Aplicativo ajuda poder público a reduzir custos no combate à Covid-19

Ferramenta tecnológica também agiliza processos e amplia cobertura dos pacientes suspeitos ou confirmados.


O Maxi Saúde, aplicativo criado por uma empresa beltronense, se revelou uma importante ferramenta para o controle dos casos de Covid-19 na região. Ele foi desenvolvido para auxiliar os profissionais de saúde no acompanhamento e recuperação de pacientes. Em torno de 20 cidades utilizam o aplicativo. Já foram cadastrados mais de 7.000 pacientes, entre suspeitos, descartados e confirmados. O sistema gerou mais de 12.000 checagens para coleta de sintomas (de forma automática).

O empresário Cledson Lodi, diretor da Agência Studio Imaxis, conta que, quando surgiu a pandemia, a empresa começou a discutir internamente de que forma poderia ajudar e, apesar de ter seus serviços especializados em pagamentos digitais, surgiu a ideia de criar uma ferramenta para auxiliar profissionais de saúde. “A gente queria ajudar, mas não sabia muito bem o que era necessário. Eis que um dia tivemos o contato do Alexandre Pécoits – secretário de Planejamento de Francisco Beltrão – que nos apresentou uma demanda, uma dificuldade das equipes de saúde em fazer o acompanhamento dos casos – isso que naquele momento havia em torno de 70, 80 casos na cidade.” Ou seja, foi um processo de inovação da empresa diante da necessidade e do agravamento da pandemia do novo coronavírus.

Segundo Cledson, as equipes da Secretaria de Saúde tinham que ficar ligando várias vezes ao dia para monitorar os sintomas dos pacientes, tanto os suspeitos como os confirmados, e, obviamente, isso tomava muito tempo dos profissionais. “Então, em cima disso, começamos a desenvolver um planejamento, um plano e fazer o projeto de um aplicativo que pudesse suprir essa necessidade”, resume.
Em 10 dias, a Agência Studio Imaxis definiu o primeiro protótipo e com 15 dias o aplicativo estava publicado. O Maxi Saúde foi disponibilizado gratuitamente para Beltrão e para as prefeituras atendidas pela Amsop. Marmeleiro é o município que tem seguido à risca o uso do aplicativo; foi a primeira cidade, após Francisco Beltrão, que começou a utilizar. Todo o desenvolvimento foi custeado pela empresa. Para municípios de fora da região é cobrado apenas o custo de hospedagem nos servidores.

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Aplicativos similares são disponibilizados por empresas de tecnologia pelo custo mensal aproximado de R$ 10 mil. “O custo está sendo absorvido por nós; ele gera um custo para nós sim, mas foi uma forma que encontramos para ajudar nesta pandemia.” A Agência Stúdio Imáxis está há 19 anos no mercado de desenvolvimento de sistemas computacionais e é uma empresa pertencente ao Nubetec (Núcleo Beltronense das Empresas de Tecnologia da Informação), há mais de 10 anos.

Forma de usar o aplicativo no controle de pacientes de covid
Quando aumentam os sintomas, a equipe de saúde é notificada pelo aplicativo e consegue dar prioridade aos casos que estão mais urgentes ou que têm algum tipo de agravamento. “Pelo que nós estamos acompanhando, tem auxiliado bastante, porque, como o processo de notificação é automático, ele libera as equipes de saúde para outros atendimentos, para atender aqueles casos mais prioritários.”

O paciente só consegue baixar o aplicativo após procurar as unidades de saúde com algum sintoma da Covid-19. Ele faz um cadastro e recebe através de um SMS o link para instalação do APP.

O aplicativo é direcionado para suspeitos e confirmados, para acompanhamento naquele período que ele tem que ficar em isolamento. “É um aplicativo um pouco diferente dos demais em que qualquer pessoa pode baixar o aplicativo e fazer o check-up. Nesse caso não, esse aplicativo é diferente no sentido que atende exclusivamente as equipes de saúde.”

 

Agilidade no acompanhamento dos pacientes

Conforme Cledson Lodi, o aplicativo também ajudou a reduzir custos para o poder público. No caso de Beltrão, por exemplo, havia atendentes no início fazendo várias ligações por dia para os pacientes. “Com o aplicativo, hoje, os agentes vão fazer apenas uma ligação no momento de informar que vai ser disponibilizado o aplicativo e depois somente os casos mais graves, mais prioritários, quando o aplicativo identifica que teve um aumento de sintomas ou alguma outra situação na qual precise ter a intervenção. Imagine que antes você tinha que ter uma quantidade X de profissionais dedicados só para esse contato e, através do aplicativo, você libera esses profissionais para outras atividades, além de ganhar na agilidade do contato e na otimização do procedimento.”
Manoel Brezolin, secretário de Saúde de Francisco Beltrão, comenta que o aplicativo ajuda agilizar os acompanhamentos e reduzir custos, considerando que um profissional consegue acompanhar um número maior de usuários. “Mas não podemos fazer esse trabalho só pelo sistema, algumas pessoas não aceitam, outras não conseguem utilizar o aplicativo. Funciona como um complemento.”
A secretária de Saúde de Marmeleiro, Mariele Romio, diz que o aplicativo foi muito importante, pois veio em um momento que o município já não tinha estrutura para acompanhar caso a caso, devido ao volume de contactantes e número reduzido de profissionais. “O aplicativo facilitou em 90% o serviço de monitoramento, que exigia pelo menos umas seis pessoas, durante o pico de contaminados e suspeitos.”

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