Os cálculos projetaram a necessidade de 1.520 metros para decolar e 1.448 metros para pousar.
As distâncias são bem próximas às do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, que está na mesma altitude de Pato Branco, mas possui pista maior (1.750m). Lá operam 737, mas com restrições quanto ao tempo e peso, capacitação dos pilotos e com pavimento especial. Além disso, pistas mais próximas dos limites das aeronaves tendem a ser preteridas pelas companhias por desgastarem mais rapidamente freios e motores e aumentarem o custo de operação.

Ampliar ou fazer um novo?
Atualmente o aeroporto de Pato Branco oferece voos diários até o Afonso Pena, operados pela Azul, e com bons índices de ocupação. As lideranças do município estão engajadas no projeto de ampliação – a própria Azul teria manifestado interesse em colocar um E-195 nesta rota, segundo o prefeito – atrair mais companhias aéreas e caracterizar o aeroporto como regional, em oposição ao projeto de construção de um novo aeródromo em Renascença, encampado pela Amsop e estimado em R$ 120 a R$ 160 milhões.
Dacorregio lembra que uma nova estrutura poderia propiciar o planejamento de áreas afins no entorno do aeródromo, reduzir custos de implantação e ampliação com condições de operação mais favoráveis, além de minimizar o impacto à vizinhança. Porém, lembra que os aeroportos da região servem basicamente ao transporte de passageiros e que a logística de cargas deveria priorizar o escoamento da produção via ferrovias.




