Ele anunciou que a Emater vai contratar mais técnicos em 2016.

O plantio da safrinha de soja será mesmo proibido no Paraná. A confirmação foi dada pelo secretário estadual de Agricultura, Norberto Ortigara, em visita ao JdeB. Em entrevista, ele falou sobre o cultivo de soja, produção de leite, transformação do leite em subprodutos e o chamamento de aprovados em concurso público para trabalhar na Emater. Ortigara falou, ainda, sobre o programa de demissão voluntária (PDV) da Emater.
JdeB – Há uma curiosidade com a situação da safrinha de soja. Como que vai ser, ela foi proibida mesmo?
Ortigara – Durante a Feira de Agricultura de Pato Branco eu fui questionado sobre o assunto e eu disse que não tinha papas na língua e que eu ia receber na bucha, mas era a minha opinião e de lá pra cá a coisa evoluiu e nós fizemos aí umas seis reuniões técnicas no interior que culminou com a edição da semana passada (segunda semana de outubro), da Agência de Desenvolvimento Agropecuário (Adapar), disciplinando o cultivo de soja, e o plantio fora da época, recomendada pelo calendário agrícola do Ministério da Agricultura e pela necessidade sanitária. Mas a decisão foi absolutamente técnica, de prevenção, uma medida preventiva quanto à inviabilização da soja no Paraná, no Brasil e no Sudoeste do Paraná. O quadro que nós temos dos grupos das moléculas químicas, que nós temos para o controle da ferrugem, elas estão mostrando já de baixíssima eficiência e, por outro lado, estamos encontrando uma alta resistência dos fungos, porque nós estamos ficando com nove meses do ano praticamente com soja verde no nosso ambiente que é onde se prolifera o fungo e no horizonte da indústria química pelo o que afirmam as empresas não há nenhuma molécula nova potente à vista nos próximos sete, oito, dez anos. E continuando do jeito que está, nós não vamos mais ter soja, porque vai ter que usar sete, oito, dez aplicações e não vai conseguir fazer o efeito. Esse drama nós já vivemos no Paraná quando nós tivemos que enfrentar o mosaico do feijão, porque o Norte do Paraná não plantava feijão por causa da mosca branca que transmitia mosaico e até que a ciência veio e deu uma volta nisso, melhorou, deu resistência, tolerância e hoje a gente planta e colhe feijão mecanicamente, inclusive e uma boa safra no Norte do Paraná. Mas nós estamos longe ainda desse salto tecnológico, tanto pela indústria química pela Embrapa que pesquisa soja, as empresas privadas. Então, como medida preventiva e não é pra sacanear ninguém não, não é pra sufocar o agricultor, mas tentar manter viva a sua chance de continuar plantando soja, com o plantio a partir de 21 de setembro até final do ano, isso que está disciplinado. Fora disso não tem soja e quanto mais tempo ficar sem soja no ambiente, melhor será para todos, vamos ter que sim ajudar o nosso agricultor e, antes disso, cultura e sob cultura, soja sobre soja, sempre é ruim agronomicamente. Então, a portaria da Adapar proíbe essa produção de soja sobre soja até como forma de não proliferar ou de manter a condição dos fungos da ferrugem. (Vão dizer) Ah, mas o Sudoeste do Paraná é diferente, porque faz silagem e depois colhe no começo de janeiro e depois planta soja, tudo bem, eu até reconheço isso, mas nós não temos nenhuma, eu sei que alguns têm sucesso, mas o nosso drama é que isso perpetue a soja no ambiente e isso fora de qualquer recomendação técnica, nenhuma entidade de pesquisa apoia isso, não tem nada que apoie isso e acho que é inteligente sim. Mas vamos ter que achar uma outra alternativa econômica, uma outra atividade que faça o bom uso do solo nesse pedaço de ano quando não terá mais a soja, então a partir de janeiro não tem mais plantio de soja safrinha no Paraná.
JdeB – Falando do leite, existem investimentos futuros e na industrialização pra região o leite pra não ter que levar pra Santa Catarina e pra São Paulo pra industrializar?
Ortigara – Nós estamos melhorando muito mesmo, eu conheço a realidade aqui desde os velhos tempos, desde a vaquinha amarrada na corda no meio da estrada, e hoje é uma bacia potente, mas é claro que dá pra crescer muito mais, ainda, em produtividade e dá pra crescer mais em qualidade também, menos porcaria no leite, contagem bacteriana, células somáticas, mais gordura, sólidos totais, tem todo um avanço que está sendo trabalhado nos três estados do sul, então temos espaço pra vaca produzir mais leite na sua média por dia, e que esse leite seja melhor e sendo melhor pago, virar um bom derivado e um bom produto. Nós estamos trabalhando com um cenário de uma possibilidade de que aqui dez anos, quinze anos, nós tenhamos um bom exportador de leite, a Rússia hoje já comprar da gente, com o polo já afirmado, mas pra isso nós temos que melhorar muito ainda, então as principais bacias leiteiras, o sudoeste, o oeste, a região tradicionalista dos Batavo, o norte pioneiro onde fazemos um esforço também, o noroeste todo que fazemos um esforço também que é pra qualificar, aqui estamos instalando uma unidade de referencia em todos os municípios, capacitamos dezenas e dezenas de técnicos públicos e privados pra ser bom em leite, estamos operando com chamadas públicas, com dinheiro nosso e dinheiro do governo federal, pra dar uma atenção mais qualificada para o produtor rural, pra que ele possa ter uma pastagem melhor, comida melhor, sanitário melhor, boas práticas melhores e nós vamos crescer e eu tenho certeza que tendo essa condição de leite melhor nós vamos ter indústria local, mas indústria daqui querendo processar mais ou indústria grande de fora que querem vir se instalar aqui. Nós temos hoje alta sociedade na indústria do leite, que existe já há alguns anos e que é uma sociedade bastante alta e a indústria ruim tem que ser expurgada, aquele que sacaneia o leite tem que ir pra cadeia, é tiro no pé de quem produz. Então, pra você ter uma ideia, a grande maioria dos produtores são gente boa e que estão centrados e perseguindo um padrão porque o leite é bom, permite uma renda mensal, soja se tudo correr bem, é uma vez por ano que produz lucro, e o leite não, o leite permite fazer o acerto de contas todo mês, o leite permite esse ingresso de receitas e quando ele é bem conduzido. Mas veja bem, ele é escravizante, mas quando bem produzido, ele dá resultado e o Sudoeste já provou isso e pode ir pra dois bilhões de litros por ano fácil, fácil, o esforço não é tão grande. Então, assim, todos os municípios do Sudoeste que estão sendo trabalhado com unidades, a gente mostra como fazer bem feito, nada que muito dinheiro vá lá, e compra a solução, é rústica mesmo, pode ser melhor gerenciada, com boas práticas, boa comida pro animal, boas soluções e jeito de fazer e isso pode crescer rapidamente pros dois bilhões de litros do Sudoeste, é só trabalhar um pouco, isso vai cinco, dez anos, e passa muito disso, se quiser isso dá volume, o que acaba atraindo indústrias, pode ser uma pequena ou grande indústria, o importante é que elas venham para cá, a gente pode fazer esse jogo também, assim como nós fizemos com o frango que a gente não era nada e hoje estamos como um grande (produtor), no mundo. Então, dá pra fazer esse jogo. E quando eu falo que é escravizante é porque é mesmo, porque é todos os dias do ano em função do leite, é férias, não tem feriado, não tem nada.
JdeB – A ideia, então, é reforçar a qualidade e a quantidade, e as indústrias vem como uma consequência?
Ortigara – Isso como uma consequência, mas se precisar atrair capital nós vamos atrair, a última que veio foi a francesa, que tá chegando e que veio brigar com a própria Nestlé, mas não interessa, porque pra mim um leite que possa virar um bom derivado aqui no Sudoeste em uma indústria, pra mim está agregando valor, quanto mais a gente fizer isso, só que pra brigar no mundo precisa ter volume, não pode chegar lá com um contêiner e de vez em quando, querer vender, e tem alguns países como a Rússia que querem o nosso produto, o leite e os derivados eles precisam muito disso, só que eu tenho que ter boa qualidade, regularidade de oferta, constância de oferta, um bom produto, leite em pó, mas leite concentrado, várias formas de leite, eles precisam, menos água, porque a gente não pode transportar água daqui pra grandes distâncias, que aí não vale a pena. E estamos no esforço de qualificação, de preparação do agricultor, mexendo na essência que é a comida, o efeito é a comida e a boa prática, a lavagem das mãos, isso é a boa pratica que são coisas simples de fazer e que melhoram muito. É claro que quando eu faço isso a indústria tem que conhecer o meu leite, que ele vale mais do que o outro, o volume é eficiente, essas coisas, devagarinho está pegando o jeito e daqui a pouco vai avançar pra isso. Leite bom e quem compra reconheça que é um leite bom e que não é uma água branca.
JdeB – O senhor acredita que nessa realidade, nesse investimento em qualidade e quantidade, tem uma tendência em centralizar em propriedades grandes, deixando o pequeno produtor?
Ortigara – Sinceramente não, eu conheço muitos agricultores que tinham 10, 20, 30 litros de leite por dia tirado na mão e que hoje continuam como pequenos produtores, com 30, 50 vacas e produzindo 700, 800 litros por dia e não são fazendeiros ricos, são de pequenas propriedades, de pequenos sítios, produzindo bastante volume, não é invenção, não é pegar a melhor genética e colocar no pasto, mas sim pegar uma genética adequada, meia boca, razoável e colocar num pasto melhor, numa pastagem, num suplemento feito de silagem, que você possa extrair da genética mais leite por dia. E você vai ter a tendência pra grandes produtores nessas ordenhadeiras robotizadas, nesses carrosséis, nessas coisas malucas que alguns e outros fazem na frente de todo mundo, mas como mediana não, como mediana até como modo é o que mais tem é fazer do jeito tradicional, um plantel melhorado, uma quantidade pouco maior de animais, mas assim como é no frango, é por baixa insuficiência na produção, então a indústria quer colocar quatro aviários juntos aí acaba excluindo o cara que é ineficiente, não contrata mais e o leite não, nós somos autônomos, pouco integrados, mas temos sim as nossas relações comerciais. Mas eu não diria assim que seria necessariamente privilégio de grandes produtores.
JdeB – O chamamento dos aprovados no concurso público da Emater já tem uma previsão?
Ortigara – Tem sim e ontem (dia 15) foi objeto de um pequeno entrevero nosso do governo. Mas, assim, não estamos contratando gente pra dar emprego, nós estamos nomeando gente pra Emater porque precisa ajudar os agricultores a serem melhores profissionais naquilo que eles fazem. E um esforço técnico, com um pouco de apoio técnico, ele ajuda a compreender, a maturar melhor a decisão do agricultor nas coisas e, por via de regra, transforma ele num profissional melhor do que é. A decisão é do agricultor, nunca do técnico, mas se o agricultor é um cara bem orientado, ele faz as coisas de uma melhor maneira, ele compreende melhor as tecnologias. Nós estamos precisando desesperadamente renovar (o quadro de pessoal), de oxigenar, trocar porque a última grande leva tem mais de 23 anos que foi feita e estamos com mais de 400 profissionais aposentados, estamos com 30 e poucos escritórios sem ninguém, estamos com 170 escritórios com uma única pessoa, a idade média estamos perto dos 60 anos de idade, estamos com idade de trabalho acima de 36 anos de serviço. Então, é tudo gente boa, que rendeu ao longo do tempo, mas como qualquer empresa, ao longo do tempo precisa ser renovada, senão você morre e fecha as portas. Fizemos o concurso e lamentavelmente esse ano foi o ano de saia justa, de grana, e a gente perdeu um bocado de tempo, o concurso está pronto, eu tive um desentendimento com o governador (Beto Richa) durante o fim de agosto, e concentrado na Fazenda, dizendo que nós iríamos publicar o decreto sobre o incentivo de demissão no dia 30 de setembro que nós e eu acabei concordando, pelo espírito de unidade de equipe, e nós no dia 29 de fevereiro vamos ter a rescisão de contrato de em torno 150 pessoas pra, no lugar, delas nomear os 400 que estão concursados e com o exame admissional feito e essa nomeação se daria no dia 1º de março. E no dia de preparar a publicação do Decreto me pediram dois dias, 29 e 30, e quando estava lá a equipe da (Secretaria da) Fazenda inteira fechada, discutindo o plano pra 2016 e a lei orçamentária pra 2016. Então, dois dias não matam ninguém e não tem problema, mas no dia 30 a minha mãe faleceu e eu viajei pro Sul e ainda não tinha publicado. Aí vamos pro “tapa”, fui em cima do Governo, então assim, embora tenhamos atrasado alguns dias a publicação dos termos do PDV, a regra e tal, quem pode aderir e quem não pode, mas isso não me mata, vai ser publicado, preparando a nomeação, mas a gente está com dó no coração de retardar essa nomeação para março e tem reajuste agora em janeiro. Então, vai pesar um pouco mais o gasto, mas em fevereiro saem em torno de 150 pessoas pra nomear no lugar 400 pessoas, então ainda economiza 700 mil por mês.







