Refluxo ácido: Inca prevê 8 mil casos da doença

Ao longo da última década, as pesquisas vêm mostrando que o refluxo ácido pode causar sintomas atípicos, como tosse, rouquidão, dor de garganta, asma e até mesmo a sinusite crônica. A DRGE também pode causar dor no peito, especialmente se o ácido faz com que o músculo do esôfago entre em espasmo.”Durante anos, observamos pacientes que sofreram por muito tempo com os sintomas atípicos da DRGE melhorarem com o tratamento. Embora geralmente sejam prescritos medicamentos para a redução do ácido estomacal, procuramos evitar uma abordagem que se baseia exclusivamente em ‘uma vida melhor por meio da química’, pois esses medicamentos podem causar outros problemas de saúde. Na verdade, o ideal é tratar os sintomas com ajustes de estilo de vida por si só, quando possível. Tabagismo e obesidade, fatores que aumentam o refluxo ácido precisam ser tratados também”, informa o médico gastroenterologista Sílvio Gabor (CRM-S) 47.042). 

A recomendação é que as pessoas limitem o uso de bebidas alcoólicas, produtos à base de cafeína, chocolate, menta e alimentos gordurosos. “Sugerimos a criação de um diário alimentar para tentar identificar ‘os culpados’, tais como produtos à base de tomate ou de certos alimentos picantes. Se os sintomas desaparecerem, então eles podem tentar reintroduzir as coisas que mais sentem falta posteriormente. Elevar a cabeceira da cama, por vezes, também pode ajudar”, argumenta o médico.

 Riscos do refluxo

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A consequência mais grave do refluxo ácido crônico é o câncer de esôfago. Cerca de 10% dos pacientes com refluxo presente há muito tempo desenvolvem alterações no esôfago que aumentam o risco de desenvolvimento de adenocarcinoma, um câncer mortal com uma taxa de sobrevida de 5 anos, ao redor de 15%. “Com o tempo, as células da camada interna do esôfago sofrem modificações na sua forma. Essa condição é chamada de Esôfago de Barrett, uma doença considerada pré-maligna. Felizmente, apenas um em cada 200 pacientes com esôfago de Barrett desenvolve câncer a cada ano. E nos últimos anos, um tratamento chamado de ablação por radiofrequência tem se mostrado extremamente eficaz no tratamento do Esôfago de Barrett, diminuindo sua possibilidade de se transformar em câncer”, explica o médico.
 

Até 50 anos atrás, mais de 95% dos casos de câncer de esôfago eram causados por “células escamosas”. O carcinoma epidermoide escamoso é causado pelo tabagismo e pelo uso de álcool em excesso. Como o tabagismo tem diminuído, a incidência de carcinoma de células escamosas caiu também. Mas, por razões que não são claras, a adenocarcinoma do esôfago, o tipo relacionado ao refluxo ácido (e ao tabagismo) tem aumentado dramaticamente ao longo dos últimos 40 anos e já responde por cerca de metade dos casos de câncer de esôfago. 

O Inca constatou aumento nessa modalidade de câncer de esôfago. A epidemia de obesidade pode muito bem estar desempenhando um papel relevante no aumento do número de adultos com refluxo ácido.

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