Bonetti, em tratamento de saúde, fala como foi não ser mais pré-candidato a deputado

Antônio Carlos Bonetti durante esta entrevista, na Redação do Jornal de Beltrão.

JdeB – Antônio Carlos Bonetti, 65 anos, sempre gostou muito de política. Mas não só. Exerceu funções políticas, muitas delas amparadas pelo voto, como quando foi prefeito de Eneas Marques (1983 a 88 e 1993 a 96) e vice-prefeito de Francisco Beltrão (2009 a 2012, gestão de Wilmar Reichembach). Em meio a isso, ocupou a função de secretário municipal, como a que exerce atualmente, respondendo pela Administração, e foi também titular da pasta estadual do Meio Ambiente de 2016 a 2018 (gestões de Beto Richa e Cida Borghetti). E agora, desde o ano passado, seu nome estava na condição de pré-candidato a deputado federal pelo PP. Mas daí, entre fevereiro e março, veio o mal-estar e a feitura dos exames, e a constatação de que teria que se tratar, a fim de combater o linfoma (nome técnico dado ao câncer no sistema linfático).

Como foi então que você assimilou o fato de não poder mais ser candidato a deputado em 2018?

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Antônio Carlos Bonetti – Normal. Mas veja bem, nós ali da família, a gente sabia que a tendência era confirmar, e confirmando eu não seria mais candidato. Durante o mês eu trabalhava na hipótese de não ser, mas também vinha mantendo contatos pra ser. Eu trabalhei como pré-candidato até o dia que saiu a biópsia.

Mas, enfim, eu esperei confirmar, né, pra dizer oficialmente que não seria mais. A eleição é difícil. Mas eu acho que tinha um papel importante pra ser cumprido, eu sempre defendi a questão da representatividade, que hoje continua em falta. Nós, hoje, em Beltrão, temos esse vazio, tem esse vácuo e o Sudoeste é meio, é uma região quase como um distrito, que as pessoas votam mais distritalmente do que o resto do Estado, temos o histórico de eleger mais aqui do que outras regiões que têm mais eleitores.

E o trabalho diário

Então, assim, eu estou com atestado médico que recomenda o não trabalho presencial, e de preferência não participar de eventos, aglomeração de pessoas, nem locais fechados, nem elevador, cuidar, dentro do veículo, salas fechadas, enfim, aqueles cuidados básicos que nós aprendemos em relação à gripe, à covid, todo mundo sabe hoje que aprendemos com a pandemia. Mas eu, mesmo assim, estou flexibilizando, eu trabalho um pouco presencialmente, vou um pouco na Prefeitura, faço alguns atendimentos, bem reduzidos, porque é a recomendação, e o restante em home office, que é hoje tranquilo, inclusive a Prefeitura de Beltrão implantou, desde janeiro, o nosso protocolo eletrônico, então eu, em casa, com o computador, eu acompanho tudo, e no WhatsApp.

Hoje, em Beltrão, temos esse vazio, tem esse vácuo e o Sudoeste ele é meio, é uma região quase como um distrito, que as pessoas votam mais distritalmente do que o resto do Estado, temos o histórico de eleger mais aqui do que outras regiões que têm mais eleitores.”

Hoje, a minha função, eu dependo de assinar processos, encaminhar processos, dar parecer em alguns processos e orientações, isso eu faço tudo no computador ou no WhatsApp, no telefone, então eu estou conseguindo tocar meu trabalho normalmente, não deixar nada atrasado. Por exemplo, domingo, eu conferi 350 processos, em casa. Então é basicamente isso.”

Sem coitadismo

O que eu gostaria de frisar, também, é que, muitas vezes, quando as pessoas são acometidas por esse tipo de problema, elas se fecham, se trancam, ficam ranzinzas com a família, com a vida. Eu estou como uma pessoa que sabe que tem um problema, mas tem que enfrentar, e não se comportar como um doente. O coitadismo é uma coisa ruim. Cada pessoa tem jeito de enfrentar as coisas. No primeiro momento eu pensei: Por que comigo? Vêm essas dúvidas, mas daí, não é castigo, ninguém quis, é uma questão que, uma doença, que, de repente, eu passei a ter e tenho que enfrentar.

Eu sempre tive boa saúde, na família eu era o cara, nunca tive problema nenhum, se um dia eu tive lá um probleminha no joelho, era um probleminha no joelho, coisinha insignificante, dor de cabeça, azia, dor de estômago. De repente, eu tenho uma doença grave, então é um choque, é uma pancada, os primeiros dias é horrível, tu perde o sono mesmo, por se questionar: e agora, como é que eu faço? Como é que vamos enfrentar isso? Mas é aí que tu tens que dar a virada, né, tem que fazer a tua parte, tem que ser forte, tem que enfrentar. Agora eu aprendi o que é o “tu tens que ser forte, tu tens que enfrentar”; não é porque alguém disse, mas caiu a ficha, sim: eu tenho um problema, eu tenho que enfrentar.

Contribuir para a sociedade

Eu quero contribuir para a sociedade, não quero esconder: eu tenho o problema, até porque sou uma pessoa pública, dentro do meu histórico de vida aí na política, e pra que esconder? Se eu tenho um problema eu tenho que dizer o que eu tenho, nada mais, nada menos, tem que ser real e ainda dizer pra população que vai ler essa matéria, tome cuidado.

Não é aquele negócio, ah, mas se eu for consultar vão descobrir coisas. Mas tem um lado positivo: você pode gastar mais com diagnóstico, mas você vai gastar menos com tratamento, vai sofrer menos com tratamento, ou vai morrer menos gente ou vai morrer mais tarde.

De repente eu tenho uma doença grave, então é um choque, é uma pancada. Nos primeiros dias é horrível, tu perde o sono mesmo, por se questionar: e agora, como é que eu faço? Como é que vamos enfrentar isso? Mas é aí que tu tens que dar a virada, fazer a sua parte, tem que ser forte, tem que enfrentar. Agora eu aprendi o que é o “tu tens que ser forte, tu tens que enfrentar”.

O médico falava “diabetes” anos atrás, ah!, vai morrer. Agora não, diabetes tem tratamento, então a pessoa pode morrer se não se cuidar, mas se se cuidar e se tratar, vai morrer por outros motivos, e com 100 anos, ou mais, então é nesse sentido que eu gostaria de falar. Mas é principalmente essa questão do diagnóstico que eu acho que é o que a gente tem que fazer esse alerta aí pra população. E eu queria frisar um pouquinho mais que eu falei antes, pessoas como eu que não tinham esse convívio hospitalar, mas que viveu com a vida pública desde os 26 anos de idade acompanhando pessoas doentes, encaminhando, ajudando, até hoje eu ouço as pessoas dizerem “nossa, você ajudou meu pai, minha mãe, encaminhou, encaminhou, encaminhou”, e de repente eu tinha um problema, e eu não tinha convivido desse outro lado, eu só ajudava a orientar, encaminhar, enfim, isso que eu fazia, daí de repente eu me vejo no hospital.

Solidariedade

Eu vi o que era a solidariedade, principalmente dos profissionais de saúde. Gente do céu, isso é um negócio emocionante, como você é tratado pela maioria absoluta dos profissionais da saúde, é um negócio espetacular. O médico é fantástico, os bastidores do hospital, a enfermeira, a técnica de enfermagem, enfim esse pessoal é fantástico.

E uma coisa emocionante dentro do hospital é a solidariedade entre os pacientes, acontece de um ajudar o outro. Aí, de repente, ó, tá sem alimento aí? Eu tenho aqui uma banana; quer uma maçã? Um sanduíche, eu tenho aqui um presuntinho, essas coisas acontecem, é possível nesse setor que eu vou, e eu nunca tinha imaginado, a vontade das pessoas de ajudar é uma coisa espetacular, emocionante mesmo.

Como é a quimioterapia?

Antônio Carlos Bonetti – No dia da infusão dá sonolência, porque eles aplicam dipirona, etc. 500 miligramas, 300 miligramas. Deita, faz um acesso pela manhã e aquele acesso é tirado no fim do dia, após, inclusive, a introdução de duas seringas desse tamanho assim, à tarde, que eu chamo de suco de groselha, que é especificamente lá a químio. Então a gente, no fim da tarde, toma aquilo tudo na veia. Isso aí fica no teu organismo, agindo nos próximos 15 dias né, e aí que a pessoa tem que se preparar, tem que contribuir. Se você não se alimentar bem, se você não dormir bem, se você não repousar, se você entrar em depressão, tristeza ou desânimo, vai piorar, então é por aí, você tem que se ajudar.

Efeitos colaterais

Na primeira vez eu tive uma queda de temperatura brusca, de tremer o corpo todo, mas talvez foi uma questão psicológica; mudança de temperatura também na segunda vez, e eu tive uma crisezinha alérgica na garganta, tive que interromper, retomamos, e foi tudo bem; na terceira eu não tive nada, só sonolência por causa dos medicamentos, mas depois, no dia seguinte, tudo bem. Um dia antes eu tomo, de quatro em quatro horas, dois tipos de remédio: oito da manhã um remédio, meio-dia outro, quatro da tarde outro, vinte horas outro, meia-noite, quatro horas da manhã, que é para preparar o organismo pra não ter enjoos durante a químio. E esse é um sintoma que eu não tive, eu não tive enjoos, nada, nenhum.

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