Protesto dos caminhoneiros ganha corpo; já falta combustível

BRF ficou com a produção suspensa por falta de embalagens e Pluma também sofre por não conseguir escoar a produção.

Uma fila de três quarteirões se formou neste posto, um dos últimos a oferecer combustível em DV.

Foto: Alexandre Bággio/JdeB

Dois pontos de paralisação dos caminhoneiros estão próximos a Dois Vizinhos, atingindo a mesma rodovia: PR 281. As manifestações acontecem em frente ao Auto Posto Lourenço (na rodovia sentido São Jorge D’Oeste) e no trevo do Alto Bela Vista (sentido Francisco Beltrão e Salto do Lontra).

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O movimento se fortaleceu ontem, quando os caminhoneiros começaram a segurar também as caminhonetes e utilitários que tentaram passar pelo bloqueio, assim como os ônibus de estudantes. “Essas reduções que o governo está anunciando não mudam em nada. São mais de 20% de aumento nos últimos meses, agora vem com essas baixas de 1% que não afetam em nada”, disse um caminhoneiro que não quis se identificar.

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O Sindicato dos Motoristas, Condutores de Veículos Rodoviários, Urbanos e em Geral, Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Dois Vizinhos (Sintrodov) emitiu nota prestando solidariedade ao movimento. O documento destaca que a entidade está ‘à disposição para auxiliar naquilo que for necessário trazendo a todos nossa solidariedade e apoio neste momento’. O Sintrodov ainda ressalta que a luta é legítima ‘pela sobrevivência deste segmento que labuta diuturnamente e não tem o merecido respeito e valorização pelas empresas onde são integrados. Os fretes baixos e o alto custo com o óleo diesel praticamente vem inviabilizando o segmento’.

A Associação Empresarial de Dois Vizinhos (Acedv/CDL) convocou os empresários da cidade (associados ou não) para fechar as lojas na manhã de hoje, para manifestar apoio aos caminhoneiros nos dois protestos próximos a Dois Vizinhos. A nota da entidade destaca que ‘a situação é igualitária a todos neste momento e não somente de alguns setores. Onde precisamos mostrar força e união como associativistas e principalmente como empresários. Percebam que estamos sem condições de gerar emprego e renda devido ao sistema que nossos governantes nos impõe. A hora é agora, vamos juntos apoiar este setor que movimenta nosso País”, diz.

Pela manhã, a reportagem do Jornal de Beltrão entrou em contato com os postos que já apresentavam a falta de combustível. Longas filas se formaram para os consumidores garantirem, ao menos, mais um tanque cheio.

 

Perecíveis em falta
Nos supermercados, começa-se a perceber a falta de perecíveis. “Hoje (quarta) não recebemos hortifrúti e nem carne. Acredito que logo vamos começar a ter falta de alguns desses produtos”, diz Marli Martinazzo Detoni, do No Ponto Centro. Ela destaca que, mesmo vindo de perto, os produtos não chegam. “Nós compramos do Cantu, em Pato Branco e de um frigorífico de Itapejara D’Oeste que não estão conseguindo entregar”, completa. No Ítalo, o problema também está na linha de produtos que estraga rapidamente. “Vamos começar a ter problema a partir de amanhã. Carnes, verduras não estamos mais recebendo, mas temos bom estoque de produtos da linha seca. Alguns produtos, estamos limitando a quantidade por cliente para que todos consigam ter acesso”, diz Otávia Ghedin. A situação é semelhante no Mercado Felini. “Recebemos produtos que vem de propriedades rurais daqui de perto, mas tem algumas coisas que já começaram a faltar nos perecíveis”, explica Darlan Felini.

Grandes indústrias
A paralisação afeta a produção do frigorífico da BRF em Dois Vizinhos, que está com o abate suspenso por falta de embalagem. Normalmente, o trabalho no local é em três turnos. Existe uma preocupação dos avicultores quanto a ração, que está terminando em algumas propriedades. A pluma, que produz ovos férteis e pintinhos, também já acumula prejuízos, já que a produção é programada e começa 21 dias antes do nascimento dos animais. Ao todo, nascem cerca de 400 mil pintinhos na microrregião por dia e a produção não está sendo escoada.

Educação segue normalmente; saúde raciona
A secretaria de educação de Dois Vizinhos se preparou para continuar ofertando aulas até amanhã: todos os ônibus do transporte escolar foram abastecidos. “Nós temos um calendário para cumprir, então vamos levar até conseguir transportar os alunos. Conseguimos abastecer todos os ônibus e estamos racionando o uso dos carros pequenos. Vamos vivendo um dia de cada vez e, se precisar parar, vamos apoiar a manifestação dos caminhoneiros”, diz Luciana Perondi, secretária de educação. A Unisep e a UTFPR mantiveram as aulas normais em Dois Vizinhos. “Estou passando uma orientação aos alunos e servidores sobre os procedimentos caso percam prova ou não consigam chegar até a instituição”, disse Everton Lozano, diretor da UTFPR de Dois Vizinhos.
Já a Secretaria de Saúde vai suspender os transportes não prioritários de pacientes para outras cidades. “Vamos dosar um pouco para alguns casos que podem esperar, buscando manter o atendimento de emergência”, completou.

Na microrregião
Uma manifestação acontece também no trevo de entrada de Cruzeiro do Iguaçu. Segundo informações, cargas perecíveis e carros de saúde estão passando. A passagem de carro de passeio é liberada de meia e meia hora.

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