Índios querem mais áreas de terra particular

Índios querem mais áreas de terra particular

Os índios da aldeia de Palmas estão reunidos em protesto por mais espaço. Desde segunda-feira, eles ocupam propriedades particulares reivindicando 190 hectares que, segundo eles, deve fazer parte da reserva indígena que possui 3.744 hectares. Uma das terras pertence à família Andraschko que já pediu na Justiça a reintegração de posse.

Mauri dos Santos Oliveira, um dos líderes do movimento indígena, garante que os cerca de 600 índios reunidos vão se manter firmes no movimento enquanto não houver acordo. Eles reclamam que a própria Funai, a Fundação Nacional dos Índios, errou na demarcação da área destinada às aldeias.  “Ficou fora um pedaço de terra. Nós já pedimos, mas a Funai vai empurrando e não resolve nada”, justificou. “Não vamos sair”, ameaça.

Segundo Daniel Andraschko, a família é proprietária da terra há muitos anos, desde 1890. “Em 1930 os índios se tornaram vizinhos. Em 2000, a área passou por um estudo antropológico. Mas em 2011, quando começamos a extrair pinos de reflorestamento, os índios trancaram a estrada e demonstraram tentativa de invasão. Entramos na Justiça e recebemos uma liminar ao nosso favor. Na semana passada, reiniciamos a extração de madeira e eles invadiram a propriedade”, resume.

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Ainda segundo Daniel, o local não é reconhecido nem pela Funai como área indígena. “Nós pedimos a reintegração de posse e foi determinado um prazo de 24 horas. Este prazo expirou ontem (quinta) por volta das 15 horas. Agora estamos esperando uma intervenção da Justiça”, informou.

Há informações de que índios de aldeias de Chapecó e de Abelardo Luz, em Santa Catarina, vieram a Palmas para apoiar  a manifestação. 

 

Versão da Funai

João Batista Oselame, coordenador regional substituto da Funai de Chapecó (SC), informou ontem à tarde que aguarda orientações superiores. “Nós estamos com um pessoal em Brasília pedindo a liberação de um técnico pra vir fazer o estudo antropológico e verificar esta área reivindicada pelos índios. Pra saber se aquele espaço é contemplado pela reserva indígena”, explica.

Batista reconhece, ainda, a falha da Funai na demarcação da área, em 2005. “Na época já constava na ata de recebimento das terras a constatação dos índios de que eles não estavam de acordo. Eles disseram que não tinha sido considerada no estudo a cabeceira do Rio Lontra que fica mais ao norte da região”, comenta.

A estimativa de João Batista é que, com a liberação do estudo técnico, os trabalhos devem levar cerca de duas semanas. Só depois deste período é que o conflito poderá ser, enfim, resolvido.

Na região Oeste de Santa Catarina há divergências entre indígenas e proprietários de terra. Pouco tempo atrás, uma entidade que defende os interesses dos agricultores denunciou que o governo quer destinar mais áreas para os índios.

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