Como é o tratamento precoce da Covid-19?

“Se o médico achar que é suspeito de Covid, vai passar os medicamentos da fase 1 pelos cinco dias seguintes.”

Médica Flávia Lenzi, que segunda-feira foi recebida pelo presidente Jair Bolsonaro em Brasília, fala como é o tratamento precoce da Covid-19. 

Entre os médicos que foram recebidos pelo presidente Jair Bolsonaro, segunda-feira, em Brasília, estava a presidente do Sindicato dos Médicos de Rondônia (Simero), a gaúcha Flávia Lenzi. Numa entrevista para a SICTV, Programa Viver Bem, da apresentadora Renata Beccária, ela falou sobre o tratamento precoce de Covid.

Renata – O Simero tem acompanhado tudo isso desde o início do processo. Agora, a Covid-19, foi uma doença que transformou os campos de pesquisa em 2020?
Dra. Flávia- A Covid-19, veio para resgatar a ciência, com certeza absoluta. Essa desculpa toda a respeito de o que é Ciência? Como é que a ciência pode ser aplicada ao tratamento das doenças? A Covid-19 veio fazer nós enxergarmos a ciência de novo do jeito que ela deveria ser, ou seja, a verdadeira ciência nasce da observação dos fatos. No caso da Covid, nós temos o conhecimento de uma doença que já se sabe como é a evolução dela— até agora —, não se sabe ainda a longo prazo como ela se comporta, mas essa fase aguda dela já está bem estudada, nós temos um conhecimento, inclusive, com estudos em revelar a mais, a “plus” do jeito que quiserem falar a respeito de drogas, como a Cloroquina, como Ivermectina e Azitromicina. Estudos muito bem conduzidos, porque são drogas com décadas de conhecimento. Cloroquina já é muito usada na Malária, usada em outras doenças virais. Azitromicina também. Então, o que que se fez: sabendo como age, como funciona essa doença e qual é o mecanismo de ação desses medicamentos, nós podemos aplicar a ciência nisso, ou seja, esse medicamento age fazendo isso, isso, isso e isso. Isso se tem nessa doença. Então eu vou aplicar esse medicamento nesta fase. Na próxima fase eu tenho outro medicamento que faz isso. Isso é Ciência. A partir dali, vão evoluindo os estudos, até ter estudos duplo-cego randomizados a respeito da Covid, porque em tempos de pandemia não dá tempo de se fazer isso tudo desse tipo. Então, esse é o resgate da verdadeira ciência, não é aquela ciência patrocinada, aquela ciência que vai fazer falar bem de determinados medicamentos. Por exemplo, na atividade médica diária, não se aplica estudos nivelar o tempo todo. Estudo nivelar é quando tu vai fazer um mestrado ou doutorado, quando tu vai pesquisar uma droga nova, aí tu precisa, mas na prática médica diária a gente vai pelo acúmulo de conhecimento. É claro que, para isso, a gente tem que estudar bastante tempo, o tempo todo.

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Renata – Sobre o protocolo do tratamento precoce, para nós que somos leigos, há como explicar como ele funciona?
Dra. Flávia- Sim, a partir do primeiro até o quinto dia de sintomas— claro que a primeira coisa: o paciente teve qualquer sintoma gripal, o que é um sintoma gripal? Febre, dor de cabeça, espirros, aquelas coisas todas que parece estar resfriado. Vai ao médico, se o médico achar que é suspeito de Covid, é claro que nem todos os médicos prescrevem tratamento precoce, mas aquele paciente tem o direito de querer. “Não, eu quero um médico que prescreve tratamento precoce”, então ele pode ir para onde faz. Se o médico achar que é suspeito de Covid, ele vai passar os medicamentos da fase 1, porque até o quinto dia a gente passa os medicamentos da fase 1. São basicamente: a Cloroquina, Ivermecina, Azitromicina, o Zinco e o Antitussígeno. Mas, tem uma coisa que nosso protocolo, de Porto Velho, que foi bastante inovador, que começou antes e hoje em dia no mundo todo já tem muita gente fazendo, que é a anticoagulação dos pacientes de alto risco desde o início. Antes se usava o anticoagulante só a partir da segunda fase, hoje, a gente sabe que nos pacientes de risco – diabéticos, hipertensos e obesos – o anticoagulante tem que ser dado desde o início para se prevenir os problemas futuros. Bom, a partir de quando ele chega, vai colher exames também.

A partir da segunda fase, do sexto ao sétimo dia, aí troca os medicamentos, vai trocar o antibiótico se for necessário, vai usar o corticoide e aí o anticoagulante praticamente, para mais gente, para quase todo mundo.

Renata – Os medicamentos, o tratamento, essa metodologia vai ser aplicada a todos os pacientes de forma igual?
Dra. Flávia- De forma igual gostaríamos que fosse. Depende muito de onde está. Por exemplo, na Prefeitura nós ainda não conseguimos introduzir a fase 2, do tratamento e nós temos um grande problema com relação ao acompanhamento dos pacientes, como eu falei antes: não basta entregar o remédio. O paciente tem que ser acompanhado, porque às vezes ele começa a tomar o remédio, do precoce, mas é um paciente obeso, ele é um paciente diabético, ele pode evoluir com algumas complicações e a gente tem que estar junto, para diagnosticar essas complicações e já medicar. Então, o acompanhamento é muito importante, isso é um problema no SUS, muita gente, não tem lugar para ir, para acompanhar e, realmente, o nosso protocolo prevê esses acompanhamentos, espero que a gente consiga introduzir. De qualquer maneira, o paciente recebe o medicamento, ele vai fazer alguns exames e, de acordo com aqueles exames, que a gente joga os principais deles são os marcadores inflamatórios. De acordo com esses marcadores inflamatórios é que a gente vai entrando com outras medicações. Existe uma base da qual a gente parte, fase um, com Cloroquina, Ivermectina, Azitromicina, Zinco e o Antitussígeno. Na fase 2, corticoide, anticoagulante e trocar o antibiótico, se necessário. Isso é uma base, mas ela não é receita de bolo, porque cada paciente é um paciente. A gente já sabe que a Covid tem uma característica de mudar, para cada pessoa está tendo uma resposta e, às vezes, diferente da outra. Por isso, que o acompanhamento faz parte do tratamento precoce, o paciente que não for acompanhado poderá evoluir com algumas coisas que não estão na receitinha do bolo e piorar se ele não for acompanhado.

Renata – Pacientes com diagnóstico tardio que apresentam os sintomas mais característicos da Covid, por exemplo, a perda do olfato e paladar, e não têm os outros sintomas. Há necessidade de medicamentos para esse tipo de paciente?
Dra. Flávia- Sempre contamos com o início dos sintomas. Se ele começou com a perda do olfato e do paladar, conta isso como o “dia um” e vai passar a partir daquele dia de acordo com o protocolo.

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