Greve provoca desabastecimento e paralisação de serviços

Falta combustível na região. Prefeituras e empresas estão reduzindo ou paralisando suas atividades.

No Posto Toscan, diesel não vai faltar, mas etanol e gasolina acabariam ontem ainda.

Foto: Adolfo Pegoraro/ JdeB

A paralisação dos caminhoneiros está provocando desabastecimento nas cidades de todo o País. Ontem, os postos de combustíveis de Francisco Beltrão registraram filas e mais filas. Chegaram ao final do dia sem estoques. Se o movimento continuar, setores da economia ficarão completamente paralisados gerando prejuízos incalculáveis.

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Empresários e gerentes de postos de gasolina estão preocupados com a falta de perspectiva de receber o produto. O empresário Vicente Cláudio Bordin, popular Nine, do Posto Beira Rio, disse que em uma situação normal seu estoque duraria mais três dias, mas como há uma correria aos postos, deveria acabar até o fim do dia de ontem. “O pessoal fica apavorado e vem abastecer, mas a gente entende, todo mundo quer se precaver.”

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No posto Vila Nova, a gerente Vandreia informou que o etanol tinha acabado pela manhã. “Gasolina e diesel tem mais um pouco, mas continuando essas filas acaba até o meio-dia.” No posto Água Branca, a gerência estipulou um limite de 30 litros por veículo. Mas a tendência era ter combustível só até ontem.

Todos os postos de gasolina de Francisco Beltrão registraram fila o dia todo.

Foto: José Delmo Meneses Junior/ JdeB

 

Situação insustentável
O empresário Humberto Toscan, que tem rede de postos e empresa de transportes, falou que a situação está insustentável. Ele defende a mudança da política de preços do Governo e apoio ao movimento dos caminhoneiros. Conforme disse, o desabastecimento já é real. “Temos um estoque bom de diesel S 500, uns 300 mil litros, portanto não vai faltar, mas etanol e gasolina deve acabar ainda hoje (ontem) em nossos postos. Em situação normal, teríamos gasolina pra uns três dias, mas o pessoal se afoba, vai com galões, enche o tanque, com medo de ficar sem.”
O empresário transporta combustível para postos de Francisco Beltrão, Marmeleiro, Realeza, Salto do Lontra e Dois Vizinhos e todos estão na mesma situação de desabastecimento. “Temos cinco caminhões carregados parados em bloqueios.”

Toscan salientou que o combustível representa 65% do custo do frotista. “A conta do embarcador não é igual do transportador. Você leva 15 dias pra receber. Carrega aqui e leva pra Paranaguá, tem que esperar vir o comprovante de lá pra receber. Neste período, o que você vai receber já não abastece o que você gastou de combustível, porque o preço aumenta todo dia.” Para minimizar o prejuízo, o empresário disse que foi obrigado a cortar prazo de clientes que abastecem em seus postos. “Nós fazíamos 30 dias pra pagar, baixamos pra 7 dias + 7 dias, ou seja, é os mesmos 14 dias que temos de prazo para pagar.”

Correios já não recebem encomendas
A Agência dos Correios em Francisco Beltrão também não está mais recebendo encomendas. O gerente Delmar Rodrigues Junior diz que 100% do transporte é pelas rodovias na região Sudoeste, portanto, muita coisa não chega. “Não podemos fazer nada, nosso País tem dimensões continentais e quase tudo é transportado pelas rodovias.”

A Petrobrás anunciou redução nos preços. O diesel vendido na refinaria, que estava R$ 2,3351 baixou para R$ 2,3083 (-1,15%) e a gasolina de R$ 2,0433 para R$ 2,0306 (-0,62%).

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