Saúde

Um alerta. Em Live promovida pelo CVV Comunidade (Centro de Valorização da Vida) de Francisco Beltrão, na noite de quinta-feira, Claudia Maio Antonelli, psicóloga na saúde pública, mestranda em Educação e professora na Unipar, abordou a questão do suicídio entre jovens. Esta é a segunda principal causa de morte na faixa etária de 15 a 29 anos, conforme dados da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), de 2018.
Claudia destaca que os adultos procuram uma resposta, como se fosse algo pontual, mas o próprio jovem muitas vezes não sabe dizer o que está acontecendo com ele e as causas de suas angústias. É comum os adultos crerem que o adolescente não tem motivos nem justificativas para sofrer ou ficar ansioso e deprimido. Isso invalida os sentimentos do jovem e causa sofrimento e sentimento de culpa. Ela acrescenta que a sociedade evoluiu, conquistou liberdade de expressão e visibilidade de minorias, mas há um luto “do que se abre mão”, ou seja, sofre-se pelo excesso de opções e toda escolha tem perdas.
Como, pela internet, há acesso a outras vidas, este jovem fica insatisfeito com sua vida “imperfeita”. Vive-se um mundo de desigualdades, pois houve evolução, mas nem todos são beneficiados por ela. “Isso afeta nossa identidade, há ilusão de que a vida é obra de arte, como acontece nas redes sociais.”
As relações trocam qualidade pela quantidade e o individual substitui o coletivo, há culto ao corpo e aos livros de autoajuda. A covid materializa a insegurança e a falta de controle quanto ao fututo. E como fica o jovem nesta realidade? Claudia explica que esta é a geração Z, que é formada pelos nascidos a partir de 1995, portanto, já existia internet. Há uma busca por identidade, os vínculos – tão importantes como forma de apoio – são frágeis e há incertezas quanto à escolha profissional, ao mercado de trabalho. Adiam a fase adulta e não têm referências sólidas. “Recai sobre eles uma pressão excessiva por desempenho escolar e profissional.”
São comuns expressões como solidão, pânico, ansiedade e depressão nos jovens. Apresentam dificuldades de enfrentar cobranças, desafios, perdas, frustrações e de encontrar sua identidade. Buscam válvulas de escape para preencher o “vazio” e o “tédio”. Isso desencadeia o vício em internet, o abuso de drogas, o comportamento de risco, a automutilação e o suicídio.
Segundo Claudia, a autolesão reflete a incapacidade de controle sobre si próprio e traduz a impossibilidade de lidar com as emoções e a falta de sentido de pertença. É uma tentativa de aliviar a dor emocional, causando uma dor física.
Como “reeducar” os pais com essa nova realidade? “Existe o exagero por parte dos familiares de um lado, a negligência com os filhos e, de outro, a tentativa de controle excessivo e autoritarismo. Os pais podem procurar ser mais participativos e democráticos. Apesar da necessidade de regras, o diálogo e a negociação são fundamentais na educação de adolescentes. Reconhecer que eles têm seus pontos de vista, estão num momento de contradição, podem se mostrar provocativos, mas que o sofrimento é real. Educar é difícil e não tem receita, mas “penso que a bússola deve ser o afeto, não enxergá-los como opositores mas como pessoas que precisam, ainda, de nosso apoio, amor e compreensão”.




