Hoje, Dia Mundial de Combate à Tuberculose, profissionais e instituições de Saúde querem chamar atenção para este mal, que tem tratamento e cura.
A doença é milenar, faz parte da história da humanidade e ainda hoje é considerada um dos maiores desafios para a saúde pública do Brasil. Apesar de existir tratamento e a possibilidade de cura, pelo menos 70 mil novos casos são registrados anualmente no País. O Brasil é o 17° colocado entre os 22 países de maior incidência da doença no Planeta.
Só no Paraná, uma média de 2,5 mil novos casos são registrados anualmente e, por isso, a doença ainda é motivo de grande preocupação, tanto pela gravidade, quanto por sua capacidade de infectar um grande número de pessoas rapidamente.
Segundo afirma Edinara Casaril, coordenadora regional do Programa de Controle de Tuberculose, pela 8ª Regional de Saúde de Francisco Beltrão, os avanços científicos ocorridos desde a década de 1940, com descoberta da medicação específica para o tratamento, permitiram conhecer as formas de propagação da doença, propiciaram melhorias significativas no tratamento e promoveram queda acentuada nas taxas de mortalidade. “Contudo, apesar de ser curável e evitável, a tuberculose ainda responde por cerca de 4,6 mil mortes anuais no País”, lamenta Edinara.
Nos municípios de abrangência da 8ª RS, se observarmos os últimos dez anos, foi registrada a média de 33 novos casos de tuberculose por ano, além do registro de vários óbitos no mesmo período. “Não são muitos casos, mas é preciso ficar atento, tanto os profissionais como os pacientes, pois é fundamental o diagnóstico e a continuidade no tratamento”, destaca Edinara.
Transmissão por vias aéreas
Na maioria dos casos, a tuberculose é transmitida por vias aéreas. A infecção ocorre a partir da inalação dos bacilos expelidos pela tosse, fala ou espirro de uma pessoa doente. “Apenas 10% dos indivíduos expostos ao bacilo desenvolverão sintomas de tuberculose. Nos 90% restantes, a bactéria é controlada pelo sistema imunológico, ficando inativada, incapaz de ser transmitida ou de provocar qualquer sinal de doença”, explica a coordenadora regional.
Entre os indivíduos que desenvolvem tuberculose ativa, a grande maioria apresenta a forma pulmonar. Todavia, o bacilo pode acometer outros órgãos do corpo além dos pulmões, como nos casos de tuberculose ganglionar, tuberculose óssea, tuberculose na pele, tuberculose intestinal, tuberculose cerebral etc. Tosse persistente, febre no final do dia, sudorese noturna, emagrecimento, fraqueza e cansaço são os sintomas clássicos da tuberculose pulmonar.
O diagnóstico da tuberculose pulmonar geralmente é feito através do exame de escarro, denominado baciloscopia. Este exame permite detectar de 60% a 80% dos casos de tuberculose pulmonar. O Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde recomenda que todas as pessoas com tosse por tempo igual ou superior a três semanas, com suspeita de tuberculose pulmonar, realize o exame.
Prevenção e tratamento
A prevenção se dá pela manutenção dos ambientes arejados, com boa ventilação, além do tratamento adequado da pessoa com tuberculose, reduzindo a possibilidade de transmissão para outras pessoas. Há também medidas de proteção individual, como a vacina BCG, que previne as formas mais graves da doença.
Já o tratamento é realizado durante seis meses com antibióticos específicos, disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde. A principal recomendação para obter a cura é não descuidar da dose diária de medicamentos. Se o tratamento for interrompido ou não realizado diariamente, o bacilo causador da doença pode ficar resistente aos medicamentos. “A continuidade do tratamento também protege os familiares e demais pessoas que convivem com o doente”, salienta Edinara. *Com informações da 8ª Regional de Saúde.





